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Por que você deve assistir a Sing Street.

Publicado:   janeiro 23, 2017   Categoria:Filmes e séries , Música , OpiniãoEscrito por:Jota1

Neste final de semana eu assisti ao filme Sing Street, do diretor John Carney. Lançado em dezembro do ano passado na Netflix brasileira sem fazer barulho, como se fosse aquele filme que sempre esteve lá, porem a gente não tinha percebido antes. Digo isso por que ele tem aquela atmosfera juvenil e oitentista de filme do John Hughes (Curtindo A Vida Adoidado, Clube dos Cinco) que passavam na sessão da tarde. E claro, como tais filmes, ele acerta em cheio no nosso adolescente que mora em nossos corações.

O filme começa e somos apresentados a Conor (Depois chamado de Cosmo), o garoto de bochecha rosada e olhos esperançosos vivido pelo ótimo Ferdia Walsh-Peelo. Ele é avisado pelo pai de que irá mudar de escola, devido a crise financeira que atinge Dublin, na Irlanda. Ao mudar de escola – e ter os clássicos problemas que todo pré-adolescente tem quando faz isso, como se socializar, o valentão que pega no pé, etc. –  o jovem conhece Ruphina, (Lucy Boynton) que sempre está a espera sabe-se lá do que em uma casa em frente a escola. Cosmo, totalmente extasiado pela beleza da garota, se aproxima e a convida para fazer parte do clipe da sua banda. Ela se anima, pois é aspirante a modelo, tudo certo. O problema é: Cosmo precisa montar uma banda.

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Quem já teve ou tentou ter banda sabe dos problemas que é. A sorte, no caso de Cosmo, que toca o básico do violão, foi ter encontrado Eamon – vivido pelo sensacional Mark McKenna – que, pelo fato do pai ter uma banda que toca em casamentos e afins, toca todo tipo de instrumento e topa entrar na banda, assumindo a guitarra. A química entre os dois é apaixonante. É algo a lá Lennon-McCourtney, Morissey-Marr. As cenas onde eles compõem as primeiras canções, inspiradas, claro, em Raphina, são de uma beleza e naturalidade muito bela. O diretor também é muito sincero ao mostrar a formação da banda, com instrumentos precários e os ensaios meio desajeitados, porem com uma química notável.

Porem o filme não se prende apenas na formação da banda para impressionar a garota. Cosmo tem que lidar com as brigas constantes dos seus pais, onde seu refúgio, é a música no quarto do seu irmão mais velho, Brendan, vivido pelo excelente e sensacional Jack Reynor. Acho que o personagem coadjuvante mais legal que já vi na minha vida (Não mentira, mas entra no top 5 fácil). O irmão mais velho é um guia de Cosmo. Tanto em casa quanto na formação musical. Frases que já são inesquecíveis como “Nenhuma mulher pode amar um homem que ouve Phil Collins”“os Sex Pistols sabiam tocar? Você não precisa saber tocar. Quem é você, Steely Dan? Você precisa aprender a não tocar, Conor. Esse é o truque. Isso é rock’n’roll. E isso… requer prática.” E sua explicação notável sobre a importância do vídeo clipe enquanto assistiam o Top Of The Pops. Cosmo absorve tudo isso e motiva seu crescendo na banda, na escola, na vida.

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Alem disso, a gente vai conhecendo melhor a sua musa, Raphina – é importante observar a forma como ela se torna mais acessível conforme se maquia menos e na primeira vez em que ela aparece, está alguns degraus acima de Cosmo, como uma musa inalcançável, e essa diferença vai diminuindo no decorrer do filme – que se mostra uma personagem interessante, com seus defeitos e vontades, até fraquezas. O sonho dela de ser modelo na Alemanha, do outro lado do mar, percorre o filme todo, até seu final simbólico.

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Falando da trilha sonora, meu amigo… (pausa para respirar e conter a emoção). Como o filme se baseia na Dublin dos anos 80, o new-wave e o pós punk dominam o filme. Duran Duran, The Cure, Joy Division, A-Ha são as referências claras. No entanto a música aqui é a espinha dorsal do filme, que também conta com ótimas músicas da banda que os meninos formam e dá nome ao filme. Obviamente, que é fã das músicas daquela época (Quem não é?!?) vai saborear o filme com um sabor muito mais doce. A forma como Cosmo incorpora essas músicas, graças ao irmão, é nítida, primeiramente, no seu visual – Os Blazers (?) com ombreira do A-Ha, a maquiagem do Cure e de Bowie – e na sua confiança a encarar as tretas na escola.

Sem querer dar spoiler, o irmão de Cosmo, Brendan, tem uma reação no terceiro ato do filme, que é a NOSSA reação ao saber que, Brendan já teve uma banda, garota e tudo o mais, porem ele abdica de tudo isso, mais ou menos como a gente, que se depara com as obrigatoriedades da vida e largam nossos sonhos de lado. Ao ver algo do seu velho-eu em Cosmo, é tocante a forma como Brendan encaminha o irmão para que este conquiste seus sonhos. Uma cena linda, que me fez ter a mesma reação em casa. Um sopro de luz e esperança num lugar cinza e aparentemente sem futuro.

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Este é o último parágrafo, prometo! – Enfim, assim que Sing Street terminou, eu corri para as redes sociais “gritar” que todos deveriam assistir a esse filme – contendo as lágrimas para não chorar em frente a minha esposa. Acho que consegui descrever tudo o que senti assistindo a esse filme. Desculpe os superlativos, mas fazia tempo que um filme não me tocava assim. Naquele adolescente que tinha uma banda e passava horas a fio no estúdio e colocava nas letras as mazelas da vida. Além disso, um filme para sentir saudade e sentir esperança no futuro.

Obs: O filme tem 96% de aprovação no Rotten Tomatoes. Pra quem liga pra isso.

 

 

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