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Crítica #1 | Alien: Covenant

Publicado:   maio 9, 2017   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Italo Goulart

Os anos oitenta ainda não morreram, e isso fica bem claro nas produções de séries (Stranger Things, Máquina Mortífera) e filmes (Mad Max, Tron, Blade Runner 2049) que foram lançados ou vão despontar por aqui esse ano. E a série Alien, depois do divisor de opiniões “Prometheus” (2012), parece ter ido beber lá de sua fonte para fazer o mais novo filme da franquia Alien: Covenant, e o já consagrado, mas não tão confiável assim, Ridley Scott, conseguiu “em partes” não só tornar o filme anterior mais crível e aceitável, como nos entregou uma obra digna tanto para os antigos quanto para os novos fãs da franquia.

NOTA: A-

O ano é 2104, viajando pelo espaço está a imensa nave Covenant, com mais de dois mil “passageiros” em direção ao planeta habitável Origae-6. Faltam sete anos para chegar e toda sua tripulação de 17 pessoas está imersa num sono criogênico, a única movimentação dentro da nave é do androide Walter (Michael Fassbender), que mantém uma conversa incessante com a inteligência artificial da nave, a “Mãe”.

Após um acidente cósmico, Walter é obrigado a acordar toda a tripulação, para que reparem as avarias e consigam continuar com a viagem. Após todos despertos e já recuperados, a nave recebe uma mensagem de um planeta próximo, todos ficam curiosos e acabam descobrindo que o planeta não só pode ser povoado, como fica a poucas semanas de distância, e logo, decidem dar uma “olhadinha”. Só que as coisas não são tão favoráveis assim.

Com um início bem típico e clichê de filmes do gênero, Alien: Covenant consegue não só prender a atenção, como também ser convincente por si só. E uma das coisas que mais chama a atenção logo nos primeiros minutos é um diálogo entre o personagem de Fassbender e Peter Weyland (Guy Pearce), que dará o tom durante todo o resto do filme.

O longa funciona sozinho, mas também serve para melhor explicar alguns “para quês” de “Prometheus”. Nós ficamos sabendo um pouco – mas só um pouco mais – da raça dos “Engenheiros” e também o que aconteceu com quem sobrou da produção anterior.

Recheado de “jumpscares”, Alien: Covenant traz todo o clima que fez dele um clássico do gênero no desde 1979, com muito sangue e quase sem muito tempo para respirar nas cenas de ação. Parece que Ridley Scott está dando vida nova à franquia. Mas não só é isso que dá forma ao filme: temos uma discussão filosófica sobre existencialismo e criação que dá vazão a acontecimentos importantes durante a película.

Os tripulantes já se conhecem, então o roteiro não ficou preso a apresentar personagens ou mostrar as relações que eles têm entre si. É tudo desenvolvido de forma bem sutil e não mais que o necessário no decorrer da projeção. O roteiro de John Logan e D.W. Harper é direto e não tenta explicar ou mostrar muitas coisas para não se perder em toda a trama que, em determinado momento, parece estar se tornando complexa demais.

Apesar de estar cheio de personagens, quem direciona todo o enredo é o personagem de Michael Fassbender. Daniels (Katherine Waterston) tenta se renovar e ser a peça importante que a Ellen Ripley (Sigourney Weaver) foi em filmes anteriores, mas não consegue muito bem mostrar a que veio e nem para onde irá. Dentre todos, os que mais tiveram destaque foram Billy Crudup, como o Capitão Oram, e Danny McBride, que interpreta o suboficial Tennessee, mas ambos acabam sendo facilmente esquecíveis.

Em suma, Alien: Covenant nos entrega não mais do que o esperado de um talentosíssimo diretor como Ridley Scott, mas, por outro lado, foi entregue muito mais do que todos tinham expectativa depois de “Prometheus”. É divertido e com certeza vai agradar todos os fãs de ficção cientifica.

NOTA: A-

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