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Deadpool – Porque Ryan Reynolds era “o cara” certo para o papel.

Publicado:   fevereiro 17, 2016   Categoria:Filmes e séries , OpiniãoEscrito por:Jota1

Acredito que você já deve ter assistido Deadpool certo? Daqui a pouco tem a crítica aqui no site e além disso, gostaria de tecer umas linhas em torno do filme, principalmente sobre o boom que ele está causando não só no universo dos filmes de quadrinhos em si, mas num ponto muito interessante: O amor de Ryan Reynolds pelo personagem.

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Eu, depois de assistir ao filme, notei uma coisa muito legal que o destoa de todos os filmes de herói lançados – ou pelo menos quase todos: A inversão ou distorção da Jornada do Herói. Conceito de jornada cíclica que estabelece um padrão de estágios, percorridos pelo herói – este personagem central da narrativa – a fim de justificar sua jornada, esta dividida em três partes: Partida (às vezes chamada Separação), Iniciação e Retorno.

A Partida lida com o herói aspirando à sua jornada; a Iniciação contém as várias aventuras do herói ao longo de seu caminho; e o Retorno é o momento em que o herói volta a casa com o conhecimento e os poderes que adquiriu ao longo da jornada.

Esse conceito, hoje (muito) utilizado como recurso narrativo, foi adotado por George Lucas em Star Wars e praticamente mudou a forma como a Disney fez seus filmes produzidos pela empresa entre 1989 (A Pequena Sereia) e 1998 (Mulan), depois desenvolvido como o livro “The Writer’s Journey: Mythic Structure For Writers” (A Jornada do Escritor: Estrutura Mítica para Roteiristas). Este conceito também influenciou trilogia Matrix dos irmãos Wachowski, e a cabeça chega a doer se pararmos para analisar quantos outros filmes seguem esse recurso.

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Deadpool, claro, tem sua narrativa construída de forma introdutória ao personagem – Não o chame de herói! – contando quem ele é, e quais os motivos que o levam até a linda e fodástica construção da cena inicial. Outra coisa inédita, é que o próprio personagem conta esse percurso, em um flashback interessante. O filme começa mostrando que o pau está comendo, e o personagem nos conta de maneira rápida e sagaz a sua jornada até chegar naquele ponto, deixando o expectador ávido para saber quais outras encrencas virão. Isso nos minutos iniciais, com todo mundo segurando a respiração na sala de cinema.

O diretor iniciante Tim Miller tem seu mérito pela coragem e inteligencia na qual conduz o filme. Com o orçamento apertado, ele foi brilhante em se valer das características vitais de Deadpool, além do sinal verde para usar cenas de sexo e miolos voando como nunca havia-se visto no cinema. Mas nada disso seria possível sem o amor de Ryan Reynolds pelo personagem, cuja história (Valeu Carlos!) vem de muitos outros carnavais.

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Acontece que Reynolds se apaixonou pelo personagem muito antes daquele trágico de 2009, quando fez Wolverine – Origens. Em uma entrevista ao Google, Reynolds disse que, em 2004, quando ele estava no set de Blade Trinity, um executivo – enviado por Deus, só pode! – de outro estúdio, olhou para ele e disse: “Eu vi um pequeno pedaço de ‘Blade’ e, você sabe, você é Wade Wilson, você é Deadpool “. Na época, Reynolds nem sabia quem era o personagem de quem o empresário se tratava, e este ainda disse: “Confie em mim, se eles alguma vez fazer um filme sobre Deadpool, você é o único cara que poderia jogar Deadpool”.

O que acontece depois fica mais lindo ainda nas próprias palavras de Reynolds, na entrevista:

“Então, ele me deixou por dentro sobre todos esses quadrinhos, e eu não sou um cara grande de quadrinhos, mas eu realmente estava gravitavando em torno de Deadpool. Eu me apaixonei por Deadpool. A primeira edição que abri, eu não estou inventando isso, eu estava no papel. Como nos quadrinhos, Deadpool estava dizendo “Eu olho como um cruzamento entre Ryan Reynolds e um shar-pei.” E eu estava pensando, Jesus, este é o fucking destino.”

A página que Reynolds abriu meu caro, foi essa abaixo:

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Depois dessa intervenção divina, Reynolds tratou de correr atrás de negociações para fazer o filme do mercenário tagarela. Não é preciso dizer que a atuação em Wolverine – Origens dificultou e muito o projeto sair do papel e vivia em adiações de produção. Então, Reynolds deu uma tacada de mestre: O ator foi na Comic Con de 2014 com um trecho do filme que já haviam filmado e a reação foi estrondosa a ponto de a Fox das o sinal verde para o filme acontecer. Resumindo: Mesmo antes da produção, Ryan Reynolds já era o cara certo para o filme. Um caso de amor que fica a dúvida de quem se apaixonou primeiro por quem. Reynolds está impecável no filme. E quando lhe perguntaram sobre o processo de preparação para o filme, o ator disse:

“A preparação para mim foi fácil. Foi basicamente sendo posto para fora do ventre de minha mãe, e então estar sendo alimentado o suficiente para crescer até a idade adulta, e, em seguida, começando as filmagens.”

Deadpool já quebrou o recorde de melhor arrecadação de um filme de herói solo na sua estreia. Isso é só a faísca, para todo um novo modo de olhar e fazer filmes de heróis. Se não assistiu ainda, corra para o cinema cara!

 

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