Papo Torto
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Don’t Believe the Hype! E como isso se aplica no cinema!

Publicado:   junho 22, 2016   Categoria:Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Jota1

Neste final de semana fiz uma coisa rara nos últimos tempos: Assisti a dois filmes. O aclamado e oscarizado “Onde os fracos não tem vez” dos irmãos Ethan e Joel Coen, (2007) no sábado. No domingo foi a vez de “Horas de Desespero” (2015) que, ironicamente, também foi roteirizado e dirigido por dois irmãos: John Erick Drew Dowdle. A semelhança entre os filmes acaba aí.

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Anton Chigurh (Javier Bardem). Fonte: Internet.

Assisti “Onde os fracos não tem vez” com vontade. O filme mega elogiado levou 4 Oscars, incluindo “Melhor Filme”, além da atuação magistral de Javier Bardem – Que levou o Oscar como Ator Coadjuvante – como o assassino implacável Chigurh (Leia-se “Sugar”). O filme começa com belas cenas do deserto texano, onde conhecemos Llewelyn Moss (Josh Brolin) e meio sem querer acha uma mala com dois milhões de dólares num local onde uma transferência de drogas deu errado. É claro que ele pega a mala, e também sabe que irão atrás dela. Logo manda a esposa para a casa da mãe e ele cai na estrada. Chigurh está na cola dele e a perseguição é de tirar o fôlego até os 10 minutos finais…

Como li por aí, muita gente atribui a figura do xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) como um expectador de toda a situação. Durante o início do deserto nós o ouvimos falando sobre como eram os crimes de antes e os crimes de hoje, e durante o filme ele dá pitacos sobre a situação que se desenrola e termina o filme (sem spoiler nenhum aqui) se aposentando, sinal que ele dá durante todo o filme. Mafia, psicopatas, tráfico, essas coisas pesadas não são mais pra ele, fazendo o título “No Country for Old Man” fazer bastante sentido, como é a obra no qual o filme se baseia, de Cormac McCarty. A Lola fez uma análise bem mais detalhada do filme e expõe também os pontos que me decepcionaram nele. Se já tiver visto, dá uma olhada lá!

Como Lola mesmo diz: “Um grande filme… Até a metade.” E é isso mesmo! O filme segue nesse clima de perseguição implacável, a fotografia inteligentíssima não deixa cair no clichê de jogo de gato e rato, a coisa parece complicar e realmente te prende o fôlego. Mas quando o filme parece que terá o seu plot twist de te matar de vez, ele tropeça, e tropeça FEIO!

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Xerife Ed. Tom Bell (Tommy Lee Jones). Fonte: Internet

O filme acerta em cortar algumas coisas do livro, porém, depois da metade, há coisas que soam, ou jogadas a toa, ou sem muita definição, como se o filme tivesse se tornado um trem desgovernado. Carlson Wells (Woody Harrelson) entra e saí da história sem nada acrescentar nela, só complicar, num primeiro momento. Uma pena, pois é um ator tão bacana e ver um personagem assim jogado no filme não parece ser coisa de diretores tão aclamados quanto os Irmãos Coen. O questionamento da adoração dos diretores se dá também, numa cena fatídica: O Xerife Ed Tom chega no local do crime – não vou contar mais para não dar spoilers – e Chigurh está escondido no que parece ser atrás da porta, porém, Ed vasculha o quarto e nem sinal de Chigurh. Onde raios ele está escondido?! O cara é um assassino implacável, matou 90% do elenco do filme e precisa se esconder de um xerifezinho com o pé na terceira idade? Da mala então, nem vou falar! Daquela batida de carro sem necessidade alguma, puts! Daí para o final, o filme só desaponta e a gente se vê imaginando formas bem mais legais de como ele poderia ter terminado ao invés de uma conversa fiada…

No domingo, ainda desapontado com “Onde os fracos…“, fui jantar na casa de um casal amigo e eles soltam a frase que eu adoro: “Cara, você precisa ver esse filme!” E na tela da TV ele coloca: “Horas de Desespero” (No Scape – 2015). Um filme com um título desses, que aparece numa fonte vermelha tipo filme de terror B na tela, mas que conta com Owen Wilson e um quase irreconhecível Pierce Brosnan, já aguça pelo menos a curiosidade.

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Cara, é um suspense cabuloso! Engraçado é que a gente está acostumado a ver o Owen Wilson fazendo comédia, e o Pierce Brosnan remete ao 007, então a gente supõe que será uma ação com pitada de comédia, sei lá?!” Disse meu brother e imagino que é o que todos pensam ao se deparar com o filme, mas não é nada disso, é muito melhor!

