Papo Torto
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#SextaTorta – Quem é você no atual Rap Nacional?

Publicado:   setembro 2, 2016   Categoria:#SextaTorta , MúsicaEscrito por:Jota1

O ano é 2016! O veterano Marechal lança um clipe com uns garotos novatos do Costa Gold e dá o que falar. Aqui em Brasília, amanhã (03/09) irá rolar o YO! Music, enorme festival que trará nomes novos e antigos do Rap Nacional e já causa polêmica em relação com medidas de “segurança” para os shows, preço de ingresso e o mais complicado de todos: O Hip-Hop está gourmetizado?

Primeiramente, Hip-Hop é uma cultura social, embora tenha nascido como uma contracultura, por contestar e dar uma nova visão a realidade social em que o mundo estava inserido. É uma entidade, cujos elementos – Rap, Grafitti, Dj e Break – são frutos de uma revolução social de contestamento, rebeldia e questionamento de valores. Um pixo/bomb/grafitti na parede, um Dj sampleando uma música, um B-Boy numa roda girando com a cabeça no chão, são manifestações culturais e libertárias em frente a uma sociedade com costumes e valores reacionários e antiquados. De uma forma geral, o Hip-Hop é fugir do padrão imposto, questionando este.

Dos quatro elementos citados, o Rap carrega um peso em especial por dar voz (leia-se: Ritmo e Poesia) a tudo isso. O Rap não é simplesmente juntar versos com a mesma terminação silábica. O Rap, desde os primórdios, dos anos 80 pra cá, além de ter a missão de orientar a molecada sobre a situação em que viviam, para tira-los das drogas, da violência – passando, claro, sua vivência no assunto – tinha a função de fazer essa molecada refletir o mundo ao seu redor. Faze-los se perguntar por que a politica funciona melhor só para uma parcela da população. Por que as oportunidades de emprego e educação não são abertas a todos. Por que a cor da pele ainda é fator determinante para muitas oportunidades da vida e outros fatores que perduram até hoje. O Rap, tem a necessidade de ser contemporâneo, também respeitando as raízes e com visão de futuro. Não é fácil fazer Rap.

Tendo em mente que o Rap precisa ser contemporâneo e acompanhar as mudanças de comportamento que acontecem na sociedade e repercutem na periferia – progenitora do Hip-Hop e onde o impacto social é maior por se tratar de uma população mais carente de renda e informação – As letras do Rap tem como princípio básico retratar o dia a dia da periferia. Na entrevista abaixo, o Parteum fala um pouco sobre o Rap Nacional no contexto social atual e elucida MUITO sobre a atual cena. POR FAVOR, confira:

Pra você que chamou o Emicida de EMOcida quando ele surgiu. Pra você que está perplexo com a quantidade de “Boyzinhos branquelos” fazendo Rap ostentação hoje em dia. O Projota?! (Esse eu me nego a responder…) Pra você que reclama que os Racionais fazem mais “Estilo Cachorro” do que “Fim de Semana no Parque“. O contexto econômico-social é a resposta sobre o atual Rap Nacional. Qualidade é outra coisa. Qualidade é o que define por quanto tempo um “produto” fica no mercado, na vitrine. No caso do Rap. A gente viu a trajetória dos Racionais MC´s até hoje e por isso entendemos quando o Mano Brown paga sapo em “Negro Drama“: “Na época dos barracos de pau lá na pedreira, onde vocês tavam? (…) Agora tão de olho na minha grana? No carro que eu dirijo?“. A gente entende que é a ascensão de um trabalho duro. Por isso que os Racionais estão a tanto tempo na ativa e isso será o fator que irá decidir por quanto tempos esses mcs novatos estarão na ativa. Repete-se o mantra: O Rap, tem a necessidade de ser contemporâneo, também respeitando as raízes e com visão de futuro.

“É muito difícil você falar de algo ruim, se a sua vida está melhorando” – Parteum.

Outra grande questão: E a molecada de hoje em dia? E os novos MCs brasileiros? Que não passaram os perrengues dos anos 90 e tem acesso a novas mídias e formas de gravar seu som? Antigamente, o artista juntava os trocados que tinha, alugava hora em estúdio, o Dj tinha que se virar com o equipamento (caro) e etc. hoje o cara pode fazer tudo em casa! Grava voz, sampleia, mixa, masteriza e já era. A diferença, está no quesito qualidade. Ouço hoje em dia uns beats sensacionais, coisa fina, de qualidade. Mas e a letra?

Uma coisa me chamou a atenção nesse tão falado som do Costa Gold com o Marechal, além da diferença notável de flow entre os participantes, foi a letra de cada um. O beat é bacana e tal, mas olha a letra do Marechal. O cara é um dos maiores nomes do Rap Nacional, tanto pelo flow matador quanto por sua trajetória de “exército de um homem só”. Seu mantra, “Espirito Independente” o resume e mostra que a molecada do Costa Gold, acerta em convida-lo para fazer um som, claro. Mas também acerta em não querer fazer um som que não cabe no seu tempo, na sua vivência – Apesar de essas vozes de desenho animados serem bem chatinhas né?

eu e marechal
Eu e Marechal num evento de Hip-Hop em que a entrada era uns R$ 10,00 e 1 Kg de alimento para doação para uma instituição de caridade. Marechal tirou foto comigo e estava lá vendendo as camisetas da sua marca. No corre e na humilde. Esse dia foi foda.

E quem é você nesse processo todo? Detesta o Rap Nacional por ele ter se tornado “modinha”? Ou acha bacana que finalmente há um reconhecimento do “estilo musical”? Tá de olho nesses eventos mega sensacionais de “grande porte” que trazem esses Mcs – agora chamados de “artistas” – a um preço fora do real? Acha que os Mcs de hoje em dia trazem a realidade das ruas nas suas letras? Por que essas empresas não davam valor no Rap antes? Complicado né?

Pensando nisso tudo, e sem condições de responder a todas essas perguntas (jamais!) eu resolvi chamar meu brother B-Boy Cândido, que respira e vive do Hip-Hop, dançando e registrando eventos. O Grafiteiro Ramon “Phanton” que dá um colorido a mais nos muros das quebradas do DF e entorno e (este ainda vou chamar, na verdade, hehe) o Mc DeJAH para trocarmos uma ideia sobre o Hip-Hop no cenário atual e social. O bate papo ocorre ainda neste mês e, claro, você o verá por aqui.

 

 

 

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1 Comentário

[…] quanto aqui – pelo menos não pode reclamar de como não saber do nascimento da coisa toda. Inclusive, como prometi num post anterior, vai SIM rolar o bate papo sobre o Rap e o Hip-Hop nos dia…. Lá pro final do mês e tal, calma que tou ajeitando tudo. […]
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