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Crítica – “IT – A Coisa” que te dá coisas

Publicado:   setembro 6, 2017   Categoria:CriticasEscrito por:Dick Farney

Antes de mais nada essa crítica não tem intenção nenhuma de comparar o clássico IT de 1990 com o de 2017. Por questões muito óbvias que nem preciso explicar. Mas resumindo: é um remake com algumas coisas a mais e a menos.

IT é literalmente um filme de terror para deixar todo mundo tenso. O diretor Andy Muschietti (Mama, 2013) coloca a obra de Stephen King nos eixos com competência. Os cenários e ambientação são bem montados e realmente te colocam nos anos 80 da mesma forma (mas sem o mesmo brilhantismo) que Stranger Things. A criatura que assume a forma de Pennywise, o palhaço dançarino interpretada por Bill Skarsgård (Hemlock Grove, 2013) dá calafrios em qualquer um e justifica o motivo de a Associação Mundial de Palhaços estar perdendo trabalhos por causa do filme e o fato de pessoas sofrerem de coulrofobia (medo de palhaços). A equipe de maquiagem, figurino e efeitos especiais realmente deram um show na caracterização do famigerado palhaço. Sua aparência ainda mais inocente com as maçãs do rosto ressaltadas e um sorriso fora de alinhamento quase escondem os dentes ferozes que já criam pânico inesperado nos primeiros minutos do filme.

Finn Wolfhard

O elenco é muito competente. Usando como apoio (e apoiando) o altíssimo hype de Stranger Things, os protagonistas Jaeden Lieberher (Bill Denbrough), Jeremy Ray Taylor (Ben Hamscom), Sophia Lillis (Beverly Marsh), Finn Wolfhard (Richie Tozier), Chosen Jacobs (Mike Hanlon), Jack Dylan Grazer (Eddie Kaspbrak), Wyatt Oleff (Stanley Uris) formam a equipe de garotos rejeitados que são aterrorizados por Pennywise durante a produção. Inclusive, Finn Wolfhard é que interpreta Mike Wheeler em Stranger Things. O filme traz todos os conflitos familiares “naturais” inerentes da época com um forte apelo para crianças que sofriam abuso, intimidação, predestinação e privação por parte dos pais. Isso talvez seja o maior motivo de Pennywise atormentar o grupo por todo o filme.

IT segura a onda com competência embora não funcione como uma onda que começa pequena e vai crescendo até chegar a um ápice. Antes que você pergunte: SIM, há um ápice! Mas durante a produção o desenvolvimento da tensão é apresentado de forma irregular, ora forte, ora brando, ora inexistente. Esse desenvolvimento é severamente prejudicado pelas gargalhadas soltas a cada 3 minutos pelo público. Sim, existem muitos (muitos mesmo) momentos de alívio cômico durante o filme, especialmente por parte de Richie que é um desbocado miniatura arremessando tiradas clássicas que usávamos na quarta série como “cala boca mão na boca, cheira o c* da véia loka” ou “cala boa é rolimã, como tu e tua irmã”, e SIM (de novo), as piadas tem um forte tom sexual misturado com deboche. Obviamente isso compromete a atmosfera de tensão que um filme de terror deveria causar, mas é apenas algo que se torna irritante já que toda vez é preciso restaurar o ar de terror em um público que está relaxado pelas risadas.

Pennywise é amedrontador por si só, mas em muitos momentos ele contracena com o horror provocado por outros elementos no ambiente como um gatilho para que algo mais aterrorizante aconteça. Pennywise está presente de forma passiva em quase todo o filme. Espera-se que ele seja mais agressivo e intimidador quando na verdade o efeito de medo que ele causa tem mais esse papel que ele mesmo.

Diante disso o resumo de IT – A Coisa é quase que unânime: é um excelente filme que corrige vários erros de seu predecessor e realmente deixa você desconfortável em diversos momentos. O trabalho da equipe gráfica e efeitos especiais conseguiram atiçar a tripofobia (medo de buracos ou saliências em conjunto) escondida dentro de todos nós e nos faz flutuar com a quantidade de efeitos grotescos como contorcionismos impossíveis, superfícies destruídas, espasmos causticantes e ambientes claustrofóbicos. Sem dúvida, IT vai te fazer sentir prazer (e medo) de assistir um filme de terror.

Deslizes: em uma determinada cena, ao ser impedido de ler o Torá (principal livro do Judaísmo), o personagem Stanley fecha o livro que está de cabeça pra baixo.

Curiosidades: Stanley tem medo de uma pintura de uma moça desfigurada tocando flauta, curiosamente a semelhança dessa moça com o personagem conhecido como Mama (Mama, 2013) é incrível. Notadamente é uma referência acontece já que ambos os filmes Mama e IT tem o mesmo diretor. Prometo que assim que saírem imagens da moça da pintura eu atualizo a publicação só pra comparar.

Mama, 2013

NOTA DO AUTOR: Peço desculpas por ter prometido a crítica para 9 da manhã e só tê-la publicado quase com 12 horas de atraso. Foi um dia bem atípico, mas isso é assunto para outro post. 😉

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