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Crítica – Sete Homens e um Destino

Publicado:   setembro 20, 2016   Categoria:Criticas , Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Italo Goulart

Além dos filmes de herói estarem em alta, uma coisa que nunca saiu de moda é o lançamento de remakes (releitura e readaptação de filmes já feitos). E esse ano de 2016 foi praticamente recheado de filmes do tipo: Caça Fantasmas, Tarzan, Mogli, Ben-Hur, A Bela e a Fera, Dirty Dance, só pra citar alguns. Dentre esses, os que já foram lançados geraram uma onda de críticas, o caso de Ben-Hur é especial por ele ser uma readaptação do livro “Ben-Hur: A Tale of the Christ” escrito por Lew Wallace em 1880, e é também a quarta adaptação da obra, fora a adaptação para uma minissérie em 2010.

Uma coisa que aprendi na minha longa jornada de assistir filme é que, não se deve ficar preso á comparações entre o clássico e o remake. Isso quase sempre nos leva á um sentimento muito grande de decepção. Claro que isso não deve ser levado como regra, pois temos vários exemplos de refilmagem que deram mais certo que o original, nesse quesito podemos citar, Scarface de 1983 com Al Pacino que virou um clássico maior que o original de 1932, claro que a diferença muito grande entre as épocas de lançamento deve ser levado muito em consideração, mas num curto período entre um e outro há Os Infiltrados de 2006, que fez muito melhor que o antecessor Conflitos Internos de 2002. Enfim, o que quero deixar claro aqui é que tudo é muito relativo (rerere), mas para que você não se decepcione muito, não crie tantas expectativas, sim, eu sei que é difícil, eu também me frustro as vezes. E claro, que irei fazer comparações em relação ao clássico dos anos 60.

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Refilmagem do clássico faroeste Sete Homens e um Destino (1960), que por sua vez é um remake de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa. Os habitantes de um pequeno vilarejo sofrem com os constantes ataques de um bando de pistoleiros. Revoltada com os saques, Emma Cullen (Haley Bennett) deseja justiça e pede auxílio ao pistoleiro Sam Chisolm (Denzel Washington), que reúne um grupo especialistas para contra-atacar os bandidos.

Inicialmente podemos ver que o filme foi feito pra ser vendido e muito bem vendido. Você pega uma clássico do Western, coloca atores já consagrados como Denzel Washington e Ethan Hawke, pega o galã da vez Chris Pratt e um cara que está fazendo sucesso novamente Vicent D’Onofrio e mistura isso tudo com um filme de ação que por si só a ideia já é convincente. E dá certo, até certo ponto.

Dirigido pelo estadunidense Antoine Fuqua (Invasão à Casa Branca – 2013), o filme já estava garantido em ser uma ação de tirar o folego e de fato é. Com cenas rápidas em truck (camera em cima de tum trilho, o filme tem uma fluidez interessante e lembra muito os clássicos do gênero, com direito a duelos ao melhor estilo Bang-Bang. Antoine Fuqua parece ser o cara dos remakes e vai fazer o remake do já citado Scarface em 2018

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O roteiro é assinado por Richard Wenk (Os Mercenários 2) e Hideo Oguni (Ran,1986, também de Akira Kurosawa), aí está um dos poucos problemas do filme, a história é superficial, os personagens não parecem ter de fato alguma motivação, parece que estão ali só por estar, por não ter nada melhor para fazer, uma das grandes falhas em relação aos personagens do clássico, já explico.

O elenco como eu disse é composto por uma galera de peso, que até faz bem o seu papel, com exceção para o Denzel Washington que parece ter perdido parte de sua capacidade de atuação, mas que é totalmente sanada pelas atuações de Chris Pratt, Ethan Hawke, Vicent D’Onofrio e o vilão John Peter Sarsgaard.

No longa, um vilarejo está sendo ameaçado e atacado constantemente pelo barão do ouro Bartholomew Bogue (John Peter Sarsgaard). Todas as pessoas do vilarejo se sentem hostilizadas e incapazes de fazer algo. Revoltada com os constantes saques e por ter perdido o marido pra gangue de Bogue, Emma Cullen (Haley Bennett) decide tomar uma atitude para mudar o destino de todos, contratar pistoleiros para defender o vilarejo.

