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Crítica – La La Land: Cantando Estações

Publicado:   janeiro 15, 2017   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Bruno Castro

La La Land – Após chegar em Los Angeles, Sebastian (Ryan Gosling), um pianista de jazz, se apaixona por Mia (Emma Stone), uma aspirante a atriz em Los Angeles. Em busca de seus sonhos, eles passam a encarar dificuldades no relacionamento.

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Depois de comandar o impressionante – e premiado – WHIPLASH (2014), Damien Chazelle, roteirista do referido e do intrigante suspense Rua Cloverfield, 10 (Dan Trachtenberg, 2015), em plena era de reciclagem de Hollywood, nos surpreende com a proposta de produzir um musical. Reviver lembranças boas é um sonho que todos temos, e foi isso que Chazelle tornou possível em La La Land: nos trazer de volta o melhor dos antigos musicais, mas não somente compila-los, e sim inovar, em meio a um festival de cores, na forma com que histórias no cinema são contadas. E o resultado, indubitavelmente, é uma obra-prima em roteiro, direção, trilha sonora, elenco e cinematografia.

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É perceptível o extremo cuidado com todas as partes do filme. A integração entre esses elementos que nos é mostrada em tela também é algo realmente impressionante. E o que mais expõe essa peculiaridade da obra é a sempre adjacente utilização de planos-sequência – aqueles onde você quase não percebe a transição entre cenas, pois a ideia por trás dela é justamente essa: suavizar a interposição de cenas, eliminando ou ocultando ao máximo os cortes durante elas. Esta forma ousada de se fazer cinema aqui exige muito comprometimento e sinergia entre elenco, coreógrafos, Direção de Fotografia, Direção de Arte e, por fim, da Equipe de Montagem, que é responsável por organizar todo esse material produzido e moldá-lo ao olhar de nós, espectadores.

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Os arranjos que compõem a trilha sonora se comunicam muito bem com a narrativa e as coreografias. Temos aqui o florescimento do romance, intensificado, majestosamente, pela brilhante trilha “City of Stars”, canção de Justin Hurwitz enriquecida por letras de Benj Pasek e Justin Paul, que mescla envolventes e solitárias notas de piano às lindas vozes de Ryan Gosling e Emma Stone (a voice that says I’ll be here and you’ll be allright ♪). O dueto também protagoniza admiráveis cenas de valsa e sapateado, que ornamentam pontos altos do relacionamento. Justin Hurwitz também imprime seu trabalho em todas as outras trilhas, as compondo e as orquestrando com maestria, ao lado das competentes equipes de Mixagem de Som e Edição de Som do longa. Como ferramenta de roteiro, a trilha, certas vezes, acelera e resume a história, em outras, a torna lenta e saborosa, consolidando o romance e levando o espectador a se envolver ainda mais ao casal.

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O peso da atuação recai sobre os protagonistas sem nenhuma discrição. A iluminação indica a cada um quando é sua hora de brilhar. As luzes se apagam, e somente um deles deve reluzir. É aí onde Stone e Gosling dão um show e mostram para o que vieram. A luz é, também, ferramenta de transição entre cenas, de contraste entre ambientes e linguagem de emoção.

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O Design de Produção de David Wasco não deixa a desejar em momento algum. O Figurino de Mary Zophres é marcado por cores primárias, que, quando em contraste com a Decoração de Set de Sandy Reynolds-Wasco, oferecem destaque à movimentação dos personagens e à coreografia, além de compor belíssimos quadros na película. Porém, a decoração nem sempre obedece a esse contraste. Há, também – felizmente – grandes momentos onde o ambiente se torna destaque, com cores vibrantes e composições tão impactantes quanto. Tudo isso se torna ainda mais apreciável com a Direção de Fotografia de Linus Sandgren, tecelada por planos conjuntos, quando o musical necessita mostrar um grupo de dançarinos, que se tornam planos abertos por meio dos já citados planos-sequência, que, a todo momento, permitem essa elasticidade entre planos. A transição de cenas é feita por giros de câmera em 360º que vão do centro de uma piscina ao céu. Quando aliada à trilha sonora, a cinematografia tem o poder de acelerar a narrativa, provocando a passagem do tempo e criando uma nova linha narrativa sobre ele.

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La La Land envolve, emociona, diverte e nos faz refletir sobre nossas escolhas e nossa inflexibilidade em relação aos nossos sonhos e amores. Quando se trata de aspectos técnicos, conta isso de forma magistral, onde a linha entre narrativa e visual, do início ao fim, os entrelaça, e nunca mais se separa.

La La Land estreia dia 12 de Janeiro nas capitais e 19 de Janeiro nos cinemas de todo o território nacional.

Confira o trailer!

E vocês? O que esperam de La La Land? Já assistiram? Vão assistir?

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Visualizacões:   59   Comentários:   2   Curtidas: 0

2 Comentários

17 de janeiro de 2017
Olha nosso grande concorrente ao Oscar! O filme é uma obra prima de fato, gostaria que ele levasse melhor filme esse ano, mas são tantos bons filmes que rolaram em 2016 e nesse inicio de 2017 que é quase injusto torcer pra um só.
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