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Crítica – A Garota Dinamarquesa

Publicado:   março 17, 2016   Categoria:Feminista , Filmes e séries , Internet , Música , Opinião , Vale o cliqueEscrito por:Letícia Cotta
DANISHGIRL
“The Danish Girl” (A Garota Dinamarquesa). Fonte: Internet.

“A Garota Dinamarquesa” é um dos filmes que o cartaz na porta de algum lugar te faz pensar “Pfff, mais um draminha clichê, com roteiro comum, o mesmo de sempre” – graças à face mais andrógina do Eddie Redmayne e por não fazer jus à profundidade do longa-metragem. No entanto, aos desavisados, o filme narra a história de uma mulher presa em um corpo de um homem, a primeira pessoa a realizar a cirurgia de readequação de gênero da história, assim nomeada Lily Elden.

Com uma introdução maravilhosa, intercalando-se entre uma trilha sonora extremamente delicada, e fotografias maravilhosas das paisagens pintadas posteriormente pelas personagens, o longa-metragem se mantém em ritmo lento, trazendo cada conceito ao espectador de uma forma singela (com uma preocupação notável em como a informação seria transmitida e readaptada).

Eddie Redmayne contracena com Alicia Vikander (que sinceramente acaba por roubar quase todas as cenas e atenções do filme, o que explica sua nomeação de vencedora do Oscar de “Melhor Atriz Coadjuvante”), esposa da protagonista, e enfeitiçam os espectadores – mostrando-lhes um amor puro, cheio de amizade e companheirismo, e duradouro.

A verdade é que o filme não está nem aos pés da verdadeira história de luta de Lily Elden, e parece perder toda sua força ao longo da produção feita. Eddie tem uma sensibilidade incrível, e o diretor é conhecido por preferir algo mais fotográfico que uma simples frase de efeito – onde detectei uma maravilhosa, que faz jus ao filme: “My life, my wife” (“Minha vida, minha esposa”).

"The Danish Girl" (A Garota Dinamarquesa). Fonte: Internet.
“The Danish Girl” (A Garota Dinamarquesa). Fonte: Internet.

A metade do filme se dá de acordo com um desespero contínuo da personagem (o que é extremamente compreensível), porém não mostra com o impacto correto o preconceito sofrido por homossexuais e transgêneros (ainda mais na época na época de 1900 de bolinhas!), e muito menos toca na questão de como a personagem lida com todo o conflito do eu externo x eu interno.

Mas quem somos nós para falarmos pelos transsexuais? De toda forma, com esse olhar específico desse público, o filme também não foi uma boa obra – apesar de ser um dos pouquíssimos que se atrevem a tocar no tema da forma sutil e talvez didática com que devesse ser tratado. O ponto mais positivo do filme é a protagonista ser interpretada da forma com que deveria (diferentemente de outros filmes): a pessoa contratada era de fato um ATOR, e passou por todo o processo de mudança (a interssexualidade) até nos revelar Lily (que surge quase que como um apelido à feminilidade “escondida” da personagem).

Em suma: Alicia rouba toda a atenção de Eddie, pois a dor de sua personagem (cisgênero, branca, mulher – ainda que também fosse oprimida na época) se sobressai às questões próprias de Lily, que é sobre o que o longa-metragem sempre se tratou.

Visualizacões:   32   Comentários:   2   Curtidas: 0

2 Comentários

18 de março de 2016
A forma como REALMENTE deveria ter sido era o filme ser escrito, dirigido e/ou atuado por pessoas trans. Isso resolveria boa parte das falhas apontadas, principalmente no foco na transição e a maneira como seria mostrada.
Marília Nunes
18 de março de 2016
O objetivo do filme deveria ser uma cinebiografia de Lili Elbe, focada na sua transição e sua descoberta como mulher, detalhando a sua trajetória entre Einar e Lili. Porém, nós vemos mais do conflito que a transição de Lili gerou ao seu relacionamento e em específico à sua esposa, Gerda. Não vejo isso como um ponto negativo. Não foi fiel ao tema principal? Não foi. A visão de Gerda tentando lidar com a complicação da situação e ainda sim querendo permanecer ao lado do que ela acreditava ser ainda o marido que a conheceu, não deixa de ser um dos preconceitos que Lili encontrou, pelo fato de Gerda achar que ela podia simplesmente se vestir como Einar e pronto. Ao mesmo tempo que é uma história delicada da parceira e renúncia de uma esposa que se viu amando o ex-marido de outra forma, como Lili. Repito, não é fiel ao tema principal, poderia ter dado mais foco ás dificuldades de alguém que não se reconhece no próprio corpo, mas não deixa de ser um filme encantador. *Tentei*
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