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Dissecando o álbum: Eminem – The Marshall Mathers LP. O álbum definitivo do Mc de Detroit.

Publicado:   junho 15, 2016   Categoria:MúsicaEscrito por:Jota1

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Depois do EP “Infinite” (1998) e com “The Slim Shady LP”(1999) O jovem Marshall Mathers – mais conhecido como Slim Shady, como sua persona psicopata e usando o nome artístico de Eminem (Um trocadilho com as suas iniciais M and M, MnM) – já havia conquistado uma fama considerável, assinando por uma gravadora grande, tendo Dr.Dre como um dos principais mentores e ganhado até um Grammy com o álbum anterior. Estava tudo correndo bem para o MC de Detroit. Mas com a fama, veio às críticas e acusações de homofobia, racismo, misoginia, violência contra animais e todas as espécies que você possa imaginar. Com “The Slim Shady LP”, Eminem também havia despertado a ira da sociedade americana. Um rapper branco entrando na casa dos adolescentes americanos de classe média, como uma metralhadora de palavrões era demais, numa época em que as boys bands mela-cueca dominavam o cenário pop. Eminem era uma antítese a tudo isso, e a mídia adorava!

A resposta veio rápida e em caráter pessoal. A decisão de intitular o próximo álbum de estúdio como “The Marshall Mathers LP” (2000) logo deixou claro que esse seria um álbum mais intimista e pessoal, porém isso não significa que a persona de Slim Shady não estivesse presente. Entre os excessos da fama, as tentativas de censura em suas letras, assédio dos fãs e os milhares de processos que respondia (até a própria mãe o processou), Eminem também põe pra fora os demônios que acompanham sua adolescência e juventude. Abandonado pelo pai, com uma mãe que usa drogas, espancado na escola, uma namorada usuária de drogas…

Dissecando o Álbum.

O álbum começa com “Public Service Announcement” Onde Em´ deixa claro qual é a sua parcela de culpa ao embarcar no seu circo de horrores pessoal: Slim Shady não tá nem aí pro que você pensa. Se você não curtiu, pode ir chupar o pau dele. Ao comprar este disco, você acabou de beijar sua bunda. Slim Shady tá de saco cheio das suas merdas, e ele vai te matar. É como um filme de terror em que você sabe que não deveria assistir, mas você QUER assistir.

BUM! Logo de cara temos “Kill You”, produzida por Dre e o companheiro de Eminem, Mel-Man, com um beat quebrado e a narração de Eminem sobre como estupraria a própria mãe, arrastaria seu corpo pela floresta e como ele brilhantemente ria dos críticos: “Isso mesmo, trouxa, e agora é tarde demais. Tenho três discos de platina e a tragédia já rolou em dois estados”. Quanto mais era criticado, mais rico e famoso ficava. Essa era a piada!

Então vem “Stan”. Car@$*&lho!! É o que logo de cara vem na nossa cabeça com essa faixa. Liricamente genial e com o refrão da cantora Dido, que já pregava na cabeça de todo mundo, Eminem narra a história de um fã perturbado que sequestra a namorada grávida e, puto por não ter suas cartas respondidas, joga o carro de um penhasco com a namorada no porta-malas. Era uma resposta de Eminem ao assédio doentio dos fãs, e como isso parecia ter se tornado algo descontrolável. A revista Q magazine a declarou como o melhor rap de todos os tempos, a faixa ocupa a posição de 290 entre “As 500 melhores músicas de todos os tempos” da revista Rolling Stone e Eminem foi capa da revista The Source, a maior revista dedicada ao rap do mundo. Um clássico imediato que, somente como single, foi classificado com platina nove vezes!

Depois de uma lapada dessas, um skit, onde Paul Rosenberg, empresário musical que trabalhou com Eminem e Co-Fundador da Shady Records, diz que ouviu o álbum, mas ele é tão irritado, revoltado que só resta a dizer “Fuck it!”. “Who Knew” mira nos críticos e família que o acusaram de incitar a violência em seus filhos. Faixa brilhante! Tem beat da dupla Dre/Mel-Man que quase sempre rola nos seus shows e é um FODA-SE gigantesco pra que os críticos. Ele lembra que foi um garoto mais pobre e fodido que você (ouvinte) e que a violência está presente na tv e no cinemas e porquê só agora resolveram implicar com ele? “Caralho! Quanto mal pode-se fazer com uma caneta?!”

