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Critica – Festa da Salsicha

Publicado:   outubro 6, 2016   Categoria:Anime/Desenho Animado , Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Italo Goulart

Com uma temática abordada há tempos pela Disney e Pixar do “E se tal objeto inanimado ganhasse vida?”, Festa da Salsicha vem pra mostrar que é possível fazer algo novo com essa temática e ao mesmo tempo destruir com parâmetros sociais.

Dentro de um supermercado, os alimentos pensam que as pessoas são deuses. Eles sonham em serem escolhidos por elas e serem levados para suas casas, onde pensam que viverão felizes. Mas eles nem suspeitam que serão cortados, ralados, cozidos e devorados! Quando Frank, uma salsicha, descobre a terrível verdade, ele precisa convencer os outros alimentos do supermercado  e fazer com que eles lutem contra os humanos.

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Escrito por Seth Rogen(É o Fim,2013), Jonah Hill(Anjos da Lei,2012), Ariel Shaffir(Sexo, Drogas e Jingle Bells,2015), Evan Goldberg(A Entrevista,2014) e Kyle Hunter(Sexo, Drogas e Jingle Bells,2015) já se tem uma noção do que esperar. Os cinco amigos já trabalham em algumas produções juntos, mas não todos de uma vez, e o resultado que tivemos foi um filme com muio humor ácido, nonsense, raunchy humor e muito palavrão, e Festa da Salsicha não foge desse padrão, talvez até tenha ultrapassado ele.

A premissa do filme é bem simples e é explicada logo nos primeiros minutos da animação, com uma sequência musical que mostra a crença dos alimentos no mercado, esperando que os deuses(os humanos) venham buscá-los para viver uma vida de plenitude e paz num novo lar, pois o medo constante de ficar velho e ser descartado aumenta a necessidade de ser comprado. Tudo é felicidade, até que um produto é devolvido e fala os horrores do mundo fora do mercado e de como os humanos são uns monstros por comerem vivos os alimentos que tiram dali.

Frank(Seth Rogen) é uma salsicha que sonha no dia em que vai ser levado para um novo lar junto com sua amada Brenda(Krisnte Wig), que é um pão de cachorro quente.

Ambos estão em seu devido pacote, Frank tem um protegido, o Barry(Michael Cera), uma pequena salsicha deformada que sofre bulliyng toda hora.

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Quando chega o grande dia de serem levados, Frank, Brenda e todos os alimentos se deparam com os relatos de uma Mostarda com Mel que voltou da “Terra Prometida” relatando as atrocidades que viu. Frank começa a contestar os dogmas criados para mantê-los sempre a espera de serem escolhidos e começa a procurar respostas.

Numa cena com referência direta ao Resgate do Soldado Ryan, quando dois carrinhos de compra colidem e os produtos caem no chão, um saco de farinha explode dando a impressão de uma bomba, uma lata de macarrão partida ao meio tenta se recolocar dentro, o pote de pasta de amendoim tenta salvar sua esposa que quebrou o frasco, é simplesmente hilário. Nesse momento conhecemos o vilão do mercado, a Ducha( Nick Kroll) que teve seus planos de “felicidade” interrompidos pelo casal Frank e Brenda e jura vingança.

O filme também faz referência ao Exterminador do Futuro 2, no personagem que satiriza Stephen Hawking, um chiclete numa cadeira de rodas motorizada.

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Um grupo é formado para ajudar Frank a procurar suas respostas, com ele vai Brenda, Sammy(Edward Norton) um bagel judeu, Vash(David Krumholtz) um pão sírio e Teresa del Taco(Salma Hayek) um taco mexicano homossexual.

Enquanto isso, outra história se desenrola com a salsicha Barry, que não conseguiu escapar e está vendo a dura realidade do mundo dos humanos e que vence a coragem para armar um contra ataque.

Apesar de se esperar uma animação completamente superficial, com muita conotação sexual e palavras de baixo calão, o filme tem algumas tiradas inteligente e uma crítica social bem crua e sem amarras, o roteiro surpreende nesse ponto.

Numa era de politicamente correto, Festa da Salsicha vai além derrubando todos os conceitos pré estabelecidos, tratando de forma muitas vezes chula, problemas religiosos, que são expostos nos personagens que forma uma dupla de contraponto Vash e Sammy, que carregam em si as crenças de sua nacionalidade e religião. Vash é um árabe racista que sonha no dia em que terá direito a ser banhado por 40 frascos de azeite extravirgem e Sammy um judeu pacifista, isso rende muitas piadas um pouco abusivas, mas dentro da proposta do filme.

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Usando de vários esteriótipos, cada sessão de alimento tem sua característica baseada em sua origem, como a prateleira de maionese alemã, que querem deixar claro sua superioridade como condimentos num discurso nazista claro, tem o “bairro” dos produtos de alimentos asiáticos que é uma espécie de Chinatown e a ala das bebidas alcoólicas que vive uma eterna festa.

Sem se importar com a polêmica, brincam com questões de sexualidade, drogas, preconceito e o exploitation dignos de suas produções anteriores, o roteiro as vezes peca pelo exagero, principalmente ao apostar em quase todo tempo em piadas gastas de cunho sexual e praticamente um palavrão a cada frase.

O desing dos personagens é inteligente e bem sugestivo, a animação é bem bonita apesar do baixo custo do filme, em torno de US$20 milhões.

Usam muito bem a alternância de cores, entre o colorido do mundo dos alimentos e o cinza predominante do mundo real.

E claro que pra elevar mais ainda o nível de perversão e pra deixar mais evidente o desejo sexual dos personagens, o filme tem uma tremenda orgia, levando o termo Food Porn para um novo parâmetro.

Em suma, o filme é corajoso e original, mas pelos excessos e pela vontade de causar polêmica em detrimento da qualidade, perde o potencial que tinha, se tornando um filme do tipo, ou ame ou odeie.

O filme estreia dia 6 de outubro e NÃO É PRA CRIANÇAS, DEFINITIVAMENTE, NÃO!

Visualizacões:   66   Comentários:   4   Curtidas: 0

4 Comentários

6 de outubro de 2016
Embora eu não seja a favor de filmes apelativos, esse daí parece valer a pena só pelo fato dos personagens serem GARRAFA DE TEQUILA, SALSICHA, CATCHUP kkuashsuahaus
12 de outubro de 2016
kkkkk Vale a pena sim, cura um pouco da doença do politicamente correto
Jean de Souza Lobato
12 de outubro de 2016
Definitivamente NÃO é para crianças acredito que nem para eu, mas, vou ver assim mesmo só por causa da crítica, ela me fez interessar pelo filme.
12 de outubro de 2016
Acho que vai gostar sim, dá pra relevar bastante coisa
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