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Crítica – Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood

Publicado:   janeiro 18, 2017   Categoria:Criticas , Filmes e séries , Humor , OpiniãoEscrito por:Italo Goulart

Depois de tantos filmes bem fracos e, podemos dizer, até ruins, Didi volta com tudo numa produção que fará muitos marmanjos se emocionarem, ao mesmo tempo em que faz uma bela homenagem ao consagrado quarteto, Os Trapalhões, e ao eterno Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumbo.

No longa, que tem uma mistura gostosa de musical e comédia, Didi Mocó (Renato Aragão), Dedé (Dedé Santana) e Karina (Letícia Colin) têm a difícil e importante tarefa de salvar o Circo Sumatra de uma terrível crise financeira, que se agravou após os circos serem proibidos de fazerem números de apresentações com animais, o que fez cair mais ainda seu público. Numa medida desesperada, o dono do circo Barão (Roberto Guilherme) começa a aceitar algumas propostas de gosto duvidoso do prefeito corrupto da cidade (Nelson Freitas). Com a ideia de fazer um novo espetáculo para atrair público e salvar o amado circo, Didi, Karina e Dedé terão que enfrentar também o gerente do circo Assis Satã (Marcos Frota) e sua comparsa, Tigrana (Alinne Moraes). E todo o plano de construir esse espetáculo se dá a partir de sonhos que o Didi tem com animais falantes que ajudam na construção da salvação do circo.

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Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood é uma espécie de remake/continuação/reboot da versão de 1981, que também inspira o musical de Möeller e Botelho de 2014. O original “Os Saltimbancos Trapalhões” é considerado hoje um clássico e o melhor filme do grupo pela crítica especializada. Na película de 1981, havia na trilha sonora músicas do compositor Chico Buarque de Hollanda, que levavam um tom crítico para uma época nada favorável. Essas canções ganharam aqui uma nova roupagem, uma releitura para um período diferente da História e novos espectadores, sendo, então, usadas de forma a fazer parte da narrativa, agregando-se assim ainda mais valor, não somente à dita trilha sonora, como, também, ao enredo.

Apesar de o circo estar em maus lençóis pela proibição de animais no espetáculo, no filme isso é tratado de forma positiva, mostrando que temos que nos adaptar às mudanças e não lutar contra elas – e esse é um dos grandes acertos da obra. Os animais têm ainda sua participação no longa, mas não no circo. Eles, apesar de ausentes, aparecem nos sonhos do Didi, dizendo que eles têm que se fantasiar de animais, cantar e dançar, e que, assim, os bichos ainda estarão presentes no espetáculo.

O diretor João Daniel Tikhomiroff teve um desafio e tanto, não só por “reviver” na grande tela um dos grupos que até hoje está no imaginário do povo brasileiro, mas para fazer um musical para um público que não está acostumado a tal linguagem artística.

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Nem somente de acertos o longa se desenrola. O excesso no elenco faz com que certos personagens sejam totalmente desnecessários e descartáveis. E não podemos deixar de citar a falha na escolha do título para a película, sendo que em nenhum momento eles mencionam ou tem uma ideia de ir de fato à Hollywood, a não ser por um breve sonho de Didi.

Tikhomiroff soube dosar bem o tom emotivo do longa. Sabendo que iria mexer em uma área totalmente nostálgica, ele conseguiu não abusar do saudosismo e fazer um trabalho que pode, ao mesmo tempo, agradar tanto aos novos quanto aos fãs de longa data. O filme tem várias cenas emocionantes e o final é de tirar lágrimas dos mais fervorosos fãs.

Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood serve como um resgate às origens de Didi e Dedé em suas épocas de Trapalhões e também como uma linda homenagem a eles e a todos os fãs que, com certeza, vão se deliciar com essa obra!

Os Saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood estreia dia 19 de janeiro de 2017

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