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Crítica – Kingsman: O Círculo Dourado

Publicado:   setembro 25, 2017   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Renan Almeida

Kingman: O Círculo Dourado já se inicia com uma intensa cena de ação. Sem sequer esperar o espectador se acomodar na poltrona, o novo longa de Matthew Vaughn coloca Eggsy (Taron Egerton), agora parte da organização secreta que dá título à franquia, em uma situação na qual é subitamente atacado por Charlie Hesketh (Edward Holcroft), um dos candidatos a espião recusados pela agência no filme anterior. Ao contrário do que se julgava, Charlie sobreviveu aos eventos que têm lugar ao final de Kingsman: Serviço Secreto, de 2015. Agora com um braço biônico, o mauricinho consegue se infiltrar na rede de informações dos espiões de terno, após falhar em sua tentativa de sequestrar o antigo colega. De posse das informações, a vilã Poppy Adams (Julianne Moore) lança mísseis para destruírem a sede da Kingsman e as casas de diversos agentes. Eggsy, que por acaso sobrevive ao atentado, se reúne aos agentes remanescentes no intuito de encontrar o culpado pelo ataque. É nesse contexto, então, que ele e Merlin (Mark Strong) vão parar nos Estados Unidos, buscando a ajuda da organização também ultrassecreta Statesman, localizada no Kentucky.

Mantendo o bom humor presente no primeiro filme, esta continuação também traz as empolgantes cenas de ação embaladas ao som de música pop. Com uma nova vilã a frente de uma gigantesca organização criminosa, novos personagens e uma nova missão para salvar o mundo, Kingsman: O Círculo Dourado repete alguns acertos e erros de seu antecessor. Em primeiro lugar, novamente vemos um vilão que, embora aparente ser pouco ameaçador, controla recursos que o permitem desfrutar de uma posição de poder no mundo do crime. Assim, a Poppy Adams de Juliane Moore extrai sua vilania do fato de punir seus próprios capangas de maneira exemplar, transformando-os em carne moída (literalmente). Dona do maior cartel de drogas do mundo, o poderoso Círculo Dourado (responsável pela quase totalidade da distribuição de entorpecentes), a personagem de Moore está cansada de ter de viver isolada da sociedade. Por isso, ela pretende usar todo o seu poder para forçar o presidente dos Estados Unidos a assinar um decreto que legalize as drogas e anistie seus crimes. É pouco apropriado falar aqui da estupidez de tal plano (como se um decreto presidencial funcionasse como uma cláusula pétrea, sem a possibilidade de ser derrubado pelos outros poderes do Estado), uma vez que o próprio filme é uma daquelas obras que não se levam a sério.

Nessa perspectiva, pouco pode se reclamar também dos sotaques caricatos de Channing Tatum e Jeff Bridges, já que o longa prefere fazer graça com os estereótipos associados aos habitantes do sul dos Estados Unidos. Além disso, não faz muito sentido apontar caricaturas como ponto negativo em uma franquia que surge como uma caricatura/homenagem aos filmes de espionagem dos anos 1960. No entanto, uma gag envolvendo um rastreador com implante vaginal se mostra de extremo mau gosto. Por outro lado, a participação de Elton John se revela como uma boa surpresa: ele consegue provocar o riso em praticamente todas as vezes que está em cena, mesmo quando as piadas que o envolvem tornam-se repetitivas. Ainda mais surpreendente é o fato de o músico inglês possuir um papel importante no enredo, servindo para salvar a pele de um dos personagens.

Como no anterior, o filme possui algum excesso. A cena de luta num bar envolvendo o personagem de Pedro Pascal parece estar sobrando. Além de desnecessária (pois pouco acrescenta à trama), ela não tem motivo para acontecer dentro do contexto da própria história. O ponto positivo é ela remeter a uma cena no longa anterior na qual Harry Hart (Colin Firth) diz uma frase que se tornou popular (“Manners maketh man”).  O roteiro de Jane Goldman e Matthew Vaughn, inclusive, é bastante previsível. O arco que envolve a personagem de Hanna Alström é apenas um exemplo disso. É fácil prever como ela se envolverá no problema. Dessa forma, acaba restando ao espectador simplesmente esperar os eventos que antecipou acontecerem. Sem falar, é claro, na mensagem conservadora que o filme traz com relação ao uso de drogas.

Não obstante esses pontos negativos, Kingman: O Círculo de Ouro faz um bom uso dos elementos estabelecidos pelo roteiro. O anel de choque que os agentes usam, por exemplo, fornece uma boa justificativa para o retorno de Charlie Hesketh. O novo relógio, com suas novas funcionalidades, também é bem utilizado ao longo da projeção. Incluo aí até mesmo o infame gel que previne agentes de morrerem com um tiro na cabeça. Apesar de criado para permitir o retorno do personagem de Colin Firth à história (mesmo se o leitor não tiver visto nenhum dos trailers, ainda irá se deparar com um enorme pôster do filme, com o ator nele, em qualquer cinema em que for; portanto, tal informação não pode ser considerada um spoiler), o aparato é empregado de maneira criativa no enredo.

A propósito, o diretor Matthew Vaughn chegou a se manifestar publicamente quanto a isso, decepcionado pela incapacidade do marketing do filme em guardar a surpresa da volta do personagem. Sem dúvida nenhuma, essa decisão pode ser considerada equivocada por diversos motivos. Contudo, Vaughn talvez também tenha se equivocado ao dar o destino que deu no primeiro filme a um personagem tão bacana. Não deixa de ser curioso, além disso, que o diretor prefira manter o personagem de Channing Tatum ausente em praticamente toda a projeção, após introduzi-lo nesta continuação. A agente Roxy/Lancelot também possui pouquíssimo tempo de tela, após ter desempenhado um papel chave no longa anterior. Não há duvidas, porém, de que Tatum ganhará espaço de destaque em um eventual Kingsman 3 (que tem boas chances de acontecer).

Em síntese, Kingman: O Círculo Dourado é, em muitos sentidos, inferior ao seu antecessor. Com um roteiro problemático, o filme se salva pelas boas cenas de ação, pelas risadas que proporciona e pela ótima química entre Eggsy e Harry. E depois, o último ato também conta com um excelente momento envolvendo o Merlin de Mark Strong. O que resta, agora, é esperar que as próximas continuações corrijam os erros presentes neste filme sem perder a essência que tornou o primeiro Kingsman uma formidável surpresa no ano de 2015.

Nota: C+

O filme estreia em 28 de setembro no Brasil.

Confira o trailer:

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