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Crítica – A Garota no Trem

Publicado:   outubro 26, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , HQ´s e Livros , OpiniãoEscrito por:Bruno Castro

Com possíveis spoilers da trama! 

Diretor do sucesso “Histórias Cruzadas” (The Help), Tattoly John Taylor, ou simplesmente “Tate Taylor”, desta vez decide apostar no best-seller literário A Garota no Trem, escrito por Paula Hawkings. O enredo tem seu início em Rachel e seu conturbado estado emocional, transmitido com primazia pela roteirista Erin Cressida Wilson e motivado por uma traição de seu ex-cônjuge, Scott, aparentemente transtornado por suas “loucuras” e por seu vício em álcool. A partir daí, Rachel passa a apoiar suas emoções nos casais residentes próximos à linha de trem que a leva ao local onde trabalha. Com o tempo, um casal passa a lhe chamar muito a atenção. Este é o casal Scott e Megan, o casal perfeito aos seus olhos e as escadas que levam o espectador a um palco completamente diferente do idealizado por ela.

A trama envolve as personagens em dois núcleos. O primeiro é construído por Tom (Justin Theroux) e Anna (Rebeca Ferguson), casal fruto de uma traição de Tom, que afeta profundamente sua ex-esposa, Rachel Watson, interpretada por Emily Blunt. É a partir desta traição que a história se desenvolve, e a partir daí Rachel finalmente se torna A Garota no Trem. O segundo núcleo, apoiado no pilar de seu anterior, se baseia na história do casal Scott e Megan (Luke Evans e Haley Bennett, respectivamente), que é alimentada por uma compulsividade adquirida por Rachel após o fim de seu relacionamento: a de observar, todos os dias, durante uma longa viagem de trem de Ashbury à Londres, o dia-a-dia do casal, que reside em uma propriedade próxima o suficiente para que Rachel possa idealizar de dentro do trem o relacionamento mais perfeito que ela poderia imaginar e reproduzir em seus envolventes desenhos, que, por sua vez, acompanham fielmente seus pensamentos, seu estado emocional e o desenvolvimento do suspense ao longo do filme.

Em meio a tantas características que indicam a obra se tratar de mais um clichê teen, “A Garota no Trem” parece a cada minuto se distanciar deste pensamento, o que consegue tornar a história cada vez mais envolvente. Em um espaço de tempo talvez mais extenso do que o ideal, pode-se entender o propósito de cada personagem para a construção do suspense, motivado pelo repentino desaparecimento de Megan, logo após Rachel, em uma de suas viagens, presenciá-la numa cena de traição com um desconhecido na varanda de sua casa. A visão de mundo formada pela protagonista, Rachel, torna o espectador ainda mais propício a se surpreender, uma vez que a confusão de seus pensamentos sobre tudo ao seu redor, causada por seu vício em bebidas alcoólicas, pode leva-lo a acreditar que as inseguras afirmações feitas por ela sobre o desaparecimento sejam algo concreto, o que abre espaço para grandes reviravoltas.

trem

Lapsos de memória de Rachel, promovidos por sua exacerbada dependência química, escondem algo importante sobre o desaparecimento de Megan e norteiam a evolução do suspense. Além disso, é oportuno enfatizar também as cerejas do bolo, que são as cenas quentes protagonizadas por Megan, e aqui deve-se reconhecer a importante atuação da atriz Haley Bennet, que conduz com extrema competência estas cenas e aquelas onde o drama é mais propício, como nas suas consultas com o Dr. Kamal Abdic (Édgar Ramirez), personagem que com o tempo também evolui em importância para o suspense.

A Garota no Trem cria tensão, tem uma carga relevante de drama, um suspense que instiga a curiosidade ao seu mistério e choca em diversas situações que prefiro deixar para vocês mesmos descobrirem e apreciarem durante o filme.

CURIOSIDADE: O fato da personagem Rachel no filme ser estéril e da atriz que a interpreta, Emily Blunt, se descobrir grávida durante as gravações é no mínimo cômico (mas nada que a galera do figurino não tenha dado conta de esconder). Por fim, quero agradecer à equipe Papo Torto pelo convite e espero produzir grandes conteúdos a todos vocês

Visualizacões:   125   Comentários:   2   Curtidas: 0

2 Comentários

27 de outubro de 2016
Engraçado como esse tipo de filme não cria nenhuma expectativa, não mostra nada demais no trailer e aparece sem fazer alvoroço nenhum, mas mesmo assim entrega uma trama bem interessante e envolvente. Assistirei
27 de outubro de 2016
Engraçado que o livro também não é muito popular no meu círculo de amigos, embora eu veja muitos elogios a ele em alguns grupos do FB que participo. Pretendo começar a leitura em breve!
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