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Crítica – Pequeno segredo

Publicado:   novembro 7, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Bruno Castro

Três histórias conectadas por um único segredo, abrangendo a primeira família brasileira a dar a volta ao mundo a bordo de um veleiro. Conhecidos por seus cruzamentos marítimos, os Schurmann guardaram por um longo tempo, a comovente história da adoção de Kat, falecida em 2006.

Pequeno segredo, dirigido por David Schürmann, é visualmente interessante, tem boas intenções e é repleto de reflexões sobre temas sociais, porém é dono de um roteiro superficial, repleto de clichês. É um drama mal aproveitado, cheio de lacunas, que pode tornar até os pontos mais altos do enredo simplesmente irrelevantes. Mesmo sendo baseado em fatos reais e tendo uma história a princípio interessante, insiste em cortar bruscamente pontos altos de drama que poderiam ter sido muito bem aproveitados. A linha temporal também é confusa. Há uma mistura de passado com presente, que não surpreendem quando chegam ao encontro.

Quanto aos personagens, o campo é muito restrito, deixando completamente de lado alguns que aparentam ter potencial de apresentarem um trabalho interessante, como o Villfredo Schürmann de Marcello Antony. Mas este não é o problema. O problema é a trama ser centrada nesses personagens e eles serem mal aproveitados, mal construídos e desinteressantes. As personagens mirins são responsáveis por tratar de assuntos como bullying, primeiro amor, empoderamento e outros clichês que você provavelmente já viu na maioria das novelas brasileiras. Mariana Goulart, que interpreta Kat, filha de Heloísa Schürmann (Júlia Lemmertz), é inconstante e acaba sendo prejudicada por diálogos pífios do tipo: “Tive uma ideia!”.

Há presença de atores estrangeiros no elenco, como Errol Shand e Fionnula Flanagan. O primeiro representa Robert e encena um romance com Jeanne (Maria Flor). Fionnula é responsável por Bárbara, mãe de Robert e dona dos piores adjetivos de sogra que você também já viu em algum lugar, com uma pitada de xenofobia. A brasileira Júlia Lemmertz é a que mais se destaca, atuando solidamente em inglês e português.

A fotografia é o ponto forte do filme. É composta por belos quadros, protagonizados por paisagens brasileiras e neozelandesas estonteantes. Algumas movimentações de câmera também são bem trabalhadas, aproveitando bem diversos cenários e tornando interessantes diversos deles. Nada revolucionário, mas apresenta bem o que lhe é proposto e, em alguns casos, até vai além. A trilha sonora de Antônio Pinto se encaixa bem ao enredo, sendo marcante nas cenas aquáticas.

Cheio de altos e baixos, estes últimos sendo talvez mais frequentes, Pequeno Segredo é um filme visualmente agradável, mas construído sobre um roteiro que deixa muito a desejar.

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