Papo Torto
Pular

Sr. Pau de pedra

Publicado:   Março 23, 2016   Categoria:Cronica torta , HumorEscrito por:Thiago Moskito

Não era por menos que todo mundo gostava dele, um cara cheio de alegria, muito eloquente, safado, piadista, e dizem, pegador. Dick Rocha. Tento não imaginar um pau de pedra agora…

Pois é, com um nome desse o cara não poderia ser um qualquer nesse mundão.

Dick era, com trocadilho, o pica do setor de social media. Os caras que com ele trabalhavam o adoravam e admiravam, pois suas piadas eram realmente engraçadas e suas cantadas quase sempre colavam.

No final da tarde da primeira sexta-feira de agosto, eis que surge um linda moça adentrando os corredores da firma, encaminhando-se até o RH para entregar uns papeis.

— A rádio peão informou que ela é a nova funcionária da central de criação. — Afirmou um colega.

Dick não aparentou surpresa, afinal, ele é um cara experiente e astuto. Passado uns vinte minutos, que indicava que realmente a moça estava sendo efetivada na empresa, ela saiu com seu rosto e corpo lindos, serpenteando por entre algumas mesas do escritório, esbanjando sua beleza latino-oriental.

Nesse mesmo dia, no boteco da 102 Sul, Dick ficou um pouco mais aéreo que o costumeiro. Bebericou, contou piadas, tocou violão e cantou, mas quem sacou, sacou, que Dick ficou meio balançado pela novata e desconhecida funcionária da empresa.

Após um longo final de semana, a segunda-feira começou agitada com uma queda nos servidores das aplicações móveis e uma breve parada nos serviços do Twitter, mas inda assim, não tirou a graciosidade da chegada da novata.

— Elis, certo? — Perguntou o cara do RH.

— Elis… — Começou ela.

— Elis, não quer se apresentar? — Interrompeu o insolente fulano no RH.

— Sim. — Continuou — Sou Elis. Elis Chung Alcântara.Tenho 26 anos e um nome nada típico — Disse sorrindo.

— Nome lindo, verdade. Não tanto quanto o meu! — Dick desferiu a cantada como uma piada e todos riram voltando aos seus afazeres profissionais.

Desse momento em diante, Dick não largou mais do pé da Elis, e cada dia era uma cantada mais ousada.

Os dias se passaram, as semanas e os meses, e dia após dia, Dick mandava uma pra cima dela.

— Quando que vamos assistir os clássicos de Star Wars? Sei que você gosta. — Falou com ar sedutor.

Ela sempre retrucava com educação.

— Não sei. Já vi todos eles várias vezes. Acho que.. fica pra próxima.

— Pra próxima vez?

— Não, Dick. Pra próxima vítima. — E saiu rindo.

Chegando o fim do ano, tradicionalmente, os setores e colaboradores mais animados organizam uma viagem coletiva para os amigos de trabalho. No geral, sempre é eleito um destino litorâneo, dessa vez não foi diferente, ganhou Recife.

Evidentemente que o Dick se prontificou em ir, e incrivelmente a Elis também se alistou. Dick iria com ou sem ela, mas ficar com essa garota era uma questão até de honra.

Nas férias coletivas de alguns dias, maior parte dos colaboradores embarcaram para Recife. Já na primeira manhã de praia, Dick dá de cara com a Elis no corredor, vestindo um biquíni fio dental, se é que podia dizer que aquilo vestia alguma coisa. Aliás, biquíni é igual avental de hospital, na teoria você está vestido, mas na prática está com a bunda de fora.

— Gostei da cor. Me desperta algo… Primal, viril e autêntico. — Disse Dick.

— Gostei da casa, me lembra a chácara da minha tia avó. — Respondeu pegando uma maçã. — Aceita uma mordida, Dick?

— Não vai doer, não é? Que tal uma lambida? — Perguntou rindo.

Ela apenas ignorou e saiu para sentir o sol beijar seu corpo e o mar lamber suas pernas.

Foram cinco dias penosos e o Dick não pegou ninguém, nem a Elis. Para finalizar as férias da turma, o pessoal do desenvolvimento esquematizou uma festinha de despedida. Som na caixa, muitas bebidas, todos ainda de roupa de banho.

No cair da madrugada, quando já estavam todos bem calibrados o Dick apareceu e mandou uma, duas, três, oito cantadas pra cima da Elis, que ficou apenas observando. Quando ele se preparava para mais uma, ela o segurou firme e arrastou para o primeiro cômodo próximo, o agarrou com muita força e o beijou, dizendo:

— Não era isso que você queria, Dick? Não era isso? Então pega, morde, aproveita!

Segurou na nuca dele, mordeu o pescoço, apertou o pau e… Infelizmente, o Dick saiu correndo grito pela sala:

— Ela é maluca, porra! Maluca!

No dia seguinte, a partida. Dick dormindo semi nu no meio da areia entre os quiosques e nenhum sinal de Elis.

Na segunda-feira os colaboradores que participaram da viagem para Recife, concluíram duas coisas: O Dick não era exatamente como aparentava ser e Elis tinha pedido demissão.

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3 Comentários

23 de Março de 2016
kkkkkk
23 de Março de 2016
Cara!!! Esperava qualquer final menos esse! kkkkkk Curti.
Dick
18 de Abril de 2016
Esse Dick é um cara sem jeito! E esse final foi o melhor twist de 2016!
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