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Critica – Kóblic

Publicado:   outubro 12, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Italo Goulart

Talvez esse tenha sido o primeiro filme argentino que eu assisti, “El Secreto de Sus Ojos” está naquela lista interminável de filmes para ver, que nunca diminui, mas aumenta cada vez mais.

Apesar de nunca ter assistido a um filme com o Ricardo Darín, sua fama o precede, e já sabia que no mínimo ele era bom, fato que ele não só mostrou como superou em Kóblic, mesmo sabendo também que nem de longe foi sua melhor atuação.

Confesso que antes eu tinha até um certo preconceito com os filmes argentinos sem nem mesmo tê-los assistido, mas talvez seja reflexo da rivalidade no futebol ou até recalque por eles terem um Papa e um Oscar e a gente ainda não. Confesso também, que isso tudo mudou nesses últimos dias, pois os “hermanos”, sem esforço algum aparentemente, fazem filmes fáceis de se apegar.

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Com um elenco composto pelo supracitado Ricardo Darín(Truman,2015), Oscar Martínez(Relatos Selvagens,2014) e Inma Cuesta(Julieta,2016) no contexto central, a história se desenvolve de forma primorosa.

O filme se passa em uma pequena cidade do interior da Argentina, Colonia Elena e o ano é 1977, durante a ditadura militar argentina.

No longa, acompanhamos a história de Tomás Kóblic(Ricardo Darín), um oficial da Marinha que por algum motivo tem que se esconder em uma cidade interiorana. Ele recorre á um amigo fazendeiro para lhe ajudar, e vira piloto de avião pulverizador de pesticida. Numa cidade pequena é fato que a noticia corre rápido e cada desconhecido é suspeito, e o delegado Velarde(Oscar Martinez) ficará de olho nesse forasteiro.

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Velarde é um policial corrupto que comanda toda a cidade, a base da força e do medo, consegue fazer com que todos o mantenha informado sobre tudo que acontece.

Nancy(Inma Cuesta) é dona de um posto de gasolina e de uma loja de conveniências junto com seu marido. Ela vive um casamento abusivo e infeliz, mas não tem pra onde correr e nem pra quem pedir ajuda, então ela aceita e se submete aos maus tratos do estupido marido.

No decorrer do longa, descobrimos que Kóblic não está necessariamente fugindo de alguém, mas sim de sua própria consciência. Ao se negar a realizar um dos chamados “voos da morte”, ele foge para o interior para se recuperar e armar um plano para não ser pego pelas Forças Armadas em plenos anos de chumbo argentino. Kóblic é um militar bem treinado e solitário, até que ele se depara com Nancy e acaba sabendo de tudo que ela passa e se apaixona por ela.

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Ao se envolver com uma mulher casada, Kóblic dá motivos o suficiente para Velarde tomar alguma providencia, ainda mais ao descobrir que Kóblic é um militar e isso pode por em risco seu controle da cidade.

Apesar do ritmo lento no primeiro ato, o filme não dispensa cenas e nem enrola ao contar sua história, ele é bem preciso e direto em sua narrativa. Seguindo o mistério e a pouca informação que temos sobre os personagens quase até a metade do filme, a paleta de cores segue o ritmo e mantêm cores neutras e frias para expressar a quase falta de emoções dos personagens, dando um aspecto “noir” de filmes dos anos 40.

No último ato, o filme ganha mais ritmo e mais cor, tudo começa a se desenrolar para que não sobre nenhuma ponta solta e nesse momento podemos ver mais claramente o poder do roteiro do filme e de sua direção.

O filme apesar do início lento, ele vai se direcionando para um desfecho cheio de reviravoltas e surpresas não esperadas para o tipo de filme que aparentava, isso acaba sendo uma grande surpresa e torna a experiência ainda mais agradável.

O filme estréia essa semana e se você quiser curtir um filme com grande qualidade técnica e uma história rica, Kóblic é uma boa pedida.

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