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Um limite entre nós — Crítica

Publicado:   fevereiro 26, 2017   Categoria:Criticas , Filmes e sériesEscrito por:Rômulo Costa

A quantidade reduzida de personagens e as poucas mudanças de cenário são características que chamam a atenção de qualquer um que assista Um limite entre nós, filme dirigido por Denzel Washington, com atuação irretocável de Viola Davis. O fato de o filme ser adaptação de uma peça de teatro é apontado como o motivo principal da história se desenrolar em espaço limitado. Entretanto, creio tratar-se de um elemento importante para a narrativa: a metáfora da cerca construída ao longo do filme — como elemento que reúne, prende, delimita — é reforçada pela atmosfera caseira, marcando o que a obra é em essência: um drama familiar.

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Troy Maxson, interpretado por Denzel, ganha a vida trabalhando como catador de lixo, embora, mais tarde, adquira outra função no seu emprego. Pobre e negro, aos 53 anos é responsável por sustentar financeiramente a família. Por meio de sua trajetória e dos personagens que habitam sua casa (ou simplesmente passam por ela), podemos vislumbrar todos os principais fatos da primeira metade do século vinte nos EUA, por exemplo: a segunda guerra mundial, o racismo e os conflitos geracionais (as mudanças sutis ou radicais na posição do negro naquela sociedade).

Por uma combinação eficaz entre roteiro e direção, não somos apresentados à simplificações do comportamento humano. Mais ainda, não há demonizações e beatificações, tão presentes nos filmes maniqueístas que, infantilizando o espectador, tentam transformar qualquer enredo em uma luta do bem contra o mal. Os sentimentos do espectador em relação às personagens podem variar completamente de um momento a outro, da empatia ao ódio, para desembocar na compreensão de que os seres humanos, talvez na mesma medida em que determinam suas vidas, são limitados e modelados pelas circunstâncias.

A tradução, possivelmente mais por características próprias da língua portuguesa, reduziu uma grande variedade de termos (negroes, black, nigger, coloured, etc.) à duas palavras: preto e negro. O sotaque próprio dos subúrbios e da comunidade negra daquele contexto é também perdido, por razões óbvias. No entanto, esses detalhes de expressão são como peças decorativas que não alteram o que há de fundamental na história.

Nota: A+.

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