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No caminho de Emma, cruza o pistoleiro e caçador de recompensas Chisolm (Denzel Washington), que inicialmente fica relutante em aceitar o trabalho, até que um motivo pessoal o faz querer ajudar o povo da pequena vila. Chisolm começar a recrutar pistoleiros para a sua causa e encontra o jogador inveterado Josh Faraday (Chris Pratt), o lendário atirador do exercito Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke) e seu inesperado ajudante oriental e letal com facas Billy Rocks (Lee Byung-hun), o procurado da justiça mexicano Vásquez (Manuel Garcia-Rulfo), o índio comanche Red Harvest (Martin Sensmeier) e para fechar o septeto, o grande matador de índios e colecionador de escalpos Jack Horne (Vicent D’Onofrio).

Sem muito motivo para unir tão diferentes personagens, ele vão para a pequena vila armar uma estratégia para derrotar os mais de 200 homens de Bogue.

Com o uso amplo de planos abertos, temos um vislumbre da imensa e bela paisagem que circunda todo o ambiente do filme.

O filme faz uso de muitas ferramentas que não estavam presentes no clássico, mas que é marca registrada de filmes do gênero, como o duelo entre o mocinho e o vilão, dando uma carga dramática que não foi usada no filme original e que funcionou muito bem.

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O grande acerto do filme é a presença de vários tipos étnicos no elenco e tratar de forma sutil elementos e discussões bem atuais como representatividade e preconceito, isso funcionou muito bem no fato de ter colocado uma mulher onde talvez não caberia.

Já o grande ponto fraco do filme que apesar de ter um bom elenco, é o desenvolvimento de seus personagens. São muito superficiais e o entrosamento entre eles não funciona muito bem, por vezes sendo até forçado. Um dos personagens mais bem trabalhado é justamente o vilão, que em sua cena de abertura deixa bem claro o motivo de estar ali e mostra o quão mal pode ser, é sensacional.

Outro acerto do filme foi ter usado bem elementos do filme de 1960, como a lenda do ouro nas montanhas na pequena vila mexicana, usaram também várias frases de efeito do clássico.

COMPARAÇÃO AO CLÁSSICO

Mais uma vez falarei dos personagens.

No dos anos 60, a gente sabe o que cada personagem está fazendo no filme, o por que eles aceitaram uma missão quase suicida para proteger gente que eles nem conhecem.

Isso se dá principalmente pelo fatos de todos, com suas excentricidades e problemas psicológicos muito bem trabalhos e expostos durante o filme, o impulsiona a querer fazer algo grandioso e altruísta.

O fato deles terem mudado os três fazendeiros do clássico, por uma mulher bonita no remake, é até aceitável por lidar com a representatividade que já falei e pelo fato do ambiente da disputa ser totalmente diferente da vila mexicana no original.

O recrutamento no filme original também é diferente. Eles fazem com muito sacrifício uma especie de escritório para receber os possíveis candidatos, coisa que não da muito certo. Então Chisolm vai atrás das pessoas que ele acredita que podem ajudar e todos são conhecidos dele.

No novo, parece que ele vai recrutando a esmo os mais excêntricos que encontra.

E uma coisa que não deu para reparar, é a ligação entres os personagens antigos e os novos.

No clássico temos um vilão mexicano totalmente inescrupuloso e mortal. No novo em certas partes ele parece um riquinho mimado e covarde.

E o principal, no antigo a motivação de todos é em busca de honra, já no novo se trata de vingança, fiquei um tanto estranho, mas deu pra levar.

CURIOSIDADE

Wagner Moura estava no elenco, mas por um conflito na agenda por estar filmando Narcos, ele desistiu e o papel foi para Manuel Garcia-Rulfo.

Outro que também ia fazer parte, mas que pelo mesmo motivo não pode seguir foi Tom Cruise.

VEREDITO

Apesar das suas falhas, o filme entrega um filme de Faroeste digno para os dias atuais. Com muita ação e personagens cascas-grossas, muito tiro, porrada e bomba, o filme é divertido e eletrizante. E mesmo deixando um gostinho de já vi isso antes (ainda mais por ser um remake,kkk), o filme vale a pena, mas de longe não se trata de um clássico e vai ser facilmente esquecido, infelizmente.

O filme estreia dia 22 de setembro de 2016.

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