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Stranger Things é o medo a la anos 80

Publicado:   julho 19, 2016   Categoria:Filmes e séries , Internet , OpiniãoEscrito por:Dick Farney

Se você fosse reunir em apenas um programa de TV os clássicos Contos da Cripta (1989) e Os Goonies (1985) o resultado só poderia ser Stranger Things (2016).

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Os anos 80 definitivamente estão super na moda e não adianta negar isso. Enquanto existe um crescente frenesi na corrida literal em busca de pokémons nas ruas de diversos países e nós brasileiros estamos roendo as unhas por que o jogo ainda não chegou aqui, o mundo inteiro se rendeu à mais nova queridinha do Netflix.

Stranger Things usa tantas referências à extinta década onde o maior sonho de consumo das crianças era ter uma BMX (ou Bicicross) ou brincar com amigos de carne e osso até tarde da noite que é impossível não sentir nostalgia imediata se você tem mais de 30 anos.

A glória Low Tech (não se vê um celular sequer em toda a série), os ambientes cuidadosamente preparados no estilo Gremlins (1984), o figurino detalhado que nos faz lembrar de Alf – O ETeimoso (1986), e a trilha sonora incidental tímida modelada em pequenos riffs de teclado até a mais poderosa referência ao som de Should I Stay or Should I Go (1982) da banda The Clash; Stranger Things conseguiu o que muitas séries atuais ou recentes baseadas em décadas passadas não conseguiram: cativar tanto o público que gravou fitas cassetes para curtir suas bandas quanto o que nunca viu uma TV sem controle remoto. Essa receita foi tão boa que quando estreou a série já tinha uma segunda temporada confirmada.

A primeira temporada com apenas oito episódios mistura terror sobrenatural, suspense e a paranoia real da época: a Guerra Fria. E saiba: se você sentar para assistir, vai querer devorar de uma vez só. Criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer que tem pouca experiência com filmes do gênero e são responsáveis por Hidden (2015) e We All Fall Down (2005), a série segue exatamente o mesmo ritmo lento das séries daquela época. Não adianta esperar pela sensação generalizada GoT de toda semana ter que repetir “esse foi o melhor episódio de todos”. A trama se desenrola com calma e não tem momentos super empolgantes a cada fim de capítulo, um cuidado que os criadores tiveram para realmente conquistar o público saudosista sem ignorar os mais jovens. Enquanto a turma de 12 anos tenta encontrar o amigo desaparecido o sobrenatural toma conta do imaginário dos espectadores ao conhecer uma garota com poderes sobrenaturais, um monstro, um universo paralelo e as milhares de referências oitentistas espalhadas em cada tomada.

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Caleb McLaughlin, Gaten Matarazzo, Finn Wolfhard e Millie Bobby Brown

Os atores mirins são muito bons. Carismáticos e convincentes eles realmente roubam a cena com atuações boas exatamente pela simplicidade e não pela complexidade. No elenco também estão Winona Ryder e Matthew Modine, ambos atores que iniciaram suas careiras nos 80. Ryder não convence como umaa mãe que está desesperada pelo desaparecimento do filho, podemos facilmente apontar mães que pareceriam muito mais abaladas como Toni Collete (Sexto Sentido, 1999) ou Virginia Madsen (Evocando Espíritos, 2009), mas diante de todo o brilhantismo dos garotos isso é irrelevante. Millie Bobby Brown interpreta a garota sobrenatural e é misteriosamente cativante enquanto esbanja talento. Matthew Modine é o cara mal de cabelos platinado monossilábico. Definitivamente foi uma temporada da garotada.

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A ciência também é um gancho forte na série e a maior evidência disso é o nome da cidade onde a trama acontece: Hawkins. Toda série foi montada para lembrar pessoas de gerações diferentes a profundidade das relações sociais, o valor dos amigos e mostrar o poder mágico que nenhum pokémon possui. Stranger Things está mais do que recomendado.

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