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Crítica #1 – Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Publicado:   julho 6, 2017   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Bruno Castro

Em agosto de 1962, aparecia no mundo das HQs – mais precisamente, na 15ª edição de Amazing Fantasy – o primeiro herói adolescente da Casa das Ideias. Com um repentino sucesso, o super-herói de Stan Lee e Steve Ditko passou, rapidamente, a conquistar seu espaço na editora, passando a ter uma HQ própria.

O sucesso ia em contramão à grave crise que se instalava na época às editoras do ramo, e, mais tarde, seria responsável por conceber e mostrar o grande potencial dos quadrinhos da prestigiada Marvel Comics no mundo Hollywoodiano.

Com duas indicações ao Oscar – Trilha Sonora e Efeitos Visuais -, Spider Man (Sam Raimi, 2002) rendeu muita popularidade e lucro à sua produtora, Sony Pictures, que, após o segundo filme de Peter Parker, parece ter desaprendido a aproveitar o valioso material que tinha em mãos, até que a Marvel, depois de anos de negociação, oportunamente conquistou o passaporte de volta de seu ‘filho perdido’. E eis que surge Homem-Aranha: De Volta ao Lar, com a difícil tarefa de apagar da memória o fracasso da linha O Espetacular Homem-Aranha, um desserviço aos fãs do cabeça de teia.

Com Direção de Jon Watts, o longa procura deixar sua marca com uma modesta ode às duas primeiras produções, com cenas que se mostram abertamente inspiradas pelas mais marcantes destas. Também é possível notar-se o seu grande comprometimento em angariar singularidade e delimitar seu espaço. A nível de Universo Marvel Studios, De Volta ao Lar trata, em parte, das consequências de Guerra Civil e tem o dever de construir um personagem palatável ao público e às suas próximas obras cinematográficas.

A composição de eventos criados pelos (seis roteiristas) é congruente, mesmo que seja possível notar a utilização de estruturas repetitivas em uma visão ampla do enredo. O excesso destes também demanda habilidade de condução por parte do Diretor, que tem perícia em ambientar o suspense, mas peca pela forma abrupta na hora de conduzir o drama vivido pelo protagonista.

Há um número considerável de personagens coadjuvantes relevantes à trama e um romance aprazível como plano de fundo, tudo isso sob uma pegada old school contrastante ao ambiente futurista evocado pelo Tony Stark de Robert Downey Jr, que não chega a roubar a cena, mas se torna parte de cenas cômicas quando se encontra com o Parker de Tom Holland, que a partir de agora talvez possa ostentar do título de “Melhor Homem-Aranha do Cinema”.

Temos o Spider mais divertido de todos aqui. Um personagem muito atrapalhado, mas convincente por sua idade e seu status de “pequeno padawan”, suscetível a erros e com carta branca para decisões impulsivas. Por outro lado, temos um Peter Parker com todos os problemas que um adolescente nerd costuma ter de enfrentar no colegial, mas que se distancia daquele drama impresso, a priori, pelo de Tobey Maguire. Seu melhor amigo, Ned (Jacob Batalon), contribui bastante para o humor do 1º ato.

Michael Keaton apresenta um Abutre que transita, rapidamente, da frustração ao oportunismo, em um personagem que se mostra cada vez mais frio e obcecado por poder. É interessante o fato de seu ponto fraco ser provocado puramente pela forma de agir do super-herói e não por traumas ou qualquer coisa do passado do vilão. A roupa de mil  e uma utilidades de Stark pode até ajudar, mas Parker é, por si só, o ser que o enfraquece, e isso já é mais do que o suficiente para lhe consolidar o título de herói.

A composição visual do longa é, no geral, bem equilibrada, com apenas alguns deslizes na captação da ação, que às vezes se torna confusa. As acrobacias de Holland também merecem menção. A trilha sonora não chega a ser o que foi a do primeiro filme, mas tem seus picos de originalidade em momentos pontuais da trama.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é bem-sucedido por dar fôlego ao personagem que tornou possível todos os sucessos seguintes da marca registrada Marvel. Conta com uma Direção oscilante, mas é divertido, levemente nostálgico, tudo isso sob em um roteiro engenhoso e criativo, que da HQ só aproveitou o nome, nuances e apenas uma cena.

Nota: A- 😀

*HÁ 2 CENAS PÓS-CRÉDITOS

Confira o trailer:

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