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#AmostraGratis – Quando devemos respeitar o Funk nacional.

Publicado:   fevereiro 17, 2017   Categoria:Comportamento , Música , OpiniãoEscrito por:Jota1

Outro dia estava pensando sobre essa coisa do Funk e como ele se “modernizou” hoje em dia. É um dos principais gêneros musicais do país, ao lado do Sertanejo Universitário, mas o Funk tem – em minha opinião pelo menos – fatores que o tornam muito mais interessante, além da musicalidade: Originalidade e fator social.

O Funk Rio há muito tempo estampava mais as páginas policiais, teve sua ascensão nos anos 90/00 graças a Furacão 2000 que investiu em shows e novos MCs que cansados de fazer letras de grito de guerra entre facções criminosas, bebeu do Funk Melody e do Miami Bass para fazer um Funk mais acessível aos ouvidos da elite carioca. Cidinho e Doca, Mc Marcinho, Claudinho & Buchecha, Bonde do Tigrão e etc. Logo os artistas desciam o morro, iam para os bailes além da favela, ganharam espaço na TV e já era: A burguesia odiava o rebolado do funk, mas seus filhos adolescentes adoravam – inclusive o Funk putaria. O Funk passou de sub-gênero underground a hit nas rádios e hoje na Internet.

Em termos de qualidade musical e gosto, isso não pode se discutir, pois aí a prosa vai mais pela opinião pessoal e isso é de cada um. Não tem jeito. Pois há inúmeras bandas e artistas que são muito talentosos mas não fazem um som que agrade aos ouvidos de todos, mesmo com toda a técnica musical. Então, é um ponto que eu não vou abordar neste texto.

Há quem reclame e a graça é essa! O incômodo que o Funk causa é a coisa mais punk e bacana de todas. Os mimizentos dizem: “O Funk não é cultura, só fala de putaria”, mas pagam caríssimo em show de Sertanojo e em camarotes no carnaval em Salvador para ouvir a mesma coisa. O Brasil tem a putaria quase no seu DNA. Ligue a TV, veja a história do nosso país! Veja o estupro quase diário que o governo faz com as pessoas! A putaria é quase combustível do Brasil, então não venha encher o saco quando alguém faz música – e grana – com algo que já é usado. O funkeiro só está retratando a realidade que o cerca. Além do mais, hoje em dia o Funk putaria é muito mais restrito aos morros cariocas, sendo que as versões comerciais, mais lights nas letras, são as que ouvimos por aí – Inclusive em propaganda do McDonalds. Então, é uma questão de escolha.

No quesito originalidade, pode reparar: O Funk vive ditando modas, trejeitos e gírias. Quando um ditado sai da favela e cai na boca do povo, como no mais recente caso “Deu Onda”, isso é o que todo artista almeja. Em termos de moda, quando a TV é praticamente quem nos diz o que comer, como se vestir e etc, a favela e o Funk parecem sempre se reinventar e ditar seu próprio estilo. E as pessoas compram e consomem, fazendo com que o mercado se adeque. O Funk movimenta uma grana alta no país e são inúmeras as reportagens e matérias sobre isso. Diferente do Sertanejo, onde empresários ligados as gravadoras investem uma grana na alta em artistas. No Funk, um produtor independente, com um clipe filmado pelo celular, ou com pouca produção, estoura com seu hit e ganha o país. É aí que entra o fator social da coisa. É quando o Funk muda a vida das pessoas.

Quando eu vejo um Mc estourar nas rádios, mesmo que a música seja de uma letra vulgar, com uma batida chata e etc, eu acho foda. Sabe por que? Porque ele está contradizendo uma desigualdade social que existe no nosso país desde o descobrimento.

Um cara pobre, nascido na favela, que não tem comida, condições sociais mínimas, como saneamento básico, hospital e que muitas vezes larga a escola para trabalhar e ajudar os pais – caso do MC G15, sensação do momento no país – é uma vitória! Ele está mudando a vida da sua família, com a música, com o Funk! está movimentando o mercado, está driblando o crime. Isso é sensacional. Você pode não gostar da música, mas ver um cara desses disparar nas rádios – mesmo com o conhecido jabá das gravadoras, mesmo com a “sociedade” contra – é driblar a barreira social que é imposta no nosso país. É um ato de contracultura. É preciso respeitar isso.

Mas tudo bem, pode fazer cara feia e espernear aí, sem problema. O Funk não vai acabar por conta de textão no Facebook não. E se você acha que o Brasil “Não vai pra frente” por causa do funk, da quebra dos “padrões tradicionais” estabelecidos, lembre-se do gênero motor do Brasil: O samba! Quando ele era tocado por escravos, por negros e na favela, era coisa de marginal, vagabundo. Quando o branco tocou, virou coisa fina, da elite. Então cara, quem reclama do Funk, não está prestando atenção no que realmente atrasa este país. O Funk, é para muitos, a salvação de um artista, que tem família e contas para pagar. Respeite!

 

 

 

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2 Comentários

20 de fevereiro de 2017
O Brasil tem a putaria no seu DNA pronto, valeu ler o texto por essa frase. No mais... dava para salvar a família fazendo música sem apelar para baixaria o caminhho mais fácil quase sempre é o mais contraindicado
20 de fevereiro de 2017
Então mano, não sei se é verdade, mas soube que ele foi indicado a colocar putaria na música, pra ela vender. Ele compôs a música pra namorada dele, que está junto dele há alguns anos aí. Enfim. Será que sem a putaria ela venderia como vende hoje?
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