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A Lei da Noite – Diálogos vacilantes e incongruência definem o film-noir de Ben Affleck

Publicado:   fevereiro 23, 2017   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Bruno Castro

Live by Night – Estrelado, dirigido, escrito e co-produzido por Ben Affleck, o mais novo film-noir da década nos traz à década de 1920, mais especificamente em Boston, onde Joe Coughlin, até então pupilo da prática de pequenos roubos, acaba, compulsoriamente, se envolvendo com o crime organizado. Joe, a partir daí, parte para a Flórida para instaurar um mercado ilícito de rum durante a Prohibition Era (Lei Seca dos Estados Unidos) e, assim, enfraquecer seu maior inimigo.

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‘Live by Night’ é baseado em uma trilogia de livros do autor Dennis Lehane.

A Lei da Noite é composto por um elenco acima da média, mas que, infelizmente, não se encaixa em seu roteiro. As mudanças de tom para o próprio personagem de Affleck sequer funcionam para o referido. Os pouquíssimos momentos onde o longa decide partir para algo mais cômico passam despercebidos por este desequilíbrio de personalidade entre ator e personagem que envolve Joe e Affleck. Isto se torna um problema maior quando há uma supervalorização do protagonista. Alguns sabem lidar bem com isso, como o próprio irmão de Ben, Casey Affleck, que consegue carregar Manchester à Beira-mar do início ao fim sem transparecer artificialidade em sua atuação.

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Ben Aflleck, Sienna Miller, fumaça de cigarro e contraste de luz característicos de film-noir.

Há, também, a presença de Robert Glenister, Matthew Maher, Elle Fanning, Sienna MillerChris Messina, Chris CooperBrendan Gleeson e Zoe Saldana. Os dois últimos são os que entregam o melhor trabalho com o que havia em suas mãos. Gleeson está na pele de um capitão de polícia. Ele consegue se portar como tal, sendo rígido até mesmo com seu filho, mas sempre portando aquele ar de paternidade capaz de protege-lo nas horas mais difíceis. Saldana, estrela de Avatar e de Guardiões da Galáxia, nos apresenta Graciela. Ela tem um ar de independência que acaba se dissipando na presença de Joe, quando se entrega quase totalmente a ele, o que incomoda um pouco, mas que demonstra a paixão e a insegurança de uma mulher perspicaz em relação ao conturbado “ambiente de trabalho” de seu amante. A personagem alerta Joe para o que ele pode acabar se tornando, injetando uma dúvida que deveria se portar como uma fragilidade do protagonista, mas que em nenhum momento é bem explorada pelo roteiro. Parece que não há conflito na mente de Joe, mesmo ele se mostrando emocional quanto a seus relacionamentos, o que explicita incongruência na construção do personagem. Chris Cooper também está bem sólido como Chief Figgis.

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Zoe Saldana e Ben Affleck.

Em meio a uma dezena de plot-twists e diálogos anêmicos, a parte técnica do longa parece ser a única sobrevivente. Temos uma belíssima retratação da época, com carros antigos, objetos que trazem elegância e um ar genuíno em sua composição – reconhecimento para o Designer de Produção Jess Gonchor e à toda a equipe de Arte. A cinematografia de Robert Richardson acompanha tudo isso muito bem. Ela se porta muito bem em locações mais fechadas, nos quais se mostra flexível e arraigada à história que está sendo contada. Em ambientes mais abertos, onde temos cenas de perseguição, essa mobilidade é ainda mais acentuada, sem exagero, sendo bem-sucedida em sua mise-en-scène (transmissão de fluidez entre a composição da ação). O contraste de luz do film-noir também está presente na obra, engendrando lindos quadros.

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Design de Produção e Cinematografia são os pontos altos do longa.

A Lei da Noite é visualmente atraente, mas não sabe definir seu tom. Conta com uma trama artificial, diálogos vacilantes e um protagonista incongruente em personalidade e ações.

Nota: C- 🙁

A Lei da Noite estreia hoje, 23 de Fevereiro, nos cinemas de todo o território nacional.

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Confira o trailer!

E você? O que espera de A Lei da Noite?

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Visualizacões:   45   Comentários:   3   Curtidas: 0

3 Comentários

23 de fevereiro de 2017
Filme parece meio boring mesmo... =/ Belo texto!
23 de fevereiro de 2017
Pois é... vlw, mano!
24 de fevereiro de 2017
Doido pra assistir esse filme, inda mais pelas críticas contrarias que estou lendo por aí. rerere Muito bom o texto mano veio.
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