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Porque “As Meninas Super Poderosas” foi um dos desenhos mais revolucionários dos anos 90

Publicado:   março 28, 2016   Categoria:Anime/Desenho Animado , Feminista , Old But Gold , Opinião , TV , Vale o cliqueEscrito por:Letícia Cotta

Bem vindo de volta aos anos 90, caro visitante Papo-Tortense! 

Você já deve saber do renascimento do desenho das PowerPuff Girls (no Brasil: As Meninas Super-Poderosas) no dia 4 de Abril (naquele canal que começa com C e termina com K), nesse lindo aninho que tem sido 2016, claro (se não souber, clique aqui). Mas, se for da nova geração, provavelmente não sabe do passado maravilindo que tiveram, então aqui vão algumas explicações (e não listinha, já que acho muito superficial para um desenho com tanto tempo de existência e com um público tão fiel) do porquê exatamente foi um dos desenhos animados mais revolucionários já criados (e transmitidos em rede nacional, no Brasil).

The Powerpuff Girls (em tradução livre: “As Garotas Super-Poderosas”). Fonte: Cartoon Network.

Só para começar: em meio à um cenário dos anos 90 LOTADÍSSIMO de desenhos para meninos, um desenho com três protagonistas femininas já é uma revolução por si só. Mas mais revolucionário que isso é o fato delas terem sido criadas justamente nesse final de década, e início dos anos 2000 – uma época onde ainda se via a mulher como dona de casa, e o início de seu progresso ao cenário de trabalhadora, à nova luta de direitos)!

Enquanto “lá fora” falavam que menina não podia sentar torto (que tinha que “sentar, brincar, pular, se vestir, como menina” e derivados), lá dentro da telinha se via a Docinho (Buttercup, no original) brigando contra todos esses estereótipos e regras; a Florzinha (tradução de Blossom) mostrava sua inteligência e capacidade de liderança (contrariando a então idéia de que mulher só era bem vista como freira ou professora, por exemplo, no quesito de transmitir sabedoria), e a Lindinha (Bubbles) mantinha a inocência da infância – muitas vezes corrompida e quebrada pelos afazeres que sempre justificaram o porquê da frase “as mulheres amadurecem mais rápido”.

(Se alguém souber o autor dessa imagem, avise-nos!)
The Powerpuff Girls (em tradução livre: “As Garotas Super-Poderosas”). Fonte: internet.

Lá fora, onde o pai pegava a cinta para bater na filha e a mãe era trancada numa jaula (de passar, lavar, cozinhar, cuidar, criar, de ser casada – porque ser solteira era errado se já tivesse filhos…), era uma realidade completamente diferente do mostrado na TV: ali, víamos Professor Utônium (cientista que criou não-tão-acidentalmente-assim as três menininhas dos olhos grandes e que se vestia de mulher direto no desenho) executar todas as tarefas até então mantidas no papel somente da mulher.

E caso você não se lembre (ou não saiba), existe até um episódio em que falam do então ressurgido “Poder Feminino”: quando o Capitão América fala que todas as coisas importantes e de herói eram feitas pelos homens, que não existia uma sequer heroína (além da Mulher Maravilha) que fosse útil como as três (e que elas eram só crianças, jovens demais para entender tudo aquilo), e ele (in)felizmente acaba por perguntar “Mas quem lava as suas roupas?” e três “O papai!”. Surpreendido, ele continua: “E quem passa as roupas?”, então o uníssono “O papai!”. Irritado, ele então pergunta: “Então quem põe o lixo pra fora?”. Todas apontam em uma direção e: “A Lindinha!” (mostrando que as tarefas não são determinadas só pela força bruta, e que algo delicado não significa fraco)

Professor Utonium (que pra quem via dublado sempre foi “UTÔNIO”). Fonte: internet.

Enquanto víamos nossos amigos “diferentes” (por diferentes, subentenda-se: gays, afeminados, andróginos, travestis, transsexuais, e toda essa minoria em especial) serem recebidos nas salas de aula aos risos (ou no intervalo, durante as brincadeiras… ou quando simplesmente gostavam da cor rosa), ali víamos o tão divertido e ao mesmo tempo assustador “Ele”. O engraçado é que não se referem ao personagem com outro nome (recordo-me, inclusive, de um dia estar na aula de inglês e lembrar que no desenho, durante os créditos, se escrevia “HIM” na tela, e perguntar à professora: quando ela respondeu, entendi o significado).

Isso fora o lerdo Prefeito de Townsville e a Srta. Bello (que nunca mostrou o rosto), que sempre ligavam para as meninas – já que somente a polícia local não conseguia lutar contra o crime de seres super-poderosos ou desvendar alguns mistérios. Mas um dos personagens mais importantes é a Professora Keane (vulgo “Srta. Kim”, no Brasil), que dá alguns valores importantes e é uma das poucas figuras que “dá castigos” e ainda as vê como crianças (que é o que sempre foram, ainda que crianças super poderosas) – fazendo o favor de auxiliar os telespectadores mirins uma noção de valores.

HIM (dublado: “Ele”). Fonte: internet

 

Não esqueçamos dos “Meninos Desordeiros” (Durão, Fortão e Explosão)! Eles foram responsáveis por mostrar o que elas seriam, se fosse um desenho-padrão de valores como os da época – e foram criados pelo Macaco Louco (a primeira experiência do Professor Utonium, que foi descartada quando acabou pendendo para o mal – e que morre de ciúme das meninas, daí o motivo de tentar destruí-las o tempo todo), que foi um dos poucos vilões de desenho a ter uma história tocante e mais humana na época (além de mostrar os efeitos “reversos” da ciência).

 

Macaco Louco. Fonte: Internet.

 

Paremos por aqui, caro Tortense! O motivo?
Como o post ficaria muito extenso, caso falássemos de tuuuuuudo “timtim-por-timtim” do desenho, resolvi dividir em duas partes (e dependendo do engajamento, publicarei a segunda)!

Clique aqui para ir direto às aberturas e músicas:

  1. Primeira abertura (1998-2000)
  2. Segunda abertura (Remake do 15°aniversário)
  3. Abertura do filme
  4. Abertura do anime
  5. Abertura nova (4 de Abril de 2016)
  6. “Só o amor faz o mundo andar”
Visualizacões:   70   Comentários:   1   Curtidas: 0

1 Comentário

Zina Alves
5 de setembro de 2016
Amei essa postagem! Sou muito fã do desenho e concordo em gênero, número e grau com você Letícia!
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