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Crítica #2 – A Chegada

Publicado:   novembro 28, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Italo Goulart

Baseado no livro “Story of Your Life”, de Ted Chiang, o novo filme do diretor canadense Denis Villeneuve explora várias temáticas comportamentais e científicas, e isso tudo em menos de duas horas, em um filme surpreendente e nada cansativo.

Ultimamente temos o prazer de ver vários filmes entre bons e excelentes sobre viagens espaciais e afins, como “Gravidade” (2013), “Interestelar” (2014) e “Perdido em Marte” (2015). Claro que uma hora ia chegar um filme para nos lembrar de invasões alienígenas (não contarei com “Independece Day: O Ressurgimento”, OK?). A Chegada (Arrival) chegou para matar essa vontade e ser um filme candidato imediato a clássico do gênero.

No longa, após 12 misteriosas naves extraterrestres “pousarem” em nações estratégicas em nível mundial, o governo norte-americano se mobiliza para descobrir o que é, de onde vem e o mais importante, o que eles querem.

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Depois de algumas tentativas nada producentes de contato, o governo decide pedir ajuda para dois especialistas, Louise Banks (Amy Adams) uma linguista que já tinha ajudado o governo americano antes numa missão e o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner).

A personagem central, Louise Banks, é uma professora universitária de comunicação e linguística e especialista no assunto, uma mulher solitária com uma história inicialmente triste e confusa. Ela é a mais capacitada a tentar entender e se comunicar com os ETs e por isso, o Coronel Weber (Forest Whitaker) tenta convencê-la a ir ajudar e “salvar” o planeta Terra.

A premissa pode parecer simples, mas aí entra a genialidade do roteiro de Eric Heisserer e a direção de Denis Villeneuve, fazendo um filme envolvente e o que poderia parecer clichê se tornar numa obra-prima incrível.

A Chegada, como de costume no gênero, não tem longos e cansativos diálogos sobre teorias cientificas. Eles são precisos e comedidos, onde somente o necessário é falado e mostrado. Isso explica a “curta” duração do filme.

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O tempo e a forma como o vemos e concebemos é um tema corrente, mas não o principal. Com simbologias simples e interessantes, o filme nos mostra o que ele quer dizer sobre o tempo, isso fica claro na forma os ETs escrevem, em forma de Ouroboros, símbolo que representa a eternidade.

Durante todo o longa, a ideia de tempo não-linear  não só é mostrada como praticamente jogada na cara do espectador, isso com o único propósito de confundir e se explicar num final excelente onde tudo já se conecta.

Conforme a trama se desenrola, da metade da película para o final, nos damos conta que A Chegada não é necessariamente sobre o alienígenas, e sim sobre nós humanos. Aspectos inerentes ao ser humano são abordados de uma maneira bem sutil. Nossa comunicação, o comportamento de nossa sociedade e nossa convivência como um todo e que nossa existência depende totalmente disso.

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Ao contrário da maioria dos filmes que tem uma espécie de invasão, aqui não temos os característicos personagens machões e imparáveis, e sim a fragilidade humana de forma crua. Podemos sentir a ansiedade, o medo e a apreensão de cada personagem. Quem mais se sobressai é Amy Adams, que dá um show. Jeremy Renner faz o papel de cientista, mas sem cair naqueles velhos clichês: ou ser o cara que sabe tudo, antissocial e não faz nada, ou ser o cara medroso que sabe tudo, mas não consegue ajudar. Ele é só um especialista de sua área que está para ajudar o máximo possível. Forest Whitaker faz um militar que fica entre a arrogância e a compreensão, mas que também mostra sua humanidade com uma preocupação constante com os dois especialistas que recrutou e o medo do que pode acontecer. Todos os personagens são bem humanos e isso é muito bem explorado.

A trilha sonora composta por Jóhann Jóhannsson é sempre certeira. Às vezes ensurdecedora e angustiante, principalmente quando visitamos o interior da nave nas primeiras vezes, a imersão é assustadora e maravilhosa, assim como todo o longa.

A Chegada vem para fechar o ano de forma grandiosa, com um história envolvente, empolgante e um ritmo de suspense de tirar o folego.

O filme de data de estreia prevista para 09/02/17.

 

Confira também nossa outra crítica desse filmaço:
Crítica#1: A Chegada

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