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Crítica – Estrelas Além do Tempo

Publicado:   fevereiro 2, 2017   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Italo Goulart

 

ESTRELAS ALÉM DO TEMPO é a história incrível de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) – brilhantes mulheres afro-americanas que trabalharam na NASA e foram os cérebros por trás de uma das maiores operações da História: o lançamento em órbita do astronauta John Glenn, uma conquista fantástica que restaurou a confiança do país, mudou a Corrida Espacial e galvanizou o mundo. O trio visionário atravessou todas as barreiras de gênero e raça para inspirar gerações para sonhar grande.

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Tratar de assuntos polêmicos, mas necessários, como racismo, machismo e qualquer outra forma de preconceito são frequentes no cinema e assim deve ser, mas fazer de forma simples e leve, como foi feito em ‘Estrelas Além do Tempo’, é algo a ser observado com mais atenção. Sem muita abertura para debates, apesar de alguns personagens insinuarem que querem conseguir seus direitos à força, o longa tenta buscar uma forma mais racional de tratar do tema e, assim, propondo também uma forma mais branda de resolução, transformando o preconceito em admiração. E isso é uma tarefa relativamente fácil, por se tratar de uma história real de três excepcionais mulheres negras que buscam seu espaço no mundo profissional.

Baseado no livro homônimo da escritora Margot Lee Shetterly, o filme nos mostra a história de três geniais mulheres que tem que se provar a toda hora, por serem mulheres e serem negras em uma sociedade racialmente segregada e machista. A história começa na década de 60, em meio aos temores da Guerra Fria, algo que foi tratado bem subjetivamente ao longo do filme, e da corrida espacial entre os EUA e URSS. Neste meio, temos Katherine Johnson (Taraji P. Henson), prodígio em matemática, que aceita seu lugar no mundo do jeito que ele é, mas que conquista as coisas com seu talento, Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) líder nata e que busca sempre melhorar suas condições, mesmo que tenha que se por em risco às vezes, e Mary Jackson (Janelle Monáe), mulher orgulhosa e que tem o talento necessário para ser uma excelente engenheira, correndo contra tudo e todos, ela vai atrás de realizar seu sonho.

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Junto a esse elenco cheio de mulheres poderosas, também temos Kevin Costner (Mente Criminosa, 2016), que faz o papel de chefe da Katherine em um departamento de cálculos e que nos entrega um personagem sério e comprometido com seu trabalho, e ele o faz bem. No mesmo cenário, encontramos Jim Parsons (The Big Bang Theory), que faz um papel parecido com o seu já marcante Sheldon e que não entrega nada demais ou memorável. Kirsten Dunst é outra que também quase passa despercebida, por fazer um papel bem secundário e que não tem muita relevância no filme. Dunst e Parsons fazem papéis onde o preconceito fica mais nítido. Eles mostram mais a realidade do pensamento comum e são o contrapeso das coisas que dão certo na vida das personagens principais. Mahershala Ali (Moonlight, 2016) marca presença em suas cenas, e demonstra cada vez mais confiança e versatilidade em seu trabalho  – dentre os personagens secundários, ele é o que mais se destaca.

O filme se desenvolve de forma espontânea, criando vários momentos alegres e engraçados, sem muitos picos de tensão. A direção e o roteiro de Theodore Melfi (Um Santo Vizinho) são limpos e claros, não tentam fazer nada de muito extraordinário. Contam uma história de forma simplista e linear, conseguindo criar um clima familiar e uma química entre as personagens principais, entregando protagonistas críveis e encantadores, mas abusa de clichês dos filmes que mostram alguma espécie de superação, mostrando assim um receio de fugir do “feijão com arroz”.

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Os figurinos e os cenários casam bem com todo o clima e estética que a época oferece, dando maior imersão e credibilidade na história, desde as roupas usadas até as cenas filmadas nas ruas, onde podemos ver cartazes da candidatura presidencial de John F. Kennedy e carros antigos. A Trilha sonora em grande parte é composta por excelentes toques de “Black Music” assinadas por Pharrell Williams e outras orquestradas pelo mestre Hans Zimmer.

O filme é divertido, trata de um tema até hoje relevante e discutido, e mostra a importância dessas mulheres não só para a NASA, mas, também, como verdadeiras guerreiras pela luta contra a segregação e a representatividade. Provavelmente, seja o mais fraco na corrida do Oscar, onde foi indicado em três categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer) e Melhor Roteiro Adaptado (Theodoro Melfi). Mas, mesmo assim, entrega um bom e cativante filme.

‘ESTRELAS ALÉM DO TEMPO’ ESTREIA AMANHÃ, 02/02, EM UM CINEMA PERTO DE VOCÊ!

Diretor: Ted Melfi

Roteiro: Alison Schroeder, Ted Melfi, Lori Lakin Hutcherson

Produtores: Donna Gigliotti, Peter Chernin, Jenno Topping, Pharrell Williams, Ted Melfi

Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kirsten Dunst, Jim Parsons, Mahershala Ali, Aldis Hodge, Glen Powell e Kevin Costner

Duração: 2h 07min

Gêneros: Drama, Biografia

Visualizacões:   34   Comentários:   1   Curtidas: 0

1 Comentário

2 de fevereiro de 2017
Confesso que li pouco da crítica, mas é pra ter toda surpresa possível possível quando assistir a esse filme. Só pela premissa ele já parece incrível.
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