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Crítica | Logan volta como você nunca viu, mas como sempre quis ver

Publicado:   fevereiro 24, 2017   Categoria:Sem categoriaEscrito por:Italo Goulart

Depois de bastante tempo, finalmente pudemos conferir o novo filme do Wolverine. E, depois de uma vida toda de espera, finalmente vamos ter a oportunidade de ver um Wolverine de verdade em um filme. Após o sucesso de Deadpool (2016), o primeiro filme baseado em história em quadrinhos feito para o público maior de 18 anos, a FOX decidiu também arriscar em um filme do “Carcaju”, o anti-herói mais famoso e mais amado dos quadrinhos, agora com uma pegada mais violenta e mais dramática.

Mesmo com sua aparência nada parecida com a do baixinho, troncudo e peludo do Wolverine dos gibis, Hugh Jackman conseguiu conquistar, e agora finalmente convencer que ele vai ser eternizado como o Logan que nós aprendemos a gostar.

Em sua despedida como Wolverine, Hugh Jackman nos entrega um personagem que há muito queríamos ver. Para os fãs das hqs, a esperança de ver um Logan que chegasse próximo aos vistos nos gibis estava quase acabando, mas o esforço de Jackman em se tornar mais marcante e definitivo no papel que ele atua há mais de 16 anos e em 9 filmes da franquia foi gratificante não só para ele, mas, também, pra nós espectadores, que temos o prazer de ver um filme de qualidade, não só por sua cenas de ação como, também, por sua dramaticidade.

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Apesar de muito se falar que o filme é “baseado” no Old Man Logan (2008) de Mark Millar e Steve McNiven, pouco se aproveitou dessa história, a não ser o estado físico e debilitado de Logan e a falta, sumiço ou extermínio dos mutantes e/ou heróis. Nessa ultima parte da trilogia solo do Wolverine, temos um Logan (Hugh Jackman) bem velho e débil. Seus poderes e seu vigor não é mais como antigamente, e agora, mais do que nunca, ele não só está mais próximo da morte, e sim anseia a cada momento por isso. Professor Xavier (Patrick Stewart) está em ainda piores condições. Além da sua incapacidade de locomoção, ele agora sofre de uma doença degenerativa que às vezes o deixa em estado de relativa alucinação, esquecimentos e convulsões, que causam caos a todo o ambiente ao seu redor. As coisas começam a mudar quando Professor X começa a se comunicar com uma possível nova mutante, que traz em si a esperança de um ressurgimento da raça Homo Superior (mutantes), extinta há anos e sem um novo nascimento desde então. Laura/X-23 (Dafne Keen) é uma mutante criada superficialmente para ser um soldado do governo, mas as coisas saem erradas quando os experimentos começam a se rebelar e conseguem fugir. Os Carniceiros a comando de Donald Price (Boyd Holbrook), então, iniciam sua busca ao único experimento que eles conseguiram rastrear, e tudo indica que Logan é o caminho para a garota. E para ajudar (ou atrapalhar), Logan também conta com Caliban(Stephen Merchant), que tem o poder de rastrear mutantes e que o ajuda a cuidar do Professor X.

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Caliban

O personagem Wolverine foi criado para ser um vilão do Hulk em The Incredible Hulk #180, de 1974, e, assim como nesse início, em Old Man Logan, Wolverine também enfrenta o Gigante Esmeralda, coisa que todos gostaríamos de ver, mas que não vai ser possível dessa vez.  Como já tratada em diversas histórias, Wolverine sempre fica com o papel mais difícil de decidir as coisas, como em “Wolverine Alone!”, The Uncanny X-Men 132-133, 1980, onde toda a equipe dos Xmen foi presa pelo Clube do Inferno e ele foi o único que ficou livre para poder resgata-los. Em “Days of Future Past” – The Uncanny X-Men 141-142, 1981, em que ele também é peça chave para toda a trama desenrolar. Enfim, o baixinho que é o melhor no que faz sempre foi o cara que resolvia tudo, e dessa vez em Logan não foi diferente.

Em um futuro não muito distante, em 2029, para ser mais exato, os mutantes estão extintos, o que durante o filme se leva a crer que foi por meio do Governo, e Laura/X-23 aparece como uma espécie de Hope Summers, que, depois dos eventos da Dinastia M e durante os eventos do “Complexo de Messias”, vem para ser a salvação da raça mutante. Ela foi a primeira nascida depois que a Feiticeira Escarlate inibiu o gene mutante em mais de 90% dos mutantes vivos. E, para o Professor Xavier, Laura também significa esperança e possibilidade de recomeço, por isso a importância de garantir a sobrevivência dela e leva-la até o refugio até então fictício chamado “Éden”. Logan não gosta muito da ideia, pois vai atrapalhar todos seus planos de fuga e segurança junto com o Professor X, mas o desenrolar dos acontecimentos o obrigam a cumprir o que Xavier pediu.

Laura Kinney-X-23
Laura Kinney-X-23

Criado por Craig Kyle e Christopher Yost, X-23 foi feita só para integrar o desenho X-Men: Evolution, que muitos assistiram no inicio das tardes na SBT, assim como o personagem Spyke que também foi criado com o mesmo intuito. Posteriormente, X-23 foi introduzida nos quadrinhos em NYX #3 (2004). Feita no mesmo projeto Arma X em que o Wolverine foi criado, Laura Kinney ou Laura Howlett é um clone do Logan, com as mesmas habilidades e poderes. Forçosamente, tanto nos gibis quanto no filme, eles tratam Logan como o pai de Laura.

Nessa despedida, vimos Jackman e Stewart em suas melhores atuações de toda a franquia, e conseguiram criar um clima familiar, paternal, que dá toda a direção à trama a adição da personagem da pequena, mas talentosa, Dafne Keen perpetua esse clima paternal na segunda metade do filme.

Apesar de todo o alvoroço pelo filme ser feito para maiores de 18 anos, não fizeram de Logan um longa de violência gratuita, recheado de gore e com trama rasa. Muito pelo contrário. Podemos ver no roteiro de Michael Green e David James Kelly um capricho em manter equilibrada a carga dramática com as cenas de ação, mantendo assim uma fluidez e interesse contínuo em tudo o que está se passando. Eles utilizaram bem as referências tiradas dos quadrinhos sem precisar inundar o filme de “fanservice” desnecessário e fora de contexto.

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O filme retrata bem, mais do que a violência do personagem, o psicológico problemático e os traumas passados de Logan, que sempre esteve envolto de perdas e tragédias, e há um resgate nessa parte do personagem que enriquece mais ainda a história.

James Mangold parece ter aprendido bem com o fraquíssimo Wolverine: Imortal (2013), e se conteve mais nas cenas de ação, que funcionam muito bem sem recorrer a algo muito orquestrado. Mesmo sendo o último filme com o Jackman, também se segurou em não querer fazer desse filme algo épico demais e talvez esse tenha sido seu maior acerto. Logan não é um filme que foi feito pra reverenciar o personagem ou o ator, Logan é um filme comedido, certeiro e feito para os fãs.

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Logan é um filme único, não ligando muito para os reveses dos filmes da franquia dos Xmen ou mesmo de um seguimento para os dois últimos filmes solo do Wolverine. Ele é uma história que funciona muito bem sozinha e que não se prende a nada do passado. Se puder, vá com isso na cabeça, pois você vai se surpreender com o que fizeram, e garanto que sairá satisfeito!

NOTA: A+ 😀 Selo filmão da porra!!!

LOGAN estreia dia 02 de março, corre pro cinema e não perca essa oportunidade!

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