Logo em seguida, mais um skit com o empresário Steve Berman onde ele paga um sapo para o Eminem por que uma gravadora grande o mandou enfiar o disco no rabo: “O Álbum de Dre fez sucesso por que ele rimava sobre Tv´s com tela grande, blunts, 40´s e putas. Você rima sobre homossexuais e Vicadin (Narcótico)”, então, num storytelling muito bem bolado vem à faixa que é obrigatória de todo rapper que faz sucesso, expondo a forma como a fama é assustadora e pode pirar a cabeça de qualquer um. Produzida pelo próprio Eminem, “The Way I Am” é um quase apelo para que os fãs o deixem pelo menos dar comida a minha filha(…) Eu não te conheço e não, eu não te devo porra nenhuma. Eu não sou o Sr. N´Sync, não sou o que os seus amigos pensam. Não sou o Sr. Amigável, eu posso ser um babaca. Deixando claro que, ao contrário do que a mídia pregava. Eminem podia sim, exercer uma má influência na legião de fãs fanáticos que surgiram numa velocidade absurda, mas ele não tinha interesse nenhum em influenciar ou ser um modelo para a molecada.

O clipe de “The Way I Am”, tem a participação de Marilyn Manson, que depois gravou uma versão remix dessa música.

O carrossel dos horrores continua com “The Real Slim Shady”. Se até aqui o álbum já era um clássico imediato, com mais essa faixa, que foi lançada como single uma semana antes do lançamento do álbum – reza a lenda que ela foi incluída de última hora, antes de o disco ser lançado – Eminem ataca diretamente o Top40 da Billboard: Will Smith, Britney Spears, N´Sync, Christina Aguilera… Toda a turma pop que estava fazendo sucesso foi atropelada por Eminem (Até Dr. Dre “morre” na faixa). A música estourou nas rádios, ganhou clipe e vários prêmios, incluindo o MTV Video Music Awards de “Videoclipe do Ano” e “Melhor Vídeo Masculino”, além do “Grammy de Melhor Performance de Rap Solo”. Tá bom pra você?

A bagaceira continua com “Remember Me?” com a participação de RBX e Sticky Fingaz do ONYX. Faixa suja, pesada, as rimas são vomitadas e falam sobre “putas lésbicas”  “mãe estuprada”, “foder as minas sem camisinhas” e por aí vai. As rimas são cheias de trocadilhos e referências e muitos fãs se pegam decifrando cada rima e cada punchline do Mc. “I´m Back” segue quase na mesma levada, mostrando que mesmo com um Marshall Mathers encarando as consequência da fama (realidade), Slim Shady só queria zoeira: “Se um dia eu me mostrasse para alguma cantora do showbiz, seria Jennifer Lopez, E Puffy (Daddy) você sabe disso! Eu lamento Puffy, mas eu tou pouco me fodendo se ela é  minha própria mãe, eu foderia com ela sem camisinha e gozaria dentro dela e teria um filho e um irmão novo ao mesmo tempo”. Isso num verso que começa fazendo referência ao acontecimento dos tiros na escola em Columbine. Mesmo na versão “Dirty” do álbum as palavras “Kids” e “Columbine” foram tiradas do verso.

O atropelamento desenfreado dos artistas pop, críticos e familiares falsos que tentaram se aproximar de Eminem depois de famoso continua em “Marshall Mathers”, produzida pelos Bass Brothers –  Mike e Jeff Bass, irmãos produtores de Detroit que acompanharam a carreira de Eminem e o acompanham até hoje, produzindo várias faixas. Inclusive, Jeff é quem faz o “Public Service Announcement” que abre o álbum – É uma faixa mais peito aberto do mc. “Só vejo bixinhas em revistas sorrindo, o que aconteceu que éramos tão maus e violentos? O que aconteceu com os bons e velhos tempos em que a gente batia nas pessoas, pegava seus tênis e agasalhos e bonés?” Lembrando-se de um tempo que  Mcs eram maus e não popstars como hoje em dia.

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Após o som, outro skit para dar uma respirada – ou quase isso. “Ken kaniff” é um personagem que aparece em quase todos os seus álbuns. Trata-se de um estuprador homossexual com inclinação a pedofilia, e aqui, serve como uma zoação com o grupo Insane Clown Posse, de Detroit, como se eles estivessem o chupando. “Drug Ballad” é uma ode ao seu crescimento usando drogas e bebidas. Viajando e ficando chapado como se não houvesse amanhã. Faixa mais fraca do disco.

No restante do álbum, Eminem usa as demais faixas para passar um pouco da rotinas da sua quebrada em “Amityville” com a participação do Bizarre, do grupo D12, no qual Eminem é um de seus membros. Logo depois vem a faixa mais West Coast do álbum: “Bitch Please II” com participações de Snoop Dogg, Nate Dogg, Xzibit e Dr. Dre, este último que produziu a faixa.

Mas a insanidade não parava por aí. Em “Kim” ele conta como matou a esposa, cortando a garganta dela por causa da traição dela. “Juro por Deus, eu te odeio! Oh meu Deus… eu te amo!”. Eminem conheceu Kim na adolescência, se casaram duas vezes e ela é mãe de sua filha Hailie e é claro que Kim processou Eminem por difamação por causa dessa música.

Em “Under the influence” Eminem e seus parceiros da D12 tocam a música em que o refrão “Então você pode chupar minha rola se você não gosta da minha merda/Por que eu estava doidão quando escrevi isso, então chupa, minha rola!” é muito cantado nos shows, com cocaína no ar, bebidas e seios a mostra, super normal.

O álbum fecha com “Criminal” onde o restante das balas tinha que acertar em mais alguém: “Minhas palavras são com um punhal com dentes/ Que vai apunhalar sua cabeça, se você é bicha ou lésbica/Ou homossexual, hermafrodita ou travesti/De calças ou vestido, se eu odeio viados? A resposta é ‘sim’.” E vai tocando a faixa, dizendo como as pessoas veem tudo o que ele escreve como um crime, mas isso por que mamãe “usou drogas, anfetamina, licor e cigarros/O bebê surgiu, desfigurado/Semente que crescia tão louco contra ela/Não ouse zoar esse bebê pois era eu”.

O movimento LGBT Aliança Gay e Lésbica Contra a Difamação (GLAAD) se manifestou contra o conteúdo homofóbico nas letras de Eminem, e em 2001, o Mc se apresentou com Elton John na cerimônia do Grammy e A Entertainment Weekly colocou isso como um dos principais pontos da música na década, afirmando: “Foi um abraço que se ouviu ao redor do mundo. Eminem, que compõe letras homofóbicas, dividiu o palco com um ícone gay para a apresentação de ‘Stan’, fato que foi memorável em qualquer contexto” No entanto, no lado de fora do evento, o GLAAD fazia um protesto contra Eminem.

The Marshall Mathers LP back

Durante a primeira semana, o álbum vendeu 1,760,049 de cópias, transformando no álbum de rap mais vendido da história, mais que dobrando o número de vendas do de estréia de Snoop DoggDoggystyle e o de Britney Spears que era o primeiro em vendas na primeira semana de um artista solo. “The Marshall Mathers LP “ é o álbum mais vendido de Eminem, terminou o ano 2000 com mais de 7.9 milhões de cópias vendidas, alcançou 9x Platina em 2007 e Diamante em 2011. No total vendeu 22 milhões de cópias no mundo todo.

No ano seguinte Eminem lançou “The Eminem Show“, que também ganhou Grammy, foi o álbum mais vendido de 2002 e catapultaria a carreira do Mc. É um bom álbum, mas não possui o frescor aqui apresentado, e as críticas e rimas raivosas pareciam mais provocação gratuita.

Em 2013, depois de muita especulação e espera, Eminem lançou “The Marshall Mathers 2“. Um álbum até interessante e muitos acharam o título curioso, pois já haviam se passado 10 anos e depois de dois álbuns medianos (Recovery e Relapse) esse título poderia ser uma forçada de barra. Mas há faixas interessantes como “Bad Guy” no qual supõe uma vingança de Stan contra Eminem, e a faixa termina como se o fã tivesse voltado a tona e seria uma espécie de karma representando todas as pessoas que Eminem insultou ou agrediu. Uma puta faixa que mostra o poder lírico do Mc. Além de “Rap God” que é uma obra de arte complexa e cada palavra de cada linha tem um significado, mas num todo, um álbum médio.

Gravadora: Aftermath, Interscope.
Produção: The 45 King, Bass Brothers, Dr. Dre, Eminem e Mel-Man
Duração: 72min14s

Visualizacões:   233   Comentários:   1   Curtidas: 0

1 Comentário

3 de Abril de 2017
Pretty nice post. Thank you so much!
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