Papo Torto
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Mulheres – Quando você é usada como produto (e nem nota).

Publicado:   março 14, 2016   Categoria:Feminista , OpiniãoEscrito por:Jota1

Estamos vivendo em um momento muito bacana (ainda de luta) no que diz respeito ao empoderamento feminino. As mulheres estão lutando por mais igualdade na sociedade e no último 8 de março, a hashtag #NãoDêFlores representou essa luta contra todo o preconceito que envolve o termo “sexo frágil” e nossas ladies do PapoTorto também fizeram um post bem bacana sobre a luta feminina.

Triste foi ver, algumas mulheres se dizendo contra o feminismo e que a mulher está muito “pra frente”. Dizendo isso em rede nacional inclusive, de modo que algumas diferenças entre homens e mulheres, são consideradas tradicionais e muitas vezes são confundidas com cavalheirismo, porém, estamos em um mundo em transformação e é preciso rever alguns conceitos.

Com isso em mente, me lembrei de outro dia em que fui com a minha esposa e um casal amigo nosso em uma balada sertaneja. Todo mundo sabe que eu detesto o som, mas era aniversário de uma amiga em comum e eu não sou daqueles chatos que emburram com o ambiente. Sei separar as coisas e a questão aqui é outra.

Estávamos em uma balada famosa aqui em Brasília e como ficava em uma avenida em que haviam outras baladas, logo a concorrência era grande e deu pra perceber a estratégia da casa: A mulheres tinham desconto na entrada e caipiroska liberada até às 22:00 horas, porém essa caipiroska – Horrível, feita com uma vodca da pior qualidade – era oferecida numa espécie de hall na frente da balada, e ali homem não podia ficar. Do lado de fora da balada, quem passava tinha a impressão de que só havia mulheres no local. Parecia uma vitrine! Bizarro! Mas funcionava. Os caras passavam em frente a balada, viam as mulheres enchendo a cara e pensavam: “Tá cheio de mulher! Aqui é o lugar!”.

Foto: Iwi Onodera/EGO
Fila pra entrar na balada ou vitrine para atrair homem?

A gente (Eu, minha esposa e o casal amigo nosso) assistia aquilo com certa estranheza e lá pelas onze da noite a tática começava a surtir efeito. A mulherada que havia bebido mais do que podia – pois a partir daquele horário não tinha mais caipiroska liberada e elas teriam que pagar pela bebida – estava “solta” na pista e os caras chegavam agarrando e os dois se resolviam ali. Se ela tinha condições de argumentar, só Deus sabe. Música alta e álcool na cabeça são fatores que não ajudam muito na conversa e é difícil não olhar a cena e julgar. O cara chega agarrando a moça e se brincar ela nem percebeu. Se no susto ela acabou consentindo e curtindo aquilo, ok, bom pra ela. Mas levo a crer que 80% dos caras que estavam ali olharam para ela e pensaram: “Essa é fácil!”.

Depois eu pensei direito. O mais triste naquela noite foi ver que as mulheres foram usadas pela balada como isca para homens! Se eu fosse mulher, nunca iria em uma balada que mulher entra de graça porque quando você não paga pelo produto, você se torna o produto! E foi isso que aquela balada fez. Ofereceu uma bebida de péssima qualidade para a mulherada ficar na “vitrine” como o seu produto. Nojento é pouco!

Não posso afirmar se todas as mulheres ali tinham ciência disso nem o que elas acham de pagar mais barato na balada, beber de graça e etc. O estabelecimento não pode obriga-la a ficar com ninguém, óbvio, e muitas mulheres ali só queriam dançar e se divertir. O problema é que nesse contexto, ela se torna, mesmo que involuntariamente, peça no jogo oferta e demanda que define o lucro das baladas desse tipo.

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Típica imagem de balada mostrando seu “produto”.

Quando a balada/bar/restaurante/evento é “mulher free” ou o que vemos muito por ai “mulher liberada até meia-noite” é uma forma machista de o estabelecimento chamar homens que quando saem à noite pensam: “Vou ao lugar que tem mais mulher!” E te afirmo com certeza, o cara que pensa assim não está nem aí se a garota saiu só para dançar. ELE VAI COLAR NELA E TENTAR AGARRA-LA. Tem muito babaca que acha que se a mulher está numa balada, esta está ESPERANDO alguém para abusar dela. E daí, a coisa geralmente só tende a piorar, partindo pra agressão, estupro etc. Acha exagero? Dê uma olhada nessa matéria…

Eu sei que o texto tá longo e vou tentar fechar por aqui. Mulheres, se valorizem mais e não deixem ser usadas por locais ou eventos que, nitidamente, esperam que você vá, não para fazer um evento para você se divertir, mas sim para ganhar dinheiro com a sua presença. A mídia e a publicidade fazem isso e aos poucos estão aprendendo a lição. Se você, como consumidora final, não dizer NÃO a essas práticas, esse machismo – mesmo que camuflado de favorecimento – não vai acabar. Existem lugares que fazem promoções para mulheres no dia das mulheres, dia das mães e etc. Aí é diferente, assim como eu sei que é melhor comprar sapato social em promoção do dia dos pais. Apenas negócios.

E caras, quando uma mulher te diz não na balada, cai fora! Ou ela só quer curtir a noite – sozinha, com as amigas, NÃO TE INTERESSA – Ou de repente ela até quer conhecer alguém bacana, mas sua abordagem não foi nada elegante. Pra fechar legal, fiquem com essa aula em forma de som da diva master Lauryn Hill.

 

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2 Comentários

14 de março de 2016
Ta aí uma coisa que eu queri MUITO dizer!! Parabéns, texto tão foda quanto verídico
Nathalia Neres
14 de março de 2016
Texto realmente foda, infelizmente as coisas acontecem exatamente assim. É triste ver isso de tal maneira, mas é a realidade!
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