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Crítica #2 – Kubo e as Cordas Mágicas

Publicado:   outubro 11, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Italo Goulart

Kubo e as Cordas Mágicas, é dirigido por Travis Knight, distribuído pela Universal Studios e tem data de estreia prevista para 13 de outubro.

Feito nos estúdios de animação Laika, o mesmo de Coraline e o mundo secreto(2009), Os Boxtrolls(2014) e Paranorman(2012), trazem mais uma, porém nova e original, animação na arte de stop-motion .

A ideia de usar stop-motion em filmes ou animações parece ultrapassada, mas como tudo tende a evoluir na indústria cinematográfica, a técnica se mantêm viva e ganhou mais fôlego com essa nova animação.

Com um elenco de peso em sua dublagem original, a animação ganhou ainda mais prestígio e valor, com nomes como Charlize Theron(Mad Max), Art Parkinson(Game of Thrones), Ralph Fiennes(007 Contra Spectre), Matthew McCounaughey(Interestelar), George Takei(Star Trek:Série Original), Cary-Hiroyuki Tagawa(Grimm) e Brenda Vaccaro(Perdidos na Noite).

O desenho se passa num Japão fantástico, criado só para a história, mas claramente as influências do Período Edo(século 17 ao final do século 19) estão presentes. No decorrer de seus 102 minutos, vemos paisagens deslumbrantes, cenários belíssimos e uma história e personagens envolventes e divertidos.

Kubo vive uma normal e tranquila vida em uma pequena vila no Japão com sua mãe. Até que um espírito vingativo do passado muda completamente sua vida, ao fazer com que todos os tipos de deuses e monstros o persigam. Agora, para sobreviver, Kubo terá de encontrar uma armadura mágica que foi usada pelo seu falecido pai, um lendário guerreiro samurai.

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No filme acompanhamos a história de Kubo(Art Parkinson), um garoto misterioso que vive com sua mãe debilitada a qual tem que cuidar. A mãe de Kubo durante o dia fica numa espécie de transe e fica imóvel sem poder fazer nada, mas quando o sol se põe, ela passa a ter mais vida e conta histórias incríveis sobre o maior guerreiro samurai que já existiu, o pai de Kubo, Hanzo, mas com sua mente e corpo fragilizados, ela logo tem que se deitar sem terminar sua história.

Kubo vai ao vilarejo próximo de sua casa, ele mora numa encosta rochosa próximo ao mar, para alegrar os cidadãos com suas histórias fantásticas, cheias de aventura e drama, sempre acompanhado de seu shamishen, um instrumento musical de corda com poderes mágicos que dá vida a bonecos feitos de origami.

Kubo é estritamente proibido de ficar na rua depois que o sol se põe, sua mãe o proibiu e a história dos dois é cheia de mistérios e magia. Durante a celebração do Festival Obon(tradição japonesa em honra aos mortos), Kubo tenta se comunicar com seu pai morto, mas acaba sendo descoberto por forças ocultasque só agiam ao luar. Kubo tem que fugir e começar sua aventura em busca de uma armadura poderosa que pode derrotar esses seres, conta com a ajuda da Macaca, do samurai inseto com amnésia Besouro e seu pequeno guerreiro de origami que serve como guia.

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O filme tem influências fortíssimas de diretores como Akira Kurosawa e o mestre das animações japonesas Hayao Miyazaki . O ideal heroico, existencialismo e humanismo são temas abordados em Kubo e as Cordas Mágicas e são uma constante nos filmes de Kurosawa, presentes principalmente no filme Não Lamento Minha Juventude (1946) e o samurai Hanzo é inspirado no personagem interpretado por Toshiro Mifune em Os Sete Samurais (1954).

Com uma trama profunda sobre relação familiar, autodescoberta, o amor e a compreensão de como as pessoas são e podem se tornar são o centro da narrativa, com toques de humor em momentos precisos, alivia um pouco da tensão dramática que o longa requer.

Apesar de a história correr em volta dos três personagens centrais, cada personagem tem sua devida importância, Kameyo(Brenda Vaccaro) por exemplo é uma senhora que faz um papel maternal na ausência contínua da mãe de Kubo, Hosato(Geroge Takei) aumenta o sentimento que a falta do pai de Kubo o faz em uma cena que ensina sua filha a importância do Festival Obon. Tudo e todos tem um significado no decorrer da narrativa.

KUBO AND THE TWO STRINGS

Um dos grandes feitos do filme é não só os cenários imensos que o compõe, mas também as gigantes esculturas que são alguns personagens como o esqueleto gigante, com quase 5 m de altura e 7 m de envergadura que é o maior já feito para filmes em stop-motion, e  o pequeno guerreiro feito em origami que tem pouco mais de 5 cm.

O longa tem uma preocupação muito grande em mostrar com fidelidade e com grande riqueza de detalhes a cultura e o folclore japonês.

Uma animação grandiosa e bela, com história envolvente e emocionante, Kubo e as Duas Cordas é um desenho que pode levar os mais atentos às lágrimas facilmente.

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