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Crítica – Shaolin do Sertão

Publicado:   outubro 19, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Italo Goulart

Depois que Halder Gomes fez o cinema de comédia respirar com o engraçadíssimo “Cine Holliúdy”, era de se esperar que ficássemos um tempo esperando outra comédia que fugisse do padrão Globo de qualidade. Bom, chegou a hora.

Com Shaolin do Sertão, mais uma vez poderemos entrar nesse “multiverso” cearense composto por Edmílson Filho e Halder Gomes.

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O filme dá aquela sensação que toda criança sente ao assistir a um filme de luta e querer bater em todos os coleguinhas e ser o melhor em tudo. No longa ele trata disso com a dura realidade da vida, onde a gente não é lá grande coisa e só seriamos zoados caso quiséssemos ficar vestidos de ninja ou samurai o dia todo, depois de adultos.

No elenco temos Edmílson Filho como Aluízio Li, o atleta Fábio Goulart como Toni Tora Pleura, a linda Bruna Hamú estreando nas telas do cinema como Anésia Shirley e as participações de Dedé Santana, Marcos Veras, Igor Jansen, Falcão e Frank Menezes.

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No longa, Aluísio Liduíno ou Aluísio Li, é um padeiro aficionado por artes marciais e se acha o monge Shaolin. Vive cercado por um mundo que ele mesmo criou, cheio de referências as artes marciais e por isso é motivo de piadas em sua cidade Quixadá.

Aluísio é apaixonado pela Anésia Shirley(Bruna Hamú) filha do padeiro Seu Zé(Dedé Santana) e vive entrando em conflito com o namorado dela Armadinho(Marcos Veras) um playboy que vive infernando o pobre Aluísio.

Apesar dos pesares Aluísio vive uma vida tranquila, mas nada satisfatória, ele sente que foi criado com um propósito maior que ainda não descobriu qual é, até que fica sabendo que o aposentado campeão de luta livre, Toni Tora Pleura está fazendo um tour de desafios nas cidades do interior do Ceará e que vai passar em Quixadá. Nisso ele vê sua oportunidade de mostrar seu valor e mostrar que ele é o Shaolin escolhido para salvar sua cidade do vexame de não ter ninguém com coragem pra desafiar o Toni Tora Pleura.

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Dona Zefa(Fafy Siqueira) a mãe de Aluísio só quer saber quando ele vai arrumar uma mulher e dar netos pra ela, fala pra ele largar essas coisas de “japonês” que não vão levar a lugar nenhum, mas como toda mãe, sempre acaba apoiando o filho.

Só que pra mostrar todo esse valor que julga ter, Aluísio vai ter que procurar um mestre para ensiná-lo na arte shaolin, até que seu fiel amigo Piolho(Igor Jansen) diz que seu primo Jesus(Haroldo Guimarães) conhece um chinês que pode ajudar.

Depois de uma longa caminhada pelo sertão nordestino pra encontrar o seu possível mestre, Aluísio encontra o Chinês(Falcão) que depois de muita insistência e uma quantia generosa de dinheiro resolve treinar Aluísio Li.

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Halder Gomes já tinha mostrado em seus filmes anteriores sua paixão pelo cinema de artes marciais, como em Cine Holliúdy(2013) e No Calor da Terra do Sol(2004). Nascido em Fortaleza, Halder a cada filme que faz tenta mostrar mais sobre a cultura local do Ceará e as características do povo cearense. Isso fica bem claro na verborragia e o uso de termos diretos e referentes ao “cearensês”, como ele mesmo o chama. Em Shaolin do Sertão ele demonstra uma certa maturidade na sua capacidade de direção, sendo mais seguro e inventivo que antes.

Começou sua carreira como dublê de cinema de ação, o que já mostrava seu amor pelo gênero e é mestre de Taekwondo.

Edmílson Filho e Fábio Goulart também são atletas de Taekwondo, Goulart foi o primeiro atleta brasileiro a ganhar uma medalha de ouro numa competição oficial em 1990.

O roteiro se perde no segundo ato, ficando bem arrastado e maçante, mas próximo do fim cria um ritmo frenético.

As atuações não são muito espetaculares, mas conseguem convencer e se encaixar bem ao que o filme propõe.

O filme é uma clara homenagem aos filmes que se popularizaram nos anos 60 e 70, do chamado “Western Soja” ou “Wuxia”, gênero cinematográfico onde se encaixam os filmes de kung fu.

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Seguindo uma evolução das ideias mostradas no Cine Holliúdy, como a chegada do cinema de interior nos anos 70 e em Shaolin do Sertão ele mostra a mudança para o videocassete no início dos anos 80 e como os filmes continuam sendo uma coisa frequente na vida de todos

Cheio de piadas visuais, uso livre de esteriótipos e cheio de sacadas espetaculares Shaolin do Sertão não só é um dos filmes mais engraçados do ano, sem precisar sexualizar ou usar de palavras de baixo calão pra isso, como faz uma homenagem de peso para os filmes de Kung Fu e para a cultura nordestina, exemplo disso é uma cena onde Aluísio mistura os movimentos de luta com o típico forró.

O filme estreia dia 20 de outubro de 2016.

Visualizacões:   158   Comentários:   2   Curtidas: 0

2 Comentários

19 de outubro de 2016
Que delícia de crítica! Noticiei o trailer aqui no site assim que ele saiu e fiquei doido pra assistir a essa pérola.
19 de outubro de 2016
É excelente. Adorei!
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