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Sexo sem compromisso: ninguém quer falar sobre isso

Publicado:   setembro 13, 2016   Categoria:OpiniãoEscrito por:Dick Farney

O que Charlie Harper (Two And Half Man), Barney Stinson (How I Met Your Mother) e Joey Tribbiani (Friends) tem em comum além de terem participado de sitcoms?

Isso mesmo. Todos eram solteiros convictos. Sempre cercados de mulheres, idolatrados pelos fãs masculinos das séries e com uma habilidade de não se apegarem a ninguém, esses (e muitos outros solteirões) são tidos como símbolo de machismo inveterado por optarem não se relacionarem por quanto tempo lhes der na telha. Mas por que é aceitável que um cara (ou mulher) seja solteiro convicto na TV mas na vida real seja uma prática ofensiva e passível de reprovação?

Vamos falar de filmes? Sim, filmes. Todo mundo já ouviu a expressão “a arte imita a vida” e talvez seja verdade. Com algumas adaptações aqui e ali mas no fim um imita o outro. Vou citar 3 filmes e falar brevemente sobre eles para ilustrar como funciona o sistema das produções hollywoodianas que retrata os solteiros.

  1. Hitch – Conselheiro Amoroso (2005) – Will Smith interpreta Alex “Hitch” Hitchens, um conselheiro amoroso da cidade grande que tem a habilidade de explorar os pontos fracos inerentes do universo feminino e armar pretendentes inadequados para que encontrem seus pares perfeitos. O esquema é infalível, o que garante uma boa comédia. Hitch é um solteirão que dá conselhos sobre amor e que se mantém distante de relacionamentos até que se apaixona por Sara Melas (Eva Mendes). No fim do filme, depois de muitos risos e trapalhadas, Hitch e Sara ficam juntos.
  2. Amizade Colorida (2011) – Justin Timberlake é Dylan e Mila Kunis é Jamie. O casal se conhece profissionalmente e depois de descobrirem várias coisas em comum se tornam amigos. Dylan e Jamie decidem parar de procurar pelo amor verdadeiro e focam apenas em se divertir mas tudo se complica quando adicionam sexo na mistura. No fim do filme, depois de muitos risos e trapalhadas, Dylan e Jamie ficam juntos.
  3. Como Ser Solteira (2016) – Dakota Johnson interpreta Alice, uma garota que decide “dar um tempo” com namorado para saber como é se sentir solteira uma vez na vida. Ela conhece Robin (Rebel Wilson) que é uma garota fã de diversão e expert em transas casuais. Alice aprende a beber drinques de graça, conhecer homens e curtir a vida de solteira. Mas nenhuma delas é o objeto desse artigo. O foco é sobre Tom (Anders Holm) o dono de bar especialista em conquistar mulheres por uma noite. No fim do filme, depois de muitos risos e trapalhadas, Tom não fica com ninguém.

Em todos esses filmes existem elementos que conduzem de forma curiosa nossa opinião sobre sexo sem compromisso:

  1. É mal visto, por isso vem normalmente disfarçado em comédias e comédias românticas. Isso alivia o peso de lidar com alguém que não quer se comprometer. É natural do ser humano querer que os protagonistas fiquem juntos no final e que tudo dê certo.
  2. Naturalmente no filme o solteirão/solteirona vai conhecer alguém que potencialmente o fará desistir da vida de bon vivant para constituir família e tudo mais que todo mundo conhece.
  3. Eles nunca são levados à sério. Sempre funcionam como um escape cômico ou para algo que aponte para o ridículo mas se houvesse uma escala moral no filme, certamente o(a) solteiro(a) convicto(a) estaria nas numerações mais baixas.
  4. Eles mentem. Sim, eles mentem. Não mais do que maioria, afinal todo mundo mente. Mas para manter seu estilo de vida diante do preconceito milenar social com sexo casual notoriamente eles irão mentir quando perguntarem “Você está vendo outras pessoas?”
  5. É verdade! Todos os solteiros convictos uma hora são fisgados pelo tal Amor. É mas e o Tom do filme Como Ser Solteiro? Ele chegou tarde demais e a vida é feita de oportunidades, se deixar passar talvez não tenha outra chance.

No fim nenhuma das “qualidades” citadas acima é bem vista. Normalmente você ganha o título de mulherengo, piriguete, má influência e por aí vai. Em tempos como esses que vivemos, onde a libertação da mulher das regras opressoras sociais é evidente, onde gays, trans, pans lutam pelos seus direitos civis, onde negros batalham diariamente para combater o racismo, onde falamos abertamente sobre o respeito do ser individual; está incluso todos desejos de um solteiro convicto.

Por que não se pode valorizar mais o sexo casual do que a estabilidade conjugal? Por que não se pode amar alguém do mesmo sexo? Por que alguém deve ficar com um cargo importante na empresa por ser branco, ou homem, ou mais forte? Essas são perguntas que nem mesmo os (as) preconceituosos (as) conseguem responder por mais que tentem.

Quando se é homem é complicado, mas para as mulheres é ainda pior pelo simples fato de serem mulheres. Mulheres que decidiram não serem mães são pressionadas pela família. Mulheres que fazem sexo no primeiro encontro são taxadas. Mulheres que optaram por cuidar apenas de sua vida profissional são crucificadas por não terem um homem ao lado.

A busca vai muito além de ser ter alguém. Ninguém está fadado a encontrar a felicidade somente através de outras pessoas. Se por algum motivo você não consegue ser feliz sozinho tampouco saberá o que é ser feliz com alguém. Nenhum ser humano está incompleto da mesma forma que a felicidade não é algo que se possua. Hoje você está feliz com a última reforma na casa mas daqui há alguns anos poderá não estar mais e vai reformar de novo. Hoje você está feliz com seu novo emprego mas daqui há um ano poderá estar se sentindo infeliz e vai buscar outro. Isso é a felicidade: uma busca constante, solitária ou não, mas constante.ac

Homens e mulheres, respeitem seu desejo de se dedicar ao trabalho, de se dedicar a si, de se dedicar ao sexo, de se dedicar ao pet, de amar quem quiser ou de não amar ninguém. Não tem nada de errado em acreditar que ter alguém ao seu lado não te fará mais feliz. Se você acha que o casamento não é para você, não se case. Se namorar não é seu lance, não namore. E se seus amigos não aceitam que você apareça com uma pessoa diferente a cada churrasco de fim de semana, talvez você precise de amigos novos.

Em tempos de luta pela liberdade em todas as formas tudo o que você precisa fazer é respeitar o indivíduo. A liberdade é resultado do respeito.

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3 Comentários

[…] Ontem meu brother Dick fez um texto fodão sobre ser solteiro e vi que muita gente apoiou sua crítica ao texto do Gregório em cima dessa […]
8 de outubro de 2016
Show.
[…] E não estou criticando os solteiros convictos estou apenas explicando que o comportamento desapegado justifica o declínio da crença no amor. Os solteiros convictos devem permanecer solteiros o quanto quiserem. […]
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