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Crítica – A Luz Entre Oceanos

Publicado:   outubro 23, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , HQ´s e Livros , OpiniãoEscrito por:Rômulo Costa

Tom Sherbourne (Michael Fassbender) é um veterano que passou quatro anos na chamada Primeira Guerra Mundial. A experiência o deixa traumatizado e entorpecido (possivelmente o que hoje chamariam de “post-traumatic stress disorder”), e isto o leva a procurar um emprego como faroleiro: passaria vários meses (ou anos) sozinho em uma ilha, responsável por sinalizar para navios. No entanto, no seu caminho surge Isabel (Alicia Vikander), com quem inicia um romance e acaba se casando. Depois de tentativas frustradas de o casal conceber um filho, aparece na ilha um barco com um homem morto e uma criança chorando.

            Durante a primeira parte do filme é fácil concluir estarmos diante de mais um melodrama, tradicional e clichê: os amantes ideiais, a paixão fulminante, pura e intensa, que parece anunciar um “e foram felizes para sempre”. Mas não é isso que acontece, pelo menos não inteiramente. As mais de duas horas de duração dão espaço para que o drama se desenvolva sem pressa, o romance inicial é apenas o prelúdio. Um divisor importante é o momento em que Isabel engravida pela primeira vez, pois ao mesmo tempo em que o clima de romance perfeito decai um pouco, é quando ocorre a o primeiro aborto — primeiro evento trágico da obra.

            A escolha de como lidar e o que fazer com o bebê que chega à ilha é a decisão que dará forma a toda a fase posterior do enredo: o resto do filme todo são as consequências da decisão tomada naquele momento. Essas consequências fazem surgir temas complexos como culpa e perdão, crime e castigo, verdade e mentira, e, sobretudo, o que significa de fato ser mãe ou pai.

THE LIGHT BETWEEN OCEANS

            O diretor Derek Cianfrance já foi elogiado por confiar nos atores e obter deles grandes performances. Esse aspecto, neste filme em particular, possivelmente pode ser ressaltado pelo fato de ter sido ele quem adaptou o roteiro. Quando quem imaginou a história em sua forma escrita conduz o trabalho dos atores, o resultado provavelmente é mais correspondente às expectativas dos realizadores do filme.

            Apesar da evolução considerável da história ao longo das horas, das paisagens magníficas e das excelentes atuações de Fassbender e Vikander, o filme ainda deixa certo gosto de melodrama na boca. É mais um caso de filme que tem muitos elementos para ser um filme ruim, mas os pontos positivos abundantes servem de contrabalanço e justificam pagar para ver. É um bom filme e deixa o espectador emocionalmente envolvido.

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