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#SextaTorta – Por que não ouvimos mais Ska?

Publicado:   Maio 20, 2016   Categoria:#SextaTortaEscrito por:Jota1

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Primeiramente, é bom deixarmos claro o que é o Ska. Mesmo que seja complicado explicar, por conta da riquíssima influencia do Ska em tantos outros gêneros musicais, é impressionante como do Ska, surgiram gêneros como o Reggae (sim, também achava que era o contrário) e o Rocksteady atééé o Punk Rock e a culminação com o Hardcore, gerando o Ska-Core.

O Ska nasceu na Jamaica nos anos 50 como um gênero que mesclava Mento, Calipso e demais ritmos caribenhos, com o Jazz e Rhythm and Blues, sendo a influência americana no gênero. A banda que definiu o estilo e é justamente conhecida como a fundadora do Ska é a jamaicana Skatalites (Foto acima). Em dois segundos ouvindo a banda você já se apaixona pelo gênero e saca de vez o que é o Ska. E como tudo que vem do Pai Jazz é bom para os ouvidos, o Ska logo migrou para outros países com a ajuda da explosão do rádio e da segunda guerra mundial. O ritmo caribenho com as características do jazz, como instrumentos de sopro e metais ganharam o Reino Unido e, mais tarde, os Estados Unidos.

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Mais estilo impossível: The Specials!

O Punk já havia flertado com o Ska na década de 70/80, na Inglaterra, com bandas como The Specials e The Beat. Período que gerou a segunda geração do Ska, conhecida como Two Tone (Nome da gravadora do tecladista do The Specials: Jerry Dammers) As letras que focavam na desigualdade social e preconceito racial – muito forte na Inglaterra, na época –  assim como o Reggae.

Então daí, surgia um amalgama que num primeiro momento parecia heterogêneo por conta da sonoridade rápida e gritada do punk, mas da década seguinte, o The Clash (No vídeo abaixo, fazendo um cover do The Specials) parece ter chegado ao equilíbrio perfeito entre o Punk e o Ska. Nascia então, a terceira geração do Ska, e muitas outras bandas seriam influenciadas até chegarmos aos anos 90, onde surgiu o sub-gênero em que me fez se apaixonar pelo Ska e com certeza é o mais lembrado por todos: o Ska Core!

Aaahhh os anos 90!! Cara… É até difícil listar as inúmeras bandas que beberam do Ska-Core nessa década. As bandas que queriam misturar a velocidade do hardcore, com a sonoridade divertida do Ska com seus metais e trechos mais cantados, viram muitas possibilidades. A popularidade foi imensa nas rádios e o som foi definido como a vibe perfeita do verão californiano.

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No Doubt

Pensando rápido, podemos listar: NOFX, Less Than Jake, Rancid, Reel Big Fish, Millenconlin, Goldfinger e claro, No Doubt, que ganhou um grammy e tinha o carisma singular da vocalista Gwen Stefani. Mas a banda mais lembrada – inclusive por um álbum póstumo, que completa 20 anos neste mês de maio – é a infalível Sublime.

Sublime tinha o equilíbrio perfeito entre as sonoridades do ska e do punk/hardcore – sem parecer querer fazer som de zueira, como algumas bandas faziam, simplesmente enfiando trompetes no meio da música – e ainda tinha o vocalista e guitarrista Bradley Nowell infelizmente morto pouco depois de o álbum ser lançado, como bem lembra o TMDQA!

O álbum todo é genial e indispensável naquela festa onde vê reúne seus brothers que curtiam um rolê de skate pra tomar umas. O hit do álbum “Santeria” é uma daquelas músicas que TODO MUNDO gosta. Sabe? Tipo “Is this Love” do Bob Marley? Pois é. Faça a prova qualquer dia. Na festa da sua família e outros lugares, “Santeria” é hit indispensável – Sua cunhada vai te perguntar: “Essa não é aquela música da Claudia Leitte?”. Disfarça e tenta segurar o vômito. 😉

O fato de este hit ser de um álbum póstumo da banda, o hardcore ter praticamente morrido quando as bandas mainstream abraçaram o Emo no novo milênio (ainda lembro-me do desgosto de “american idiot”) e a Gwen Stefani ter se lançado na carreira solo, fazendo um som mais pop, são um dos motivos de o Ska ter “falecido” pelo menos nos EUA.

No Brasil, o Ska teve seus momentos na Jovem Guarda, mas o som não parecia ser relacionado com ska. Nos anos 90, muitas bandas surgiram, com destaque para Skaamundongos e Skuba, e tinham boas execuções nas rádios e na MTV, quando esta ainda prestava. Outras bandas não necessariamente de Ska, beberam do gênero em seus hits, com destaque maior para Paralamas do Sucesso e Skank. Titãs, Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Los Hermanos, Engenheiros do Hawaii e até Raimundos tem pelo menos uma música voltada pro Ska. Com aquela guitarrinha marcando e os metais ao fundo. Tudo nos anos 90, a melhor década musical de todos os tempos meu caro…

Hoje em dia o Ska-Core virou aquele gênero nostálgico que rola nas festas e todo mundo faz aquela cara de: “caraaaaaalhhhh esse som é demais!! Ô época boa… Minha adolescência…” e é impressionante como um gênero que tomou de conta as rádios no anos 90 – parece ontem!?! – parece que sumiu hoje em dia. Difícil achar uma banda que esteja na ativa e isso parece que acontece com todo o Rock Nacional no geral. Mas, como bem sempre me lembra meu camarada Tony Tals, a gente tem sempre que cavucar no Underground para achar as bandas boas que se mantem firmes no seu som. Sem preocupação com gravadoras ou público. É lapidar o diamante mesmo!

Enfim, fique com a minha pequena seleção de Ska-Core abaixo e espero que ela toque bastante no seu rolê de final de semana, além das três pérolas que estão mais acima no post.

É impossível definir o som do Planet Hemp mas, amantes do Ragga, é claro que o Ska estaria presente nos seus sons.

Como eu amo essa versão de “Take On Me” do A-Ha pelo Reel Big Fish!!

Sublime de novo, mas recomendo mesmo o álbum todo!

MANO DO CÉU!! ATÉ SKA ASIÁTICO TEM VEEEIOOO!!!

Saudades Amy! talvez a última artista mainstream que abraçou o Ska. <3

A diva master Sharon Jones e sua banda The Dap-Kings dos EUA – Banda que acompanhou a Amy Winehouse nos shows! dando a vibe mais R&B e Soul no som. Mas a essência do Ska percorre toda a música.

Skank é demais… Não podia faltar!! <3

“Me Lambe” foi uma das músicas dos Raimundos que fizeram muito sucesso e tem toda a vibe Ska-Core!

Não podia faltar a primeira banda a tocar Ska no Brasil. Mesmo sem os metais característicos, Inocentes, há 30 anos atrás abraçava o Ska no seu som Punk. Basicamente e sem exagero, o nosso The Clash brazuca.

 

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2 Comentários

20 de Maio de 2016
Moveis Coloniais de Acaju. Banda aqui de Brasília que se aproxima muito do que foi esse gênero.
20 de Maio de 2016
Verdade mano!! Vacilo meu não tê-los incluído. Na verdade eu conheço bem pouco deles. Irei ouvir! =]
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