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Hammond (Pierce Brosnan). Fonte: Internet.

Antes do título do filme, em vermelho sangue, uma cena rápida que, como diria Calvin CandieSe antes tinha a minha curiosidade, agora tem a minha atenção“. Então somos apresentados a Jack Dwyer (Owen Wilson) sua esposa Annie (Lake Bell) e suas duas filhas. No mesmo avião e no assento atrás deles, um misterioso Hammond (Pierce Brosnan) no qual logo suspeitamos que veremos mais adiante no filme.

Jack e sua família chegam numa cidade não muito esclarecidamente dita da Asia. Ele é empregado de uma empresa de saneamento de água e desde o desembarque no aeroporto, que mais parece uma feira – ele não é recepcionado por ninguém da empresa e se instala com a sua família num hotel da cidade. Num rolê pela cidade em busca de um jornal, ele se vê no meio de uma guerra civil desenfreada e tudo o logo quer é voltar para o hotel para buscar sua esposa e filhas. No entanto, Jack percebe que não só faz parte de tudo o que está acontecendo, como também está na mira dos guerrilheiros. Começa então uma caçada implacável!

Jack (Owen Wilson), Annie (Lake Bell) e suas filhas. Fonte: Internet.

O filme tem um ritmo matador! O bom uso da handycam vale o destaque e cada passo é dado com tamanha cautela. Mesmo depois de saírem do hotel, que foi tomado pelos guerrilheiros, o clima claustrofóbico continua. E a saída do hotel acontece com uma cena tão foda, tão desesperadora, tão incrível, que nos faz se imaginar naquela situação e se teríamos fôlego para tomar uma atitude daquelas. A fácil assimilação com o caos que se instala é automática, pois ali o perigo é real, é uma situação que pode acontecer – e acontece – com muitas pessoas e por isso a gente se pega totalmente assustado com o que vê, diferentemente de quando a ameaça do filme são monstros ou zumbis.

A resposta para tudo o que está acontecendo logo surge e deixa claro o motivo da perseguição de Jack – e também dá certa razão para a população ter se revoltado daquele jeito. Para Jack, sair dos limites da cidade é a única salvação, mas a caçada segue firme, com mais cenas de tortura onde você pensa: “Agora não tem jeito, vão serem pegos!” até o final do filme, onde você pode voltar a respirar. O fato do diretor John Erick Dowdle ter um histórico de filmes de terror, deixa muito claro quanto a sua capacidade de fazer um clima de caça a sobrevivência do que um simples filme de ação. Um filme que te prende do início ao fim. Termina como você já espera que termina, mas é como uma roda gigante: Você sabe que chegará ao destino final, mas o percurso é que torna o brinquedo tão legal.

Segue o trailer abaixo, mas se eu fosse você, assistiria ao filme sem assistir ao trailer…

O filme teve um orçamento de 5 milhões de dólares, uma mixaria para as produções atuais. Passou discreto pelos cinemas e na maioria dos sites que pesquisei, é tido como “Bom”, “legal” e outros adjetivos medianos. Não é nenhuma obra prima, claro. Mas é um filme competente, com enredo fácil, atrativo e um suspense de tirar o fôlego. Diferentemente de “Onde os fracos…” é um filme que cumpre o que promete. Melhor, Cumpre sem te prometer muita coisa. É bom demais ser pego de surpresa por filmes assim, do que ir com toda a sede numa super-produção que acaba sendo desapontadora. Filmes tem que contar boas histórias! Isso é essencial! bela fotografia, elenco e o escambau não são nada sem uma boa história! É como diz o título do post: Não acredite – ou pelo menos, desconfie – do Hype! Esse nomezinho chato que está fazendo muita super-produção de hoje em dia desapontar a galera.. CUIDADO, e bons filmes! 🙂

 

 

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5 Comentários

22 de junho de 2016
Olha... eu também não curti "Onde os fracos...." como normalmente acontece com os filmes que ganham oscar de melhor filme, esse deixa um sentimento de: "ta, íai?" esse outro eu não assisti não sou o público alvo.
22 de junho de 2016
Fiquei com o mesmo sentimento que você man. Filme que acaba mas não termina. Assista o outro. Aposto que vai gostar!
22 de junho de 2016
Verdade, é uma bosta ir no hype e no final se deparar com um quase lixo(Guerra Civil). E é raro achar filmes que te surpreendem sem fazer muito alarde(Warcraft). E viva a diversidade e as surpresas!
23 de junho de 2016
kkkkkkkkkkkkk bicha má! Viva!
[…] Horas de Desespero (2015) […]
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