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Crítica – O Contador

Publicado:   outubro 17, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Rômulo Costa

            Há poucas coisas que não ficam mais atraentes quando colocadas em uma produção cinematográfica milionária e feita com alguma qualidade. Se contabilidade é disciplina que parece chata ou desinteressante para alguns, quando Ben Affleck interpreta um contador genial com autismo, o assunto pode ficar fascinante. Aliás, o filme dá a impressão que “genialidade” e autismo se relacionam de alguma forma — o que talvez não seja um consenso científico, mas funciona como recurso quando a intenção é transformar o personagem em uma espécie de herói.

            Christian Wolff (o personagem de Affleck) é um contator que tem um pequeno escritório de contabilidade em uma cidadezinha. Mas se trata de uma empresa de fachada, em realidade ele trabalha fazendo perícias contábeis para grandes organizações criminosas internacionais. J.K Simmons interpreta um agente do Tesouro americano que o quer encontrar a todo custo. O roteirista, Bill Dubuque, trabalhou previamente em filmes também investigativos (“The judge” talvez sendo o mais famoso deles, com Robert Downey Jr.).

            Dentro do filme, quase podemos enxergar três pequenos filmes sobrepostos (ou três storylines): um drama familiar, uma história de ação e uma comédia. Nesta última dimensão, vale ressaltar que se trata de mais que mero alívio cômico, há de fato intenção de produzir humor como componente da narrativa em várias cenas. No que toca ação, não traz novidades e poderia ser considerado um “filme padrão” do gênero se o filme fosse apenas isso. Existem relativamente poucos trabalhos no cinema que mostram autistas (ou pessoas em condições análogas) como “sujeitos” e não como personagens sem personalidade e sem autonomia, e esse é um diferencial importante — principalmente porque feito com cuidado.

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            A relação do personagem Christian Wolff com o pai e o irmão, em flashbacks constantes, são uma espécie de conto sobre “a origem do herói” em que se demonstra como um pai militar, condicionado a lutar, transmite suas habilidades marciais e resistência aos filhos. Esse fato está em sintonia com as ambições do diretor de construir algo fundado na realidade, sem partir para a história de “superherói”.

            O excesso de plot twists pode incomodar alguns, mas a atuação convincente de Affleck e as soluções para o desenlace das histórias tornam os exageros menos relevantes. O diretor, Gavin O’Connor, provavelmente se sentiu confortável em dirigir essa obra, uma vez que em seu filme imediatamente anterior (“Jane Got a Gun”) há tanta ação quanto neste.

            “O contador” é um filme padrão em muitos aspectos e repleto de clichês, o que justificaria uma avaliação como mediano ou ruim, mas as novidades trazidas no enredo e a atuação equilibrada e balanceada dos atores (Ben Affleck e J. K. Simmons, principalmente) elevam a qualidade do filme. É um filme que agrada e consegue prender a atenção do espectador até o fim, sem tédio. Ademais, as histórias que se entrelaçam fazem quem assiste querer saber o desfecho de pelo menos algumas delas.

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1 Comentário

17 de outubro de 2016
Ganhou minha atenção.
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