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Não Precisamos! – Duvivier, Rafinha Bastos, Internet e Marketing esperto.

Publicado:   setembro 14, 2016   Categoria:Internet , OpiniãoEscrito por:Jota1

Tudo começou nesta segunda-feira (12/09), onde Gregório Duvivier publicou o texto abaixo, intitulado: “Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice“. Na sua coluna semanal para a edição online do jornal Folha de São Paulo.

Eu sei que você já leu, mas, foda-se, é pra você não ter que ficar mudando de página enquanto vê os pontos abordados aqui. Valeu, de nada!

“Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 –onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era “You Oughta Know”, da Alanis.
 
Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS.

Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gaslighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela.

Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de “How I Met Your Mother”. Mais que no começo de “Up”. Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo.

Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.”

Besta que sou, li o texto, achei bonitinho, mesmo achando o Gregório Duvivier bem babaca na maioria das vezes (política não tem nada a ver com isso) e ok. Abri a aba, li o texto, soltei um “legal” mentalmente e fechei a aba. Vida que segue. Porem, na internet, as coisas não são tão simples assim. As manifestações foram diversas e logo sacaram (Eu não, pois sou burro) a ideia de que havia um algo a mais além daquelas palavras bonitas, um marketing esperto.

Acontece que amanhã (15/09) estréia o filme “Desculpa o transtorno” protagonizado por Gregório e também por Clarice, sua ex. Fica clara a referência entre o texto e o lançamento do filme. E com isso, os juízes de opinião da internet, já começaram a trocar suas farpas questionando sobre a “autenticidade desse amor” descrito no texto. Deselegante, mas a coisa iria piorar.

Então ontem (13/09), o Rei desses juízes de internet, o maior defensor da zoeira democrática (para todos, doa a quem doer) Rafinha Bastos, resolveu soltar o seu texto mostrando a sua “visão do amor”, como se isso fosse algo definido, e não pessoal de cada um. Leia o texto abaixo:

Desculpe o transtorno, Gregorio. Preciso muito falar da Junia.
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Meu amigo, Gregorio Duvivier. Li a tua declaração de amor a Clarice na Folha. Curti muito, claro, mas confesso que fiquei surpreso com o número de amigas que compartilharam o link com frases como “isso que é amor”, “eu quero um amor assim” e “é lindo quando a gente encontra um amor de verdade”.

A minha visão de “amor de verdade” é bem diferente. Permita-me contar a minha história.
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Não conheci ela no jazz, na infância nem no ICQ. A primeira vez que nos vimos, foi numa balada alternativa (pra não dizer dos infernos) no centro de São Paulo. Era 4h30 da manhã e a festa já estava vazia. Eu tinha 3 opções: a travesti que fazia cover da Madonna, a tiazinha da limpeza ou a Diolinda, chefe do caixa (que depois virou minha amiga).

Foi quando do meio daquele cenário de destruição, ela apareceu. Foi como se uma sereia tivesse saído do rio Tietê. Lembro dela ter dito: “Oi”. Fiquei eufórico. Sei que um “oi” não é grande coisa, mas, naquele cenário, só dela não me pedir uma pedra de crack já era um ótimo sinal.

Ficamos uma, duas, três vezes. Na quarta ela se mudou pra minha casa. Eu não questionei. Minha única companhia nessa cidade era um pote de manteiga que eu guardava debaixo do sofá. A entrada dela na minha vida era quase uma necessidade (na verdade eu meio que namorava com uma stripper, mas não vale o destaque. Uma amiga me contou que ela deu uma facada num cara… sei lá. Uma mulher muito estranha).

Desde de que conheci a Junia, tudo mudou na minha vida (graças a Deus, afinal, eu estaria internado em alguma clínica de reabilitação agora). Foi muito forte. Rapidamente me dei conta de que aquilo era de verdade. A Junia foi, é ainda é, a minha parceira. A pessoa com quem eu sei que posso contar. A mulher que me deu um filho. O amor da minha vida (e mais todas as frases feitas que você possa imaginar).

Mas o nosso amor não tem essa firula toda não, Gregório. A gente não fez filme, não fez poesia, nem música. O máximo que a gente fez foi foi um criado-mudo de madeira e um quebra-cabeça de 498 peças (duas o meu cachorro Walmor engoliu).

Pra mim, amor de verdade não é jazz, gastronomia e nem debate sobre cisgênero. Amor de verdade é brigar pelo lençol, é disputar o carregador de bateria e ficar puto quando o outro não atende o celular. Amor de verdade é pentelho no sabonete, é calcinha no box e cagada de porta aberta. Amor de verdade é ver a tua mulher pelada durante 13 anos e ainda ter tesão. É olhar no rosto do teu filho e comemorar que ele não herdou a tua cara feia e só se parece com ela. É chegar em casa e ficar feliz só de ver que todos estão vivos (não precisa nem vir abraçar… é só estar vivo que já tá beleza).

Amor de verdade (aquele que dura) não tem poesia… sequer tem trilha sonora. Música dura muito pouco. Na vida real, a felicidade pode estar no silêncio. O silêncio que me permite, finalmente, abraçar a minha mulher e ver a porra da minha série do Netflix em paz. Simples assim.

PS: Adorei a parte do seu texto sobre os risotos, cara. A gente tentou fazer a um risoto uma vez, mas queimou. Ela colocou a culpa em mim. Eu fiquei puto e saí de casa. Comi um yakissoba na esquina. Ela me ligou 1 hora depois e pediu pra eu levar um hamburguer. Eu comprei… e comi no caminho. Passei mal.

Bom, se você leu até aqui – coisa que duvido – vamos sacar alguns pontos:

01 – Ninguém tem direito de qualificar ou justificar o amor alheio.

Levar o Rafinha Bastos a sério é o mesmo que tentar entender como a Inês Brasil se tornou um hit da internet. Ou seja, perda de tempo. A gente SABE que o Rafinha só quis causar. Ele já fez coisas bem piores e tá cagando pra tudo – inclusive para este texto – e é do tipo de cara que você ama ou odeia. Eu, depois que me tornei adepto do deboísmo, só cago pra ele mesmo.

O problema é que seus discípulos, leia-se: bando de gente idiota caçando clique no facebook, caiu matando em cima do texto do Duvivier apenas para criticar como foi o romance do cara. O trouxa do Rafina diz: “amor de verdade não é jazz” quando o Duvivier diz que conheceu a Clarice no Jazz, aquele da escola e tal. Mesmo que fosse num pub Inglês, ouvindo Jazz, foda-se! A história de amor é do casal e ninguém tem o direito de diminui-la ou qualifica-la como verdadeira ou não.

02 – Amor de verdade? Verdade? Conto de fada, ou roteiro de cinema?

Cara.. Ontem meu brother Dick fez um texto fodão sobre ser solteiro e vi que muita gente apoiou sua crítica ao texto do Gregório em cima dessa mania incessante de que as pessoas só são felizes quando estão amando, ou quando estão juntas. O conto de fadas caiu no ridículo e hoje em dia, a gente mais vê uma desconstrução dessa imagem colorida. De “Branca de Neve” a “Valente“, vamos evoluindo a ponto de perceber que sim, há pessoas que são felizes no amor conjugal assim como existem pessoas que são felizes sozinhas, na putaria, no balaio doido ou seja lá em que rolo for. Apontar o dedo e querer qualificar o amor do outro é o que não pode.

03 – … E a Clarice?!

Alguém sabe dela? O texto foi bonitinho, ok. Mas e ela? Será que ela tinha conhecimento da exposição feita da intimidade dos dois – talvez como parte de um plano de marketing planejado? Ou ela simplesmente acordou, pegou o jornal – Acho estranhíssimo que o Gregório tenha uma coluna em um jornal que ele critica tanto, mas ok. – e viu uma parte da sua vida aberta daquele jeito?

Os dois vieram a tona pelo “Porta dos Fundos” e logo ganharam o título de casal da internet. Claro que, sendo pessoas públicas (detesto esse termo) são alvo de julgamento dos seus “fãs” por sua exposição e tal. Por isso vimos pessoas dizendo: “Nossa que texto lindo, é claro que ele ainda a ama e ela DEVERIA voltar pra ele na hora!” Bem incisivo né? Pois é. É sabido que o relacionamento entre os dois acabou e é claro que há um motivo para que tenha acabado. Mesmo que não tenha um motivo, foda-se, é problema dos dois. Eles são artistas e as pessoas deveriam se interessar mais por sua arte, não por quem eles amam ou não.

04 – No final das contas, há algum aprendizado com isso tudo?

A real é que eu me sinto até meio idiota de estar escrevendo esse texto, pois não sou fã de carteirinha de nenhum dos dois. Mas sou fã de internet e de escrever, então foda-se, falo mesmo. enfim, algumas pessoas ficam meio boquiabertas quando eu digo que sou casado, pai, um cara “normal” que segue um “modelo tradicional”, leia-se “aprisionado pela mulher”, “enrolado com as obrigações” e etc. Como se a vida pegasse mais pesado comigo por usar uma aliança, mas não. Estou no mesmo barco que muita gente. Assim como o Dick toca a sua vida de solteiro, e ouve muita babaquice, como “Já passou da hora de casar e arrumar uma família hein?” e etc.

Muita gente tem uma mania infernal de julgar as pessoas na forma como elas acreditam que a felicidade deve ser. Hábito cultural, religioso e etc. Preconceitos datados e infelizes que só servem para as pessoas apontarem o dedo umas para as outras. O Amor, acredito eu, é algo pessoal, complexo e subjetivo demais para caber em explicações rasas e fundamentadas. Por favor, vamos entender que cada um ama da forma que achar melhor. É o coração quem dita esse sentimento, e não uma piada de internet ou a propaganda de um filme.

Pra fechar legal, fiquem com esse tweet que resume bem minha prosa toda:

Visualizacões:   67   Comentários:   4   Curtidas: 0

4 Comentários

15 de setembro de 2016
É isso ai! o povo ta se preocupando DEMAIS! puta sacada de markt do greg puta sacada de comédia do rafinha puta bando de trouxa que se preocupa com isso
16 de setembro de 2016
(like)
16 de setembro de 2016
Caralho! Eu li essa porra toda. Japão, puta texto bom. Nem sabia desse texto do Rafinha Bosta.
16 de setembro de 2016
Valeu mano! coisa pra carai né?! E no final é essa bosta toda. kkkkkkkk
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