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“A Bruxa” ganha destaque no cenário de filmes de horror

Publicado:   Maio 18, 2016   Categoria:Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Letícia Cotta

Seja bem vindo, mais uma vez!

Você tem um tempinho para ouvir a palavra do bode d’A Bruxa?

 

Poster de divulgação de "A Bruxa".
Poster de divulgação de “A Bruxa”.

Muitos espectadores, depois da sessão no cinema, ficaram confusos quanto ao significado do longa metragem – que causou muito burburinho por aí, com notícias sobre pessoas que saíam da sala passando mal e/ou sem entender nada. Essa “divulgação” trouxe ainda mais gente às salas, e gerou expectativas aquém da proposta no enredo.

A Bruxa, que se passa em 1630, conta a história de uma família de New England que é acometida por forças de magia negra, possessão e bruxaria.
Em livre tradução do IMDb.

Antes de mais nada: saiba quais as características de um filme de horror. Em suma, são classificados como terror aqueles que dominam a arte de dar prazer em se sentir o medo – há quem diga, como no artigo vinculado, que “um bom filme do gênero é aquele que consegue expressar, de maneira convincente, a contraposição entre o tradicional e a originalidade, ou seja, o velho susto dado de uma nova maneira”.

 

Poster de divulgação de Witch.
Poster de divulgação de “A Bruxa”.

No vídeo acima, temos uma prévia da proposta de roteiro feita por A Bruxa.

 

CUIDADO: A PARTIR DAQUI, PODEM EXISTIR SPOILERS AOS QUE NÃO VIRAM O FILME.

É de fácil reconhecimento que a família do filme faz parte do chamado “Povo Amish“, conhecidos por serem aversos às tecnologias e terem uma série de subcategorias, que abrangem um leque de opções que vão desde os mais conservadores aos considerados mais liberais – para seu estilo de vida.

E isso, por si só, já explica muita coisa sobre o filme.

O Povo Amish é conhecido por achar “bruxaria” todo tipo de tecnologia ou ausência de pudor, bem como piercings, tatuagens, gravidez fora de casamento e afins.  Inclusive, existe até um programa na televisão a cabo sobre isso. Pois bem, uma crítica fácil de se fazer, e que muitos não entenderão da mesma forma que não entenderam o filme: ele fala, em metáforas, sobre a liberdade que uma menina Amish busca – e sobre como a família dela considera isso heresia: desde o início das descobertas sexuais, por parte das crianças, até a visão sobre petulância e imaginação excessiva das crianças mais novas.

Poster de divulgação de "A Bruxa".
Poster de divulgação de “A Bruxa”.

É claro que nada disso explica a morte de todas as personagens no final.

É claro que também não explica a “alucinação coletiva” por completo. Ou explica, vide a época da inquisição?

Um bode, atualmente, poderia muito bem também matar uma pessoa – se estivesse estressado o suficiente. Um coelho poderia muito bem ser amedrontador se aparecesse, coincidentemente, no mesmo local –  assim como um corvo atualmente é visto como “mau agouro”.

E aos que não entenderam a última cena: é justamente aquela ausência de pudor que mostra o florescer da adolescência, ou do próprio mundo moderno – como o caso dos nudistas (o conceito de pudor foi inicialmente instaurado pelo cristianismo, inclusive). Ou uma simples ideia que explique o conceito e efeito das drogas, álcool e afins.

No final, “A Bruxa” consegue cumprir seu papel: fazer o espectador refletir sobre sua mensagem, uma vez que cada pessoa o absorveu de forma diferenciada, e permanecer sob o mistério de uma cultura silenciosa, que insiste em permanecer.

Visualizacões:   119   Comentários:   4   Curtidas: 0

4 Comentários

Tyler Rock
19 de Maio de 2016
Conferi A Bruxa na estreia e posso afirmar que um filme de terror (como foi classificado) com esse teor divide mesmo as opiniões. Vi gente saindo do cinema dizendo "não estou me sentindo bem" e em contra partida ouvi "que filme mais bosta". O caso é que ao ouvir a palavra terror/horror, as pessoas normalmente se nutrem de expectativas sanguinárias e decapitações por monstros. NÃO em A Bruxa. O filme é pesado ao ponto de fazer com que o telespectador sinta que está fazendo algo errado ao assistí-lo. Passei alguns dias pensativo após a sessão. Excelente ponto de vista, Letícia. Parabéns!
19 de Maio de 2016
Tou doido pra assistir. Parece que deu uma renovada no gênero.
19 de Maio de 2016
Afinal, da medo ou da nojo?
19 de Maio de 2016
Nenhum dos dois! :P depende da sua interpretação do filme... eu me senti meio "indesejada"
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