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Crítica – Capitão Fantástico

Publicado:   dezembro 20, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Bruno Castro

Captain Fantastic Um casal decide viver e criar seus filhos longe de influências e costumes triviais do resto do mundo, até que um acontecimento com um dos membros da família força todos a abandonarem as florestas do Pacífico Norte e retornarem à vida urbana. Ben, o pai de três crianças e três adolescentes muito peculiares, e o principal responsável por educá-los intelectual e fisicamente, tem sua figura de pai desafiada por esta viagem, carregada por um drama envolvente e uma comédia sagaz.

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O longa foi escrito e dirigido por Matt Ross, que tem em seu currículo trabalhos como ator em American Horror Story, Silicon Valley e The Aviator (O Aviador), do talentoso Martin Scorcese, e como diretor em 28 Hotel Rooms – que não foi bem-sucedido e sequer chegou a ser exibido aqui no Brasil.

A trama provoca uma reflexão sobre temas como divergência cultural, quebra de tradição, fraternidade, lealdade, aceitação das diferenças e insubordinação ao sistema. Tudo isso é muito bem amarrado aos diálogos e ações de cada personagem – principalmente dos membros da família Cash, que são construídos com muitíssima profundidade, sendo perceptíveis nuances de seus familiares em cada um deles.

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O cuidado com os personagens e a forma com que eles seriam interpretados foi um dos maiores focos de Ross, que tinha como desafio criar uma família de “selvagens” que fosse coesa e que se encaixasse naquela cultura já imaginada por ele. O personagem Ben foi modificado várias vezes, para que ele não parecesse tão despojado e o drama pudesse ser melhor explorado. A inspiração veio de seu olhar mais realista e do olhar mais positivista de sua esposa perante o mundo, que contrastavam quando eles discutiam sobre relações entre pais e filhos. Isto o levou a questionar sobre a forma com que as crianças são criadas hoje, em meio à era da informação, com seus benefícios e malefícios, e fez surgir a seguinte indagação: “e se um pai tivesse condições de acompanhar o crescimento dos filhos bem de perto, podendo corrigir e moldar certos hábitos, e filtrá-los das trivialidades da sociedade? ”.

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O elenco escolhido por Jeanne McCarthy é repleto de atores e atrizes muito talentosos e cativantes. Destaque para os filhos Cash: Bodevan (George Mackay), Kielyr (Samantha Isler), Vespyr (Annalise Basso), Rellian (Nicholas Hamilton), Zaja (Shree Crooks) e Nai (Charlie Shotwell). Viggo Mortensen, que dá vida a Ben, o Capitão Fantástico, também apresenta um trabalho memorável, que acabou lhe rendendo uma indicação a Melhor Ator em Drama no Globo de Ouro 2017®. Seu papel exigia alguém que devesse transmitir firmeza e insegurança, que fosse o herói e, em alguns momentos, aparentasse ser um vilão – que pudesse trazer alguém mais real às telas –, e Mortensen conseguiu ser ambos, em consonância às necessidades do roteiro. O empenho das crianças e de Viggo permitiu com que a ligação entre os Cash se tornasse algo tão grande que Mortensen durante as gravações até passou a ser chamado de “summer dad” (pai de verão) por elas.

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O Diretor de Arte Erick Donaldson e as Decoradoras de Set Tania Kupczak e Susan Magestro foram os responsáveis por adequar a atmosfera vivida pelos personagens aos ambientes em que eles interagem – em destaque o ônibus escolar dos Cash, repleto de livros, com um ar desorganizado, porém plenamente vívido e marcante, sendo quase um personagem, feito especialmente para aquela família. Temos também o cenário clássico de casa de família americana, construído para representar o lar de Harper (Kathryn Hahn) e Dave (Steve Zahn), e da mansão extremamente luxuosa dos pais de Leslie Cash (Trin Miller).

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A trilha sonora, no geral, acompanha as cenas de forma bem suave, sem se descolar do que está sendo mostrado, mas é protagonista de cenas muito admiráveis e comoventes, capazes de trazer mensagens muito bonitas sobre os personagens – principalmente em um determinado ponto do filme que prefiro não comentar mais nada sobre para não comprometer a sua experiência.

Há uma pequena lacuna no terceiro ato, que pode incomodar um pouco aqueles que gostam de que tudo no filme seja resolvido – mas é algo bem pequeno mesmo e que aparenta ter sido deixado de lado para acelerar a apresentação da mensagem final.

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Captain Fantastic é uma obra bem-humorada, reflexiva, com uma carga relevante de críticas ao modo de vida do século XXI e à forma com que as diferenças são tratadas pela sociedade atual. Trata sobre união familiar e equilíbrio entre ideais e relações da vida em sociedade.

Capitão Fantástico estreia dia 22 de Dezembro nos cinemas de todo o território nacional.

Trailer:
(Se não quiser descobrir o acontecimento levou a família a sair de casa, não assista!)


Visualizacões:   313   Comentários:   3   Curtidas: 0

3 Comentários

22 de dezembro de 2016
Muito bom pequeno Padawan, é a melhor que escreveu até agora. Não sei pq ainda não assisti esse filme, mas já sei que o Viggo está espetacular.
22 de dezembro de 2016
Valeu, mano!!! É ótimo saber que houve uma melhora! Pretendo melhorar ainda mais daqui pra frente!
30 de Janeiro de 2017
That's an iningeous way of thinking about it.
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