Papo Torto
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TRETA no Rap Nacional pt 2. Lívia Cruz faz barulho com “Eu tava Lá” em resposta ao Costa Gold.

Publicado:   setembro 8, 2016   Categoria:Música , OpiniãoEscrito por:Jota1

Rapaz… Mal comentei na sexta passada (02/09) sobre o som do Costa Gold com o Marechalque inclusive gerou muito papo no facebook (valeu manos!) – e eis que a Lívia Cruz, num exemplo de como fazer um Rap em tempo recorde, soltou nessa segunda (05/09) o seu “direito de resposta” em forma do som pesadão “Eu Tava Lá“. confira.

Fica claro que a Lívia Cruz tem um posicionamento firme no som. A grande questão está no verso: “QUEM QUE CÊ CHAMOU DE PUTA AÍ, SEU ARROMBADO?” Quem? eles vão responder? Só o tempo dirá. No som do Costa, a impressão foi de que o “puta” foi para as fãs sanguessugas que colaram nos moleques depois que estes fizeram sucesso. Lívia responde de uma maneira abrangente, responde por todas as minas que ouviram o som se sentiram ofendidas. Uma resposta necessária?

Nos comentários no YouTube o caos reina. O preconceito é um veneno que habita a internet há tempos. Molecada idiota que não sabe interpretar o que ouve é mato. Por isso que o Rap precisa abrir a cabeça dessa molecada com sons conscientes e fazendo a molecada questionar o mundo em que vivemos. Gosta de “Trap”, bate cabeça e os caraio? Ok. Até eu gosto de uns raps mais sujos e tal. Ninguém precisa ser herói de ninguém e detesto “Rap auto-ajuda”. Mas com o mic na mão, você não pode falar merda. O equilíbrio é complicado e o Rap não é pra qualquer um.

Falando em bate cabeça, o nordeste já tinha dado as caras – voadora, mais precisamente – no final do mês passado com o som “Sulicídio” dos Mcs Baco (Exu do Blues) e Diomedes, que critica a panelinha Rio/São Paulo que centraliza o Rap Nacional nessas localidades. Tanto a indústria quanto os fãs e os artistas.

Faixa pesada e sujo – como eu gosto – e que flow FODA do Diomedes (primeiro verso). E abre questionamento sobre xenofobia e o preconceito que muita gente tem com o Nordeste de forma geral. Os dois MCs deram uma entrevista bem bacana pro pessoal do RapNacionalDownloads e explicaram melhor o intuito deles com esse som. Pessoalmente, acho que os Mcs não tem tanta culpa assim na panelinha que ocorre, exceto pela falta de parcerias – O que também tem o seu custo. Também não acho justo reclamar de divulgação justo quando a internet se torna o principal meio de divulgação dos artistas, principalmente do Rap Nacional. A mídia em geral, e os fãs, que não procuram dar valor nas produções fora desse eixo, também tem sua parcela de culpa.

Os Mcs deixam claro que o som não tem caráter pessoal, e sim um alerta para que as pessoas prestem atenção no que é produzido fora do eixo Rio/SP com qualidade as vezes superior em produção e lírica. Nesse ponto, concordo plenamente, mas cara, que porra é essa que todo MC tem que ficar falando de doença venérea?!? Pelamordedeus!

Questões de feminismo, xenofobia, racismo e todos esses termos tão atuais chegaram no Rap Nacional. Isso é fato. Lembro-me bem da entrevista com a Eliane Dias, esposa do Mano Brown e produtora da Boogie Naipe, no qual ela fala que interferiu em letras que tinham cunho racista e isso ficou claro – positivamente – no álbum “Cores e Valores” de 2014. Provando que sim, é possível fazer Rap de qualidade, conversando com esses temas atuais e evoluindo conforme velhas barreiras – o Rap sempre foi muito machista – vão se quebrando.

O Nordeste chegando junto – coisa que já acontecia, só a gente que não via. As minas colando forte e mostrando que sempre estiveram no corre, o Rap Nacional vai batendo de frente com velhos preconceitos e até com novos modismos, como a gourmetização do Rap, o Rap ostentação e falta de ideia boa pra molecada. Esse barulho todo é bom e espero que sirva para a evolução do cenário. O Rap é uma questão social no Brasil!

 

Visualizacões:   379   Comentários:   11   Curtidas: 0

11 Comentários

8 de setembro de 2016
isso e mto mais na Tititi desse mês
8 de setembro de 2016
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk tá mais pra Tretata!
[…] história provoca revolta em baba ovo (e nas recalcadas)“. Dizer que isso não foi em resposta a “Eu tava lá” da Lívia Cruz é ingenuidade demais. Inclusive, quando mesmo que “recalcada” virou expressão no […]
3 de Janeiro de 2017
muito bom seu artigo
12 de Janeiro de 2017
muito bom o seu artigo
15 de Janeiro de 2017
otimo artigo
17 de Janeiro de 2017
muito bom artigo
30 de Janeiro de 2017
muito bom o seu artigo
1 de Março de 2017
Bacana.
6 de Março de 2017
muito bom o seu artigo
28 de Março de 2017
oi gente gostei muito desse site, parabéns pelo trabalho. ;)
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