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Crítica – Liga da Justiça

Publicado:   novembro 24, 2017   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Renan Almeida

Não é segredo para ninguém que Liga da Justiça teve uma produção conturbada. O diretor Zack Snyder, no meio das gravações, passou por uma tragédia pessoal e teve de abandonar o projeto pouco antes de este ser finalizado. Joss Whedon conduziu algumas refilmagens e foi o responsável por pequenos ajustes no roteiro de Chris Terrio. O ator Henry Cavill, que interpreta o Superman, teve de gravar algumas cenas usando um bigode, removido digitalmente na pós-produção, o qual teve de manter por questões contratuais de outro projeto.

Diante de todos esses problemas, muitos fãs e críticos esperavam o pior. Felizmente, essa expectativa não se concretizou. Embora com alguns problemas pontuais, que tendem a se repetir em filmes do gênero de super-heróis, Liga da Justiça diverte e deve deixar a audiência satisfeita. Após os acontecimentos de Batman vs Superman: A Origem da Justiça,  o vigilante de Gotham City passa a investigar estranhas criaturas que têm aparecido na cidade, que se assemelham a insetos humanoides. Temendo uma ameaça maior, ele busca recrutar pessoas com habilidades especiais para defender a Terra de uma possível invasão.

É possível observar, apenas com a leitura dessa breve sinopse, que a trama deste novo longa do universo compartilhado da DC é relativamente simples, emulando a mesma estrutura das histórias em quadrinhos que reúnem diferentes heróis. Contudo, isso não deve ser visto como um defeito. Um dos grandes problemas de Batman vs Superman, a meu ver, foi investir em uma trama excessiva e desnecessariamente complicada, que até hoje sou incapaz de compreender. Há de se elogiar também o ritmo do filme, que, ao contrário dos longas anteriores a Mulher Maravilha, flui de maneira dinâmica e jamais cansa o espectador.

No entanto, Liga repete um problema que vem se verificando consistentemente nos últimos filmes de super-heróis, tanto nas produções da Marvel como nas da DC (com algumas exceções, é claro), a saber, a presença de um vilão unidimensional como ameaça aos protagonistas. De fato, o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) possui um passado que revela uma humilhação sofrida em sua última tentativa de subjugar a Terra, mas o personagem não possui qualquer profundidade e suas motivações são fracas e genéricas. Apesar de tudo, isso não chega a incomodar muito neste filme, pois o foco principal aqui é reunir os heróis e construir a dinâmica entre eles, algo que funciona admiravelmente bem. O vilão só está ali porque isso se tornou uma convenção do gênero.

Ademais, o longa acerta ao dar continuidade ao universo que vimos ser construído com O Homem de Aço, de 2013, estabelecendo consequências aos eventos que sucedem a partir daí, não se acovardando perante elas como fez Vingadores: Era de Ultron. Até mesmo a ausência da Mulher Maravilha (Gal Gadot) em outras ocasiões de perigo para a humanidade é justificada, sendo inclusive utilizada para propósitos narrativos. Os arcos dramáticos dos heróis, inclusive, também contam como pontos a favor de Liga da Justiça. Todos eles possuem seus próprios dilemas e motivações, que são apresentados de forma orgânica ao longo da projeção. Seus intérpretes, nesse sentido, emprestam seu carisma aos personagens, saindo-se todos bem. O Flash de Ezra Miller é engraçado mas às vezes excessivo, o Aquaman de Jason Momoa empolga com sua incrível energia, o Ciborgue de Ray Fisher (certamente o que mais me impressionou) desperta a empatia do público e a Mulher Maravilha de Gal Gadot continua forte e adorável. O Batman de Ben Affleck, por sua vez, está bem diferente daquele de BvS, possuindo até algumas piadas ocasionais (que me pareceram um tanto inapropriadas), mas, além do ator demonstrar domínio do papel, o roteiro lhe confere uma dimensão interessante ao fazê-lo forçar os limites da ética.

Isso nos trás a um ponto importante de Liga da Justiça, algo que também não era segredo para ninguém: o retorno do Superman. Certamente prejudicado pela impossibilidade de raspar o bigode para as refilmagens de Whedon, o ator Henry Cavill, apesar de ter seu rosto modificado (e um pouco “desfigurado”) pela CGI, retorna com um Superman imensamente mais carismático do que aquele visto em O Homem de Aço e no filme anterior. O simples fato de o ator poder colocar no rosto do personagem um sorriso já o faz mais simpático. A volta do herói, aliás, conta com uma boa explicação, explorando conceitos já conhecidos.

Em síntese, Liga da Justiça (junto com Mulher Maravilha) é um ótimo recomeço para o universo compartilhado da DC, depois dos medíocres Batman vs Superman: A Origem da Justiça e O Homem de Aço e do terrível Esquadrão Suicida. O filme comete alguns deslizes, que podem ser amplificados numa segunda assistida, mas esses defeitos não chegam a comprometer sua qualidade. Algumas pessoas sairão do cinema empolgadas e ansiosas para os próximos lançamentos, outras apenas aliviadas por não testemunharem um desastre total.

Nota: B+

Confira o trailer:

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