Papo Torto
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#SextaTorta – Cuidado com o que falas! Por menos ódio nas redes sociais (e na vida!)

Publicado:   dezembro 9, 2016   Categoria:#SextaTorta , Filmes e séries , Internet , OpiniãoEscrito por:Jota1

Desculpa mas ainda estou na vibe das reflexões de final de ano, como comentei na sexta passada. Principalmente no quesito de ser mais tolerante com as pessoas e buscar uma paz nesses tempos obscuros e de ódio nas redes sociais. Já desinstalei o Facebook do celular e no Twitter, procuro me ater um pouco de assuntos polêmicos. Eles se viram bem sem a minha opinião.

Não vou dizer que foi totalmente um “efeito Black Mirror”, visto que eu já tinha tomado esse pensamento antes de assistir à série. No entanto, após assisti-la, só fiquei mais confiante de que essa exposição na redes sociais é muito danosa e pode ter efeitos arrasadores. A série, principalmente na terceira temporada, deixa isso bem claro. A seu modo, mostrando um futuro quase presente, nos indicamos como seria (ou será) a relação humana com esse ódio crescente.

Tendo isso em mente, faz muito sentido que o último episódio da série seja “Odiados Pela Nação”. Onde crimes são cometidos aparentemente com relação à uma hashtag numa rede social similar ao Twitter. Sem dar spoilers, o episódio começa com uma jornalista que sofre ataques após um comentário controverso. Os usuários dessa rede social comentam usando a hastag #DeathTo (#MorteA, literalmente) e essa jornalista é encontrada morta, em casa. Logo após, um cantor de Rap que humilha uma criança num programa de TV, também morre, após ser execrado nesta rede social seguido da hashtag #DeathTo. Ambos os casos não tem suspeita, até que uma detetive novata começa a suspeitar dessa coisa de hashtag de ódio.

É claro que por ser uma trama de ficção e simular um “possível” futuro, o episódio tem ares hollywoodianos, mas o mais brilhante é a forma como ele nos coloca pra pensar sobre esse ódio gratuito que é depositado nas redes sociais. No episódio, durante as investigações sobre a morte da jornalista, a detetive fala com uma professora que havia usado a hashtag #DeathTo com o nome da jornalista, dizendo que ela deveria morrer por ter dito tal comentário. A detetive questiona se a professora desejou  a morte da jornalista, e ela responde: “Não! Jamais… Isso foi só uma hashtag.. Uma brincadeira de internet.”.

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Muitas vezes, por trás desses discursos maldosos, há uma pessoa com carência de atenção – ou ódio mesmo – que usa a “liberdade” da internet de muleta para expor sua falta de atenção. E o pior, fazem isso descontando em outras pessoas.

É exatamente assim que as pessoas, hoje em dia justificam suas atrocidade ditas na internet: “Foi só brincadeira”. Aproveitam-se do (controverso) anonimato e encondem seus rostos – as vezes até não – para espalharem o ódio nas redes sociais. Seja na forma de racismo, homofobia, xenofobia. Todo tipo de preconceito é pouco para essas pessoas. Já vi casos de uma espécie de corrente contra determinada pessoa, onde muitos usuários vão no Facebook e/ou Twitter deprecia-la, xinga-la e etc. Como nessas redes a pessoa tem fotos e quase toda uma vida exposta ali, vira alvo fácil para os perseguidores, fato que a série coloca perfeitamente no S3EP03 “Shut Up And Dance”: “Já pensou se eles colocam esse seu vídeo na internet? Seus amigos, sua família, todos vendo você se masturbar na internet? Isso acaba com a sua vida, iram compartilhar o vídeo várias vezes, isso não terá fim!”O texto é basicamente esse. Pegam um vacilo seu, uma frase mal interpretada, uma foto sequer e fazem o inferno na internet. Isso, claro, traz efeitos na sua vida real também.

Algumas pessoas acham que tudo isso não tem relevância, pois se trata de “brincadeira de internet. Mas você parou para refletir que o discurso de ódio ajudou a eleger o presidente dos Estados Unidos?!!!

As maiores redes sociais de hoje já tem ciência disso e, na Europa houve um regulamento que determina que Facebook, Twitter, Microsoft e YouTube revejam a maioria dos conteúdos online, caracterizados como ofensivos, a partir da notificação. Na prática, não dá pra saber se de fato isso irá funcionar, mas já é um avanço contra o discurso de ódio que é praticado nestas redes.

Enfim, toda essa reflexão me faz pensar duas vezes antes de comentar algo numa rede social. As vezes falamos e postamos coisas sem pensar e acabamos falando besteira. Pensar antes de falar ainda é a melhor receita. Se uma pessoa te ataca no Facebook ou no Twitter, ataca-la de volta só vai criar um efeito bola de neve e isso criará um círculo vicioso e odioso que não beneficiará ninguém. Avatares fakes criados para espalhar o caos, pessoas que divulgam fontes ambíguas e duvidosas, procure manter-se longe dessas pessoas!

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E retifico: Assista Black Mirror!! É a melhor série do ano e espero ansiosamente a quarta temporada. Já tenho Charlie Brooker como um roteirista a ficar de olho e o puxão de orelha que a série nos dá é super necessário. Que nós saibamos aproveitar a tecnologia, mas sem deixar de ser humanos